Molho de salsicha e o desaparecer da habilidade

Caros: mais um texto do Steven Brown.  Na real a primeira parte do texto ele colocou no blog dele.  Mas logo depois as repostas criticando a posição dele foram tantas que ele foi obrigado a revê-la criando um segundo texto.

Traduzi da forma mais fácil e rápida já que é um texto bem longo.

Abrsssssss,
A Raguenet

TEXTO 1

Tendo crescido no Sul (dos EUA), um dos meus café da manhã favorito é molho de salsicha no pão (É um prato típico por lá.  O nome em inglês é sausage gravy over biscuits.  Por "biscuits" pode se achar que é biscoito como nós conhecemos, mas para muitos americanos é um tipo de pão - N. do T.).

Depois que me formei e saí de casa, de vez em quando nas férias eu voltava para a casa dos meus pais e gostava de frequentar um restaurante de comida caseira e sempre pedindo o molho no pão. Não era o melhor que eu já tinha experimentado mas gostava da ideia de comer comida caseira ao invés de algo produzido em massa e servido em restaurantes de fast-food.  Você pode imaginar a minha decepção quando uma vez olhei para dentro da cozinha deles durante uma visita e vi um dos cozinheiros abrindo uma lata de molho de salsicha pré-fabricado. Nunca mais voltei naquele restaurante. Eles estavam trapaceando, criando atalhos para satisfazer seus clientes. (Olhando para trás, talvez essa fosse a razão pela qual eu podia tomar tomar café da manhã por uns cinco dólares).

Há duas semanas, houve um rápido mas instigante debate no grupo WingNut Wings Fans do Facebook quando um de seus membros publicou um link para as novas hélices pré-fabricadas de madeira da LF Models. Vários de nós expressaram a opinião de que usar esses recursos constituíam algo parecido com uma trapaça. Um integrante postou: "Isto no modelismo é o equivalente ao entregar um dever de casa que não foi feito por você". Ele tem razão.

Com certeza as hélices parecem incríveis e por que não deveriam? Elas parecem ter sido fabricados exatamente como as originais. com camadas laminadas de madeiras multicoloridas, moldadas e polidas e com o eixo em alumínio. O "modelista" vai gastar mais tempo removendo a peça da embalagem do que colocando no modelo.

LF Propeller

Como você pode imaginar, muitos dos modelistas do grupo no Facebook irão comprar os acessórios da LF e, muito corretamente, defenderão o direito de fazê-lo. Eu não nego o desejo deles de criar uma melhor representação de um Albatros D.III ou Fokker D.VII, mas acredito que usar esses acessórios afasta uma boa parte da habilidade manual que é a base da modelismo de escala. Usar esses acessórios é trapaça. Ponto.

"Trapaça?" comentou outro participante. "Se isso é trapaça,  então a mesma coisa é usar os foto-gravados da Eduard, os painéis de instrumentos da Yahu e as peças de reposição em resina". E ele está absolutamente certo. Quando você usa esses produtos você lança mão de elementos no modelo que não são o produto de sua mente e mãos e o seu kit apenas reflete parcialmente sua habilidade como modelista.  Você se distancia de ser um verdadeiro "artista" por mais um, dois, três passos. Ok, concordo que há um grau de habilidade necessário para limpar, montar, colar e pintar peças foto-gravadas ou resina, mas não tanto quanto criar esses mesmos componentes usando plástico, metal ou outro material. Um dos modelistas que me inspirou desde o início, Bob Steinbrunn, usou muito pouco , se algum, acessórios de after-market e criou reproduções incríveis de aeronaves em escala. Ele, meus amigos, é um verdadeiro artesão.

Alguns de vocês que lêem isso podem levar o meu argumento para um extremo, criando uma falácia e sugerindo que os modelistas então deveriam criar sua própria tinta e cola. Ou fazendo um kit completo a partir do zero (scratchbuild) e deixando de lado o modelo em plástico.  Isso pode ser até verdade, mas eu estou fazendo uma distinção entre produtos usados para construir e pintar um modelo e produtos usados para substituir ou adicionar componentes de um modelo.

Então negócio é o seguinte.  Se você usa acessórios de madeira, foto-gravados, cockpits em resina e assim por diante, tudo bem. Existem razões válidas para fazê-lo, mas admita que você está enganando. É legal usar atalhos para criar os modelos que você deseja exibir na sua prateleira, mas perceba que um pouco da sua habilidade foi perdida no processo.

Eu também sou um enganador.  Tenho uma pequena seleção de máscaras de canopy, peças em resina e canos de armas no meu armário. Eu poderia mascarar os canopys por conta própria (como estou fazendo para um ESCI 1/72 AV-8A Harrier), mas os produtos de Eduard e Peewit tornam o processo de pintura mais rápido e os resultados são mais previsíveis, e isso é importante para mim. E talvez esses adereços de madeira sejam importantes para você.

Todos nós somos trapaceiros.

TEXTO 2

O meu recente artigo sobre o uso de peças de after-market realmente atingiu a ferida entre um grande número de pessoas. Com base nos comentários que recebi aqui no blog, na página do meu Facebook e em um grupo fechado do Facebook, vocês discordaram veementemente e não economizaram palavras para expressar. Isso resultou mesmo em uma nova hashtag, #cheating. Para você, eu digo ... a mensagem foi ouvida alto e claro!

Adoro ver a paixão que vocês tem pelo nosso hobby e agradeço os comentários, não importa como cada um se expressou. Eu sempre escuto críticas com uma mente aberta e reavaliei minhas opiniões quando apresentadas com novas informações e pontos de vista e vejo agora que extrapolei quanto à minha opinião sobre "trapaça".

Estaria eu equivocado? Duas coisas vieram à mente.

Olhando para trás, acho que a palavra "trapaça" foi desnecessariamente pejorativa e acusatória. Enganar implica que você está fazendo algo errado. Como muitos de vocês apontaram, este é um hobby em que cada um de nós está construindo modelos para nós mesmos.  Então, como você pode "enganar?" Um termo melhor teria sido "usar atalhos". Por exemplo, se eu dirigir de Atlanta para Dallas e pegar um atalho para economizar uma hora de carro, ninguém me acusará de trapaça, certo? Vamos então adotar "atalho" daqui para frente.

Minha segunda gafe foi superestimar a importância do artesanato no hobby. Ou seja, o processo de construção de um modelo. Muitos de vocês comentaram que os fins (o modelo na sua estante) são mais importantes do que os meios (os produtos que você usa para criá-lo). Você está disposto a tomar atalhos para criar uma representação satisfatória de um avião, tanque, navio ou veículo favorito; você não tem interesse em detalhar cockpits, remodelar narizes imprecisos ou adicionar encanamento no compartimento do trem de pouso. Eu entendo isso agora.

Então, aqui estou eu uma semana depois com uma melhor compreensão de como os outros aproveitam o hobby. Eu sabiam que escrever um blog é um processo de aprendizagem e que às vezes pode ser difícil. Aqui está uma amostra de alguns dos comentários que recebi.

"A modelismo em escala é um exemplo fantástico de um cenário em que você é forçado a se tornar proficiente em uma série de habilidades para produzir algo verdadeiramente bonito".

E…

"Há habilidade necessária para com os after-markets. Gostaria de sabe se como dobrar e enrolar peças foto-gravadas não exige habilidade?"

E…

"Eu concordo. Quero dizer, artesanato é o que fazemos, certo?" Mas, ele continua: "Será que a proliferação de aftermarket realmente diminuiu as habilidades, ou ele inspira e atrai modelistas, encorajando-os a fazer coisas que teriam medo de tentar?"

Estes são pontos interessantes que eu não tinha considerado o suficiente. Ironicamente, quando escrevi esse artigo original, vendi um conjunto de foto-gravados particularmente complexo já que eu não tenho a habilidade necessária para montá-lo. Tiro o meu chapéu para aqueles de vocês que podem fazer magia com foto-gravados ou estão dispostos a gastar tempo para lixar um cockpit ou motor de resina para ajustá-lo a um modelo. Isso é artesanato. Francamente, qualquer coisa que motive você a construir um modelo para outro modelo é bom para o hobby.

"Quanto mais velhos ficamos ... eu tenho 56 anos e tenho cada vez menos tempo para montar o que eu comprei. Então eu compro aquilo que corrige o que eu teria que fazer mas que não vou fazer".

Eu entendo perfeitamente. Estou me aproximando dos 50 rapidamente com mais modelos no pilha e menos tempo para montar. Eu escrevi sobre como acelerar as montagens e aumentar sua produção. Se o mercado de after-market permite que você faça isso, isso é positivo.

"Os resultados são o que contam, não o processo".

E…

"Você está tentando mostrar suas habilidades pessoais ou você está tentando construir a melhor representação em escala de algo? Pessoalmente, tudo o que me importa é o modelo final".

Vários de vocês me disseram que o modelo final é a parte importante do hobby. Essa é uma abordagem tão válida para o hobby como qualquer outra. Uma pessoa afirma que gosta de fazer scratchbuild, mas sabe que não possui as habilidades necessárias. Ela diz: "Então o que acontece quando você faz suas próprias peças e elas são horríveis?"  Como resposta eu diria que você aprende com a experiência e que tente novamente ... se você quiser. Meu próprio uso de pigmentos terminou horrivelmente, assim como minha primeira tentativa de colocar os cordames em um biplano de 1/72, mas continuo com a esperança de que a cada modelo construído há uma melhora.

"A arrogância de que todos tem que apreciar o hobby da maneira que eu acho conveniente".


E…

"Todo mundo precisa de alguém para criticar, eu acho".

E...

"Eu dei uma olhada no meu manual e esse cara é um babaca".

Desculpe se você interpretou o artigo dessa forma. Algumas das minhas declarações foram um pouco duras, mesmo admitindo que eu também trapaceio. Ninguém tem o direito de nos dizer como construir nossos modelos, mas todos têm o direito de falar sobre as escolhas que fazemos.
E desde que abri o artigo com uma analogia com a cozinha, um leitor continuou a fazer esta relação.

"Será que este cara já fez seu próprio molho? Eu acho que a probabilidade é de 10%.  Então ele engana até no café da manhã".

Na verdade, eu faço meu próprio molho de salsicha. E meu próprio molho de churrasco, meu próprio molho de tomate, minha própria salada e meu próprio sorvete. Cozinhar é minha outra paixão e eu gosto mais de preparar as refeições quando posso fazer isso do zero. Eu admito que eu mantenho um frasco de molho de tomate pronto Progress no armário para refeições da semana. Um atalho? Sim.

"Certifique-se de perguntar-lhe se está enganando caso ele não aprove comentários que não concordam com ele".

Não há trapaça aqui. Eu não excluo comentários nem no meu blog nem na minha página do Facebook. Na verdade, os comentários mais duros que recebi foram em um grupo no Facebook onde não tenho capacidade de editá-los, e estou compartilhando alguns aqui.

"Certifique-se de ter um adblocker ou algo do tipo para que ele não receba receitas em função do tráfego gerado".

E...

"Tudo isso é para gerar cliques. Alguns desses modelistas que têm páginas / sites / canais do youtube começaram a seguir a receita da mídia tradicional em publicar artigos inflamatórios causando uma infinidade de emoções e gerando muitos cliques na web e hits nas página. Daí eles então vão aos fabricantes dizendo "Tenho xx quantidade de hits hoje, me dê produtos grátis e você receberá xx quantidade de pessoas vendo seu produto ..."

Nada mais falso. Com certeza essa pessoa nunca visitou o meu blog.  Caso contrário saberia que não há absolutamente nenhum anúncio no blog. Eu obtenho umas 75 visitas por dia o que pode gerar dois ou três dólares por mês na melhor das hipóteses, e certamente não é o suficiente para atrair ninguém para me oferecer produtos gratuitos. Eu tenho pouco mais de 1.000 likes no Facebook, que é nada em comparação com outros blogueiros que têm 10 a 20 vezes mais. Ninguém está pensando em mim quando quer promover um produto.

Finalmente me despeço de vocês com esta última onde M. perguntou: "Quem se importa com o que ele diz? É a sua opinião ... não afeta nem muda nada", para o qual B. respondeu: "Eu preciso de algo para ficar louco, senão sinto que estou desperdiçando meu tempo na web". Eu acho que isso praticamente explica todo essa celeuma.

Voltemos para a bancada, com ou sem after-market.

 

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Original Post

Parece click bait criado para 'causar' controversia mesmo (o tópico original não este aqui).

É irrelevante o que o modelista usou na construção. Geralmente quem usa esses 'atalhos' são pessoas capazes de fazer igual sem usá-los. Quem usa PE e resina é justamente o povo que manja de detalhamento e faz juz ao aftermarket. Que usa ezline no rigging são aqueles que conseguem fazer até com sprue esticado.

Respeito a opinião dele, embora não concorde. De nada adianta um monte de aftermarket se não existe um mínimo de habilidade. Quando iniciei no hobby o material era tinta óleo, hairspray, gis pastel, etc. Hoje tem um produto para cada coisa, mas continuo usando a maioria do material tradicional. Mas não porque sou um purista, e sim porque não tenho acesso fácil a este tipo de material novo, se tivesse com certeza usaria. Minha paixão são dioramas e várias vezes faço tudo na unha, mas adoro as peças prontas. Há espaço para os out of the box e os kits super detalhados (com aqueles PEs dez vezes mais caro que o kit ). Vai do seu tempo e dinheiro, e principalmente: gosto pessoal. 

Entendo que temos que analisar este artigo de dois pontos de vista:

1º do ponto de vista do concurseiro:

. O purista entende que plastimodelismo é o modelismo em plástico e não deve levar PE, resina, madeira, etc., e que num concurso, se comparado com um modelo com todos os aftermakers possíveis não será páreo na conquista de medalhas.

. O liberal entende que os aftermakers são uma forma de deixar seus modelos mais parecidos possíveis com a realidade e portanto mais próximos de ganhar medalhas.

Um dos motivos pelo qual ele denomina o modelista de "trapaceiro" é este, no sentido de obter vantagem sobre quem não utiliza os aftermakers.

2º do ponto de vista do plastimodelista raiz:

. O plastimodelista raiz entende que o modelo deva ser montado OOTB ou no máximo levar "scratches" de material plástico, tudo feito na unha, como o nome diz modelismo = modelar.

. O liberal não tá nem aí, para ele o que vale é ter na estante um modelo bonito o mais próximo da realidade possível.

É por este outro motivo que ele diz que o modelista está também "trapaceando", no sentido de não ter trabalho nenhum quando utiliza este tipo de aftermaker (hélices prontas, PE já pintados, nem digo o caso da resina e outros tipos de PE pois demandam um certo trabalho assim como o plástico), o modelista apenas retira o produto da embalagem e cola. Seria mais ou menos como montar um snaptite já pintado e decalcado (isto na visão de um purista).

Sou "purista", "plastimodelista raiz"; em minha opinião plastimodelismo é apenas plástico, nada PE, resina, etc.. Entendo que os kits deveriam ser montados OOTB ou no máximo com "scratches" com utilização de material plástico. Concordo com ele.

Porém, quem faz as regras é o mercado (procura e oferta) portanto a minha opinião e a dele, no frigir dos ovos, são apenas "nossas verdades" que não irão mudar nada no mundo do plastimodelismo, são apenas opiniões.

Pessoal,
 
Isto é um Hobby que deve nos agradar, montar usando seja lá o que for para tornar o kit mais interessante e prazeroso, vai do gosto e da habilidade de cada um.
 
Alguns PEs são fantásticos, mas quase impossíveis de dobrar, admiro quem consegue trabalhar bem com eles!
 
E talvez aquele PE caríssimo, possa ser substituído por uma tira de plástico ou até papel (só não conte para ninguém) obtendo quase o mesmo efeito...
Algumas peças em resina (também caras) podem ser torneadas num sprue... Sendo extremista, lamino tipos diferentes de madeira, colo numa mini prensa e lamino uma hélice fabulosa... Dá trabalho, mas tem gente que curte! Outros montam direto da caixa e não se importam com nada disso!
 
Ou até compra tudo pronto e incrementa o kit, mas nem sempre é tão fácil quanto parece, assim como PE, certos conjuntos em resina podem ser muito trabalhosos, peças de metal não encaixam bem e por aí vai.
 
Por exemplo, aquelas lagartas Friulmodel são fantásticas, mas dão um trabalho danado. Além disso não cabem no bolso de qualquer um, geralmente são mais caras que o kit onde serão usadas.
 
Eu prefiro ter uma dúzia de tanques com lagartas de vinil do que um par com lagartas de metal, mas alguns pensam o oposto, novamente é questão de gosto (e talvez de bolso).
 
Se eu comprar um bom molho de salsicha em lata e der uma temperada, é capaz dele passar como sendo caseiro... Caso eu faça um péssimo molho de salsicha em casa, quem provar pode pensar que eu tirei de uma lata...
 
Sinceramente, desde que o molho ou kit seja agradável ao meu gosto, tanto faz.

PlastiAbraços
Rubens posted:
Pessoal,
 
Isto é um Hobby que deve nos agradar, montar usando seja lá o que for para tornar o kit mais interessante e prazeroso, vai do gosto e da habilidade de cada um.
 
Alguns PEs são fantásticos, mas quase impossíveis de dobrar, admiro quem consegue trabalhar bem com eles!
 
E talvez aquele PE caríssimo, possa ser substituído por uma tira de plástico ou até papel (só não conte para ninguém) obtendo quase o mesmo efeito...
Algumas peças em resina (também caras) podem ser torneadas num sprue... Sendo extremista, lamino tipos diferentes de madeira, colo numa mini prensa e lamino uma hélice fabulosa... Dá trabalho, mas tem gente que curte! Outros montam direto da caixa e não se importam com nada disso!
 
Ou até compra tudo pronto e incrementa o kit, mas nem sempre é tão fácil quanto parece, assim como PE, certos conjuntos em resina podem ser muito trabalhosos, peças de metal não encaixam bem e por aí vai.
 
Por exemplo, aquelas lagartas Friulmodel são fantásticas, mas dão um trabalho danado. Além disso não cabem no bolso de qualquer um, geralmente são mais caras que o kit onde serão usadas.
 
Eu prefiro ter uma dúzia de tanques com lagartas de vinil do que um par com lagartas de metal, mas alguns pensam o oposto, novamente é questão de gosto (e talvez de bolso).
 
Se eu comprar um bom molho de salsicha em lata e der uma temperada, é capaz dele passar como sendo caseiro... Caso eu faça um péssimo molho de salsicha em casa, quem provar pode pensar que eu tirei de uma lata...
 
Sinceramente, desde que o molho ou kit seja agradável ao meu gosto, tanto faz.

PlastiAbraços

penso igual 

Este tipo de discussão faz pessoas se afastarem do Hobby e estragam a diversão de outros.

Existem diferentes tipo de plastimodelistas, com diferentes tipos de resultados. O que permite a harmonia, a diversão e a interação entre as diferentes tribos é o respeito

No Globo Repórter desta semana, As Tribos do Plastimodelismo, como vivem, o que pensam, o que comem, como se reproduzem...

Newbies: São compostos pela nova geração do modelismo. Não necessariamente de pessoas jovens, mas que são novos no hobby. Se caracterizam pelo interesse de aprendizado, geralmente começando com kits mais simples. Tendem a migrar para outras tribos com o passar do tempo. Tendem a ter grande medo dos míticos aftermarkets. Palavras como washes, weathering e streaking habita apenas em seus imaginários. Kit de resina é tabu mortal. Uma tribo que apesar de tudo é bastante heterogênea. Alguns de seus kits apresentam um resultado final pavoroso. Outros são surpreendentes. Tendem a se deparar com armadilhas e conselheiros do mal. Alguns estragam flyhawks, fujimis ao serem aconselhado a já começarem com o melhor. Outro se desanimam e caem na grande depressão ao iniciar com os modelos mais baratos e descobrirem que a Airfix e Alan, por exemplo, têm uma forma diferente de ver a realidade.

Noobies: Costumam levar as tribos mais radicais ao desespero. São formados por Newbies degenerados. Não são necessariamente pessoas novas no hobbie, mas permanecem no comportamento "vamos estragar o kit, não importa qual seja". Seus kits podem ser facilmente identificados pelas marcas de cola, encaixes visíveis, detalhes lixados, canopies foscos, pintura casca de laranja, escorrida ou com marcas grosseiras de pincel. No dialeto Noobie, wash=sujeira. Já têm ciência que um navio da Airfix é ruim, que modelo de resina é osso e que kit da Alan é pavoroso. Então se dedicam a depredar kits melhores, tais como Tamiyas e Hasegawas. Alguns são muito possessivos com seus kits, tanto que no modelo podemos encontrar várias marcas de suas digitais. São adeptos do molambomodelismo ou sua variante o modelismo lambancento. Tendem a se achar geniais e ignorar as opiniões dos demais. Seus membros vão involuindo até desaparecer. Mas as suas fileiras é constantemente alimentada por novas involuções Newbies, Alternativos Belezas e Sucateiros. 

Radicais Xiitas: Não são necessariamente os que apresentam os melhores kits. Inclusive muitos destes nem chegam a finalizar seus kits, devido a alguma desculpa, que invariavelmente envolve falta de tempo. Mas sempre têm tempo para criticar os kits dos outros. Sua principal presa são os Noobies, que são violentamente caçados pelos Radicais Xiitas. Porém os Radicais Xiitas caçam e perseguem qualquer membro de outra tribo. O maior troféu para um Radical Xiita é conseguir derrubar um Semi-deus. Criticam tudo, o kit escolhido, as cores, as tintas, o resultado. Tendem a ser derivações mais agressivas e predatórias dos Especialistas Superpower, dos Narcisos Perfecionistas e dos Concurseiros. Qualquer um que discorde deles ou apresente em um kit algo que não concordem tendem a ter um comportamento agressivo e depreciador. Tendem a criticar a cor de um modelo, mesmo se utilizada a tinta usada no modelo original real. 

Narciso Perfecionistas: Montam um, talvez dois kits na sua vida. Estão eternamente trabalhando em um único kit que demora anos para ficar pronto. Se aprofundam em uma pesquisa sobre aquele kit, sabendo sobre coisas do modelo que nem os projetistas originais são capazes de saber. Gastam fortunas e horas intermináveis acertando uma hélice, um pedal (que inclusive nunca mais verá a luz do sol), ou uma vigia. Não usa régua, usa paquímetro. Desenvolveu técnicas no modelismo que só ele sabe. Tribo, pequena e seleta. Quando conseguem montar um kit, é uma figura digna de museu, mas aí já se passou a vida toda. Gastam mais em aftermarket daquele kit do que na troca do carro. Têm sérios problemas de espaço. Têm pesadelos horríveis com a poeira. Demoram tanto em finalizar o kit que geralmente descobrem que a pintura de uma seção acabou ficando diferente da outra e começam tudo de novo. Sua maior fonte de prazer é mostrar aquele detalhamento que nunca ninguém vai conseguir ver com o kit pronto, mas ele sabe que estará lá. Tendem a ser evoluções obsessivas compulsivas dos Newbies, Alternativos Beleza e Especialista Superpower. Quando o nivel de agressividade se torna muito elevado, migram para os Radicais Xiitas. 

Concurseiros: Também conhecidos como Mutlerinos... medalha... medalha... medalha... Esta tribo se alimenta de medalhas. Montam seus kits focados em eventos e concursos. Isto define não apenas o que vão montar, mas na velocidade em que vão montar. Tribo muito desunidade, tende a brigar entre si. Veneram os semideuses e desprezam os Newbies. Tendem a caçar os Noobies por esporte. Quando muito agressivos, migram para uma variante dos Radicais Xiitas que finalizam kits. Desenvolveram a mais apurada técnica no transporte de kits prontos. Podem entrar em depressão profunda, se da mesma forma que uma mulher descobre outra em uma festa com um vestido igual, se outro modelista aparece com um kit igual no evento. Se o outro ganhar medalha então, correm o risco de cortar os pulsos. São excelente companheiros quando vêm com o acessório "esportividade". Tendem a migrar para os Reis do Mimimi quando não conseguem sua dose mínima anual de medalhas. 

Reis do Mimimi: Os famosos espalha brasa, estraga festa, os que dão azia em caixa de bicarbonato. Reclamam de tudo. Enquanto o Radical Xiita reclama tendo como base alguma referência ou balizados em algum ponto técnico plausível. os Reis do Mimimi são motivados por suas crenças pessoais idiossincrásicas. Se sentem magoados se alguém digita em letra maiúscula, ofendidos se alguém pergunta sobre o modelo que não finalizaram, chatiadíssimos se ouvem alguma crítica. Tendem a ameaçar seguidamente fóruns e eventos regulares, se sentindo vítimas. Mas sempre voltam achando que sentiram sua falta. Eventualmente são expulsos pelos que não aguentam mais tanto choro. Tendem a usar uma carapuça, rapidamente se denunciando ao queixar após ler este post que eu estava falando especificamente dele quando escrevi algum exemplo e reage de forma agressiva se sentido perseguido. 

Aftermarketeleiros: Não importa o quão bom o kit seja. Para o Aftermaketeleiro sempre cabe um PE aqui, uma resina ali. Alias, Kit direto da caixa não tem a menor graça. Mesmo que o cockpit vá ficar fechado, não resiste a encher de resina e PEs. Inclusive, poderia até ter mais kits, mas cada Kit que monta tem aftermakets que somam 3x o valor original do kit, pelo menos. São ótimas fonte de referência para sabermos quais os after são bons e quais têm dificuldade de adaptação. Não só utilizam as helices de madeira da LF Models, como se orgulham disto. Tendem a ter Reis do Mimimi que tentam se infiltrar nesta tribo, mas que são rapidamente descobertos pelo choro. 

Alternativos Beleza: Entre os meios intelectuais são conhecidos tambem como os Scratchbuilders. Que kit injetado que nada, o negócio é papel, palito de dente, fósforo, latinha, garrafa pet. São extremamente criativos. Com uma folha de estireno montam uma Millenium Falcon, com um ferro de passar roupa um modelo Steam Punk e com garrafinha de Yakult um pod racer. Mesmo um kit injetado leva um bocado de araminhos e tubinhos extras. Alguns trabalhos sao espetaculares e tendem a ascender para os semi-deuses. Outros são ridículos e despencam para os Noobies. Tendem de uma forma geral a serem respeitados, quase oraculos visionários, que ao verem um tubo vazio de aerolin conseguem visualizar a nave espacial que está ao redor. Uma variante light, menos alternativa, são aqueles que se dedicam a kits de resina. 

Sucateiros: Salivam intensamente ao verem uma caixa de sobras. Os verdadeiros urubus do modelismo. Não jogue seu kit velho ou quebrado fora. Doe-o a um sucateiro. Se você tiver maldade suficiente em seu coração, vai inclusive conseguir vender para ele o kit que você ia jogar no lixo. Quando conseguem finalizar kits, evoluem para a tribo dos Alternativos Beleza. outros acabam virando um Narciso Perfecionistas, mas a maioria se mantém nesta variante menos nobre de uma especie de Boxmodelista. 

Especialista Superpower: Se você tem uma dúvida de como era a bequilha do Bf-109K-4 ou se o bico do F-14 da Academy está correto ou não e principalmente o que fazer, o Especialista Superpower tem a resposta exata para você. Geralmente montam bastante. Mas somente um tipo de modelo. De preferência um de cada variante, de cada esquadrão e de cada fabricante. Se bobear sabe até a cor da cueca do piloto. Conhece histórias e particularidades de todos os operadores daquele modelo. Geralmente se dedicam a um modelos de aviação específico (Bf-109, F-14, F-15, Su-27), mas também há variações genéricas como Star Trek, Star Wars e Naval WWII ou Naval 1:700. Também estão próximos a se tornar semi-deuses. 

Boxmodelista: Têm kits montados? Um ou outro, mas isto não vem ao caso. Cada uma das tribos tem um pouco de boxmodelismo, mas quando o acumular caixas se tornam o fim e não o meio, o plastimodelista migra para esta tribo. Um dos seus grandes prazeres é quando vê alguém dizer que está atrás de um determinado kit e ele diz que tem três destes, na caixa. Uma delas inclusive lacrada. O orgasmo é incontrolável quando o desfortunado interlocutor implora para comprar um dos três que ele tem e ele com um sorriso cruel nos lábios diz não. F-15? Tem uns 10. F-14 outros 10. Bf-109 então já até perdeu a conta. Se gastasse montando, o tempo que perde apreciando a arte da caixa, os sprues, os decalques, teriam uma coleção monstro de kits montados. Algumas variantes mais grave, acumulam PEs e outros Aftermarkets junto com os kits que jamais vão montar. Uma variante curiosa é a dos colecionadores de decais, que colecionam decais para versões de kits que ainda não compraram. 

Raiz: Esta tribo usa tinta hobbycores para pintar, na melhor das hipóteses acrilex. O Alquimia é uma das maravilhas do mundo moderno. Cola de transparência é Cascolar. Weathering e com grafite de lápis raspado. White Spirits é Varsol. Evolução do Alternativo Beleza e do Sucateiro, que se utilizam de forma eficaz das sobras e daquilo que a mãe natureza colocou à disposição do modelistas. Por exemplo, nada melhor que folha seca picada para fazer folha seca. Serragem com anelina e alcool batida no liquidificador e a melhor grama sintética que há. Muitas de suas montagens ficam ducaray. Mais um passo e viram semideuses. 

Eletrônicos: Para estra tribo, kit bom é kit com luzinha e barulinho. O kit mesmo acaba sendo o menos importante. Importante é ter janelinha. Ou então hélice para girar. Do espaço é o melhor, pois ainda pode ter uns barulinhos. A pintura nem precisa ser tão elaborada. O negócio é ter leds coloridos. Uma das palavras mágicas é Arduíno. Para se comunicar utilizam-se de uma escrita indecifrável para os demais. 

Semi-deuses: Ocupam o panteão lendário da honra entre os modelistas. Fácil reconhecer um. É rodeado por um séquito de seguidores e se você vê um kit montado dele, jura que nunca mais vai montar um. Se você tem um igual, chega em casa e vende ele no Mercado Livre, simplesmente pela vergonha. Se você se arriscar a colocar um kit seu, igual ao lado de um dele. O seu pega fogo na hora. Você utiliza tintas importadas caríssimas, aerografo Iwata, thinner do fabricante, pincel com pelo de marta, etc e ele utiliza tinta acrilex misturada artesanalmente com auxilio do Alquimia, dilui no vidrex e o aerógrafo é o que tiver na mão, assim como no pincel. O seu fica parecendo brinquedo. O dele... parece que o modelo real tentou copiar o modelo que o cara fez. 

Pobres Mortais: A mais volumosa das tribos e onde eu me encaixo. Já foi Newbie, escapou de ser Noobie, eventualmente é alvo de um Radical Xiita. Admira o trabalho de um Narciso Perfeccionista, mas tem pena dele, quanto kit ele deixou de montar... Se diverte ganhando medalha em cima de um Concurseiro e gosta de provocar os Mimimi. Compra aftermarket quando dá, mas monta numa boa sem eles, aprende um bocado de coisa com os Aftermarkteleiros, vende suas sobras para os sucateiros, tira suas dúvidas com os Especialistas Superpower, morre de inveja da coleção dos Boxmodelistas, quando a grana aperta vira Raiz, admira os Eletrônicos, mas nem arrisca e quando vê um trabalho pronto de um Semi-deus, se pergunta, por quê o "Semi"?

E aí, se identificaram com alguma tribo?

 

 

Vrykolakas posted:

Este tipo de discussão faz pessoas se afastarem do Hobby e estragam a diversão de outros.

Existem diferentes tipo de plastimodelistas, com diferentes tipos de resultados. O que permite a harmonia, a diversão e a interação entre as diferentes tribos é o respeito

No Globo Repórter desta semana, As Tribos do Plastimodelismo, como vivem, o que pensam, o que comem, como se reproduzem...

Newbies: São compostos pela nova geração do modelismo. Não necessariamente de pessoas jovens, mas que são novos no hobby. Se caracterizam pelo interesse de aprendizado, geralmente começando com kits mais simples. Tendem a migrar para outras tribos com o passar do tempo. Tendem a ter grande medo dos míticos aftermarkets. Palavras como washes, weathering e streaking habita apenas em seus imaginários. Kit de resina é tabu mortal. Uma tribo que apesar de tudo é bastante heterogênea. Alguns de seus kits apresentam um resultado final pavoroso. Outros são surpreendentes. Tendem a se deparar com armadilhas e conselheiros do mal. Alguns estragam flyhawks, fujimis ao serem aconselhado a já começarem com o melhor. Outro se desanimam e caem na grande depressão ao iniciar com os modelos mais baratos e descobrirem que a Airfix e Alan, por exemplo, têm uma forma diferente de ver a realidade.

Noobies: Costumam levar as tribos mais radicais ao desespero. São formados por Newbies degenerados. Não são necessariamente pessoas novas no hobbie, mas permanecem no comportamento "vamos estragar o kit, não importa qual seja". Seus kits podem ser facilmente identificados pelas marcas de cola, encaixes visíveis, detalhes lixados, canopies foscos, pintura casca de laranja, escorrida ou com marcas grosseiras de pincel. No dialeto Noobie, wash=sujeira. Já têm ciência que um navio da Airfix é ruim, que modelo de resina é osso e que kit da Alan é pavoroso. Então se dedicam a depredar kits melhores, tais como Tamiyas e Hasegawas. Alguns são muito possessivos com seus kits, tanto que no modelo podemos encontrar várias marcas de suas digitais. São adeptos do molambomodelismo ou sua variante o modelismo lambancento. Tendem a se achar geniais e ignorar as opiniões dos demais. Seus membros vão involuindo até desaparecer. Mas as suas fileiras é constantemente alimentada por novas involuções Newbies, Alternativos Belezas e Sucateiros. 

Radicais Xiitas: Não são necessariamente os que apresentam os melhores kits. Inclusive muitos destes nem chegam a finalizar seus kits, devido a alguma desculpa, que invariavelmente envolve falta de tempo. Mas sempre têm tempo para criticar os kits dos outros. Sua principal presa são os Noobies, que são violentamente caçados pelos Radicais Xiitas. Porém os Radicais Xiitas caçam e perseguem qualquer membro de outra tribo. O maior troféu para um Radical Xiita é conseguir derrubar um Semi-deus. Criticam tudo, o kit escolhido, as cores, as tintas, o resultado. Tendem a ser derivações mais agressivas e predatórias dos Especialistas Superpower, dos Narcisos Perfecionistas e dos Concurseiros. Qualquer um que discorde deles ou apresente em um kit algo que não concordem tendem a ter um comportamento agressivo e depreciador. Tendem a criticar a cor de um modelo, mesmo se utilizada a tinta usada no modelo original real. 

Narciso Perfecionistas: Montam um, talvez dois kits na sua vida. Estão eternamente trabalhando em um único kit que demora anos para ficar pronto. Se aprofundam em uma pesquisa sobre aquele kit, sabendo sobre coisas do modelo que nem os projetistas originais são capazes de saber. Gastam fortunas e horas intermináveis acertando uma hélice, um pedal (que inclusive nunca mais verá a luz do sol), ou uma vigia. Não usa régua, usa paquímetro. Desenvolveu técnicas no modelismo que só ele sabe. Tribo, pequena e seleta. Quando conseguem montar um kit, é uma figura digna de museu, mas aí já se passou a vida toda. Gastam mais em aftermarket daquele kit do que na troca do carro. Têm sérios problemas de espaço. Têm pesadelos horríveis com a poeira. Demoram tanto em finalizar o kit que geralmente descobrem que a pintura de uma seção acabou ficando diferente da outra e começam tudo de novo. Sua maior fonte de prazer é mostrar aquele detalhamento que nunca ninguém vai conseguir ver com o kit pronto, mas ele sabe que estará lá. Tendem a ser evoluções obsessivas compulsivas dos Newbies, Alternativos Beleza e Especialista Superpower. Quando o nivel de agressividade se torna muito elevado, migram para os Radicais Xiitas. 

Concurseiros: Também conhecidos como Mutlerinos... medalha... medalha... medalha... Esta tribo se alimenta de medalhas. Montam seus kits focados em eventos e concursos. Isto define não apenas o que vão montar, mas na velocidade em que vão montar. Tribo muito desunidade, tende a brigar entre si. Veneram os semideuses e desprezam os Newbies. Tendem a caçar os Noobies por esporte. Quando muito agressivos, migram para uma variante dos Radicais Xiitas que finalizam kits. Desenvolveram a mais apurada técnica no transporte de kits prontos. Podem entrar em depressão profunda, se da mesma forma que uma mulher descobre outra em uma festa com um vestido igual, se outro modelista aparece com um kit igual no evento. Se o outro ganhar medalha então, correm o risco de cortar os pulsos. São excelente companheiros quando vêm com o acessório "esportividade". Tendem a migrar para os Reis do Mimimi quando não conseguem sua dose mínima anual de medalhas. 

Reis do Mimimi: Os famosos espalha brasa, estraga festa, os que dão azia em caixa de bicarbonato. Reclamam de tudo. Enquanto o Radical Xiita reclama tendo como base alguma referência ou balizados em algum ponto técnico plausível. os Reis do Mimimi são motivados por suas crenças pessoais idiossincrásicas. Se sentem magoados se alguém digita em letra maiúscula, ofendidos se alguém pergunta sobre o modelo que não finalizaram, chatiadíssimos se ouvem alguma crítica. Tendem a ameaçar seguidamente fóruns e eventos regulares, se sentindo vítimas. Mas sempre voltam achando que sentiram sua falta. Eventualmente são expulsos pelos que não aguentam mais tanto choro. Tendem a usar uma carapuça, rapidamente se denunciando ao queixar após ler este post que eu estava falando especificamente dele quando escrevi algum exemplo e reage de forma agressiva se sentido perseguido. 

Aftermarketeleiros: Não importa o quão bom o kit seja. Para o Aftermaketeleiro sempre cabe um PE aqui, uma resina ali. Alias, Kit direto da caixa não tem a menor graça. Mesmo que o cockpit vá ficar fechado, não resiste a encher de resina e PEs. Inclusive, poderia até ter mais kits, mas cada Kit que monta tem aftermakets que somam 3x o valor original do kit, pelo menos. São ótimas fonte de referência para sabermos quais os after são bons e quais têm dificuldade de adaptação. Não só utilizam as helices de madeira da LF Models, como se orgulham disto. Tendem a ter Reis do Mimimi que tentam se infiltrar nesta tribo, mas que são rapidamente descobertos pelo choro. 

Alternativos Beleza: Entre os meios intelectuais são conhecidos tambem como os Scratchbuilders. Que kit injetado que nada, o negócio é papel, palito de dente, fósforo, latinha, garrafa pet. São extremamente criativos. Com uma folha de estireno montam uma Millenium Falcon, com um ferro de passar roupa um modelo Steam Punk e com garrafinha de Yakult um pod racer. Mesmo um kit injetado leva um bocado de araminhos e tubinhos extras. Alguns trabalhos sao espetaculares e tendem a ascender para os semi-deuses. Outros são ridículos e despencam para os Noobies. Tendem de uma forma geral a serem respeitados, quase oraculos visionários, que ao verem um tubo vazio de aerolin conseguem visualizar a nave espacial que está ao redor. Uma variante light, menos alternativa, são aqueles que se dedicam a kits de resina. 

Sucateiros: Salivam intensamente ao verem uma caixa de sobras. Os verdadeiros urubus do modelismo. Não jogue seu kit velho ou quebrado fora. Doe-o a um sucateiro. Se você tiver maldade suficiente em seu coração, vai inclusive conseguir vender para ele o kit que você ia jogar no lixo. Quando conseguem finalizar kits, evoluem para a tribo dos Alternativos Beleza. outros acabam virando um Narciso Perfecionistas, mas a maioria se mantém nesta variante menos nobre de uma especie de Boxmodelista. 

Especialista Superpower: Se você tem uma dúvida de como era a bequilha do Bf-109K-4 ou se o bico do F-14 da Academy está correto ou não e principalmente o que fazer, o Especialista Superpower tem a resposta exata para você. Geralmente montam bastante. Mas somente um tipo de modelo. De preferência um de cada variante, de cada esquadrão e de cada fabricante. Se bobear sabe até a cor da cueca do piloto. Conhece histórias e particularidades de todos os operadores daquele modelo. Geralmente se dedicam a um modelos de aviação específico (Bf-109, F-14, F-15, Su-27), mas também há variações genéricas como Star Trek, Star Wars e Naval WWII ou Naval 1:700. Também estão próximos a se tornar semi-deuses. 

Boxmodelista: Têm kits montados? Um ou outro, mas isto não vem ao caso. Cada uma das tribos tem um pouco de boxmodelismo, mas quando o acumular caixas se tornam o fim e não o meio, o plastimodelista migra para esta tribo. Um dos seus grandes prazeres é quando vê alguém dizer que está atrás de um determinado kit e ele diz que tem três destes, na caixa. Uma delas inclusive lacrada. O orgasmo é incontrolável quando o desfortunado interlocutor implora para comprar um dos três que ele tem e ele com um sorriso cruel nos lábios diz não. F-15? Tem uns 10. F-14 outros 10. Bf-109 então já até perdeu a conta. Se gastasse montando, o tempo que perde apreciando a arte da caixa, os sprues, os decalques, teriam uma coleção monstro de kits montados. Algumas variantes mais grave, acumulam PEs e outros Aftermarkets junto com os kits que jamais vão montar. Uma variante curiosa é a dos colecionadores de decais, que colecionam decais para versões de kits que ainda não compraram. 

Raiz: Esta tribo usa tinta hobbycores para pintar, na melhor das hipóteses acrilex. O Alquimia é uma das maravilhas do mundo moderno. Cola de transparência é Cascolar. Weathering e com grafite de lápis raspado. White Spirits é Varsol. Evolução do Alternativo Beleza e do Sucateiro, que se utilizam de forma eficaz das sobras e daquilo que a mãe natureza colocou à disposição do modelistas. Por exemplo, nada melhor que folha seca picada para fazer folha seca. Serragem com anelina e alcool batida no liquidificador e a melhor grama sintética que há. Muitas de suas montagens ficam ducaray. Mais um passo e viram semideuses. 

Eletrônicos: Para estra tribo, kit bom é kit com luzinha e barulinho. O kit mesmo acaba sendo o menos importante. Importante é ter janelinha. Ou então hélice para girar. Do espaço é o melhor, pois ainda pode ter uns barulinhos. A pintura nem precisa ser tão elaborada. O negócio é ter leds coloridos. Uma das palavras mágicas é Arduíno. Para se comunicar utilizam-se de uma escrita indecifrável para os demais. 

Semi-deuses: Ocupam o panteão lendário da honra entre os modelistas. Fácil reconhecer um. É rodeado por um séquito de seguidores e se você vê um kit montado dele, jura que nunca mais vai montar um. Se você tem um igual, chega em casa e vende ele no Mercado Livre, simplesmente pela vergonha. Se você se arriscar a colocar um kit seu, igual ao lado de um dele. O seu pega fogo na hora. Você utiliza tintas importadas caríssimas, aerografo Iwata, thinner do fabricante, pincel com pelo de marta, etc e ele utiliza tinta acrilex misturada artesanalmente com auxilio do Alquimia, dilui no vidrex e o aerógrafo é o que tiver na mão, assim como no pincel. O seu fica parecendo brinquedo. O dele... parece que o modelo real tentou copiar o modelo que o cara fez. 

Pobres Mortais: A mais volumosa das tribos e onde eu me encaixo. Já foi Newbie, escapou de ser Noobie, eventualmente é alvo de um Radical Xiita. Admira o trabalho de um Narciso Perfeccionista, mas tem pena dele, quanto kit ele deixou de montar... Se diverte ganhando medalha em cima de um Concurseiro e gosta de provocar os Mimimi. Compra aftermarket quando dá, mas monta numa boa sem eles, aprende um bocado de coisa com os Aftermarkteleiros, vende suas sobras para os sucateiros, tira suas dúvidas com os Especialistas Superpower, morre de inveja da coleção dos Boxmodelistas, quando a grana aperta vira Raiz, admira os Eletrônicos, mas nem arrisca e quando vê um trabalho pronto de um Semi-deus, se pergunta, por quê o "Semi"?

E aí, se identificaram com alguma tribo?

 

 

KKKK!!!!! Rindo muito depois de ler isso!

Acho que me encaixo na categoria pobre mortais mas reconheci muitos plastimodelistas nas definições aí em cima......

Plastiabraços

Paulo

Interessante.

Seguindo a lógica do autor, você não deveria ser considerado modelista se não faz seus próprios scratches/aftermarkets. Mas comprar o kit pronto para montar também é uma trapaça. Se você usa ferramentas prontas para fazer seus scratches você também trapaceia. Se você constrói suas próprias ferramentas com elementos prontos, está trapaceando. Se você cria seus elementos para criar suas ferramentas, você também está trapaceando, pois você mesmo já está pronto. Se o universo criou você que criou os elementos para criar as ferramentas para fazer os scratches que vão formar o kit, o universo está trapaceando. Kkkk o cara bebeu bastante Ipyoca/Ypioca prata ao invés de diluir tinta com ela. 

realmente pelo  post acho que  faltaram uns subtipos - 

-oriundo do codigo penal brasileiro  temos  o  grupo 

pseudomodelista ou  modelista umseteum -

o que compra modelo já todo montado  em geral com detalhes ou acaba-mentos  top  de  linha,  base vinheta ou diorama excelentes - lifelike , todo pronto,  em geral de um xiita ou especialista ou concurseiro ou  semideus  ou deus  absoluto  e leva para concurso exposição,  com objetivo de ganhar  medalha de no minimo primeiro lugar e/ou best of  the show   e  diz para todos que quem montou  foi exclusivamente  e  somente ele...(e  olha  não,  não  foi  daquela aula que o professor  de  modelismo montou para  ele  como aula  e  que  o  aluno sequer  pôs  o  dedo  no  modelo não.....)

o galho é  quando se pergunta  como  chegou a este ou aquele  resultado ou acabamento, se enrola  todo e/ou  dá  uma  explicação de politico (que não explica nada)...é uma grave variante dos mutley mas com esforço e  talento  alheio....e  olha  que  o  número  é maior que as estatisticas oficiais revelam,  são as  estatisticas  cinzas do modelismo... 

outro  grupo --    transtorners   (ou transtorno das múltiplas identidades) 

problema  é que por  vezes tem modelistas  que apresentam transtorno de  personalidade multipla...as  vezes xiitas,  concurseiros,  newbies, noobies  boxmodeistas,   todos se  apresentam em várias formas ou facetas em curto  tempo, varia  de reunião em reunião  ou de  concurso a  concurso,  seu tipo varia  mais  do  que  transtorno bipolar....

plastiresiabços paulo r  morgado  sp- sp 

que se dane

tem photoetche, vai
tem resina, vai
não tem nada, vai um scratch
sobrou para um cinto eduard, vai
quer usar panel accent usa, quer usar óleo gato preto usa

vai qualquer coisa que se tenha a mão

"mas não vai aparecer nada depois de fechado"
e dai? e a diversão?

tudo o que foi escrito inclusive o que eu escrevi é bobagem e se resume a uma palavra.

HOBBY

Rogerio77 posted:

Você pode ter hélice de madeira num kit e ter tido mais trabalho e uso da habilidade do que numa de plástico, é só seguir este tutorial

Mas ele está se referindo à hélice de madeira já pronta e pintada, conforme ele mostra no artigo dele. Ele condena este tipo de aftermaker, pois ele entende que o modelista tira a hélice pronta da embalagem e cola no kit...então, do ponto de vista dele, isto não é plastimodelismo...

Vamos extrapolar muito...imagine se uma empresa vendesse bases para dioramas já prontos: seções de ruas, fachadas de casas, postes de luz, árvores, etc; tudo já montado e pintado, você colocaria apenas seu tanquinho na base e pronto. Ou então se uma empresa de resina lançasse conversões de torres de tanques já prontas, montadas e pintadas tudo bonitinho, bastava tirar da caixa e colar no kit...

No meu entender o que ele condena é esse tipo de modelismo...

Na realidade eu acho que ele quer dizer o seguinte: até que ponto o que certos modelistas fazem é plastimodelismo ou não é, é uma outra coisa...sei lá...neura do cara.

Vrykolakas posted:

 

Raiz: Esta tribo usa tinta hobbycores para pintar, na melhor das hipóteses acrilex. O Alquimia é uma das maravilhas do mundo moderno. Cola de transparência é Cascolar. Weathering e com grafite de lápis raspado. White Spirits é Varsol. Evolução do Alternativo Beleza e do Sucateiro, que se utilizam de forma eficaz das sobras e daquilo que a mãe natureza colocou à disposição do modelistas. Por exemplo, nada melhor que folha seca picada para fazer folha seca. Serragem com anelina e alcool batida no liquidificador e a melhor grama sintética que há. Muitas de suas montagens ficam ducaray. Mais um passo e viram semideuses. 

E aí, se identificaram com alguma tribo?

 

 

Esse sou eu.., mas muito longe de virar um semideus...eu diria mediano...e te dou mais dicas: usar lama de verdade para fazer lama em dioramas ou sujar veículos, fazer parafusos com stretched sprue, fazer garrafas com árvore transparente, fazer lentes de faróis com plástico de comprimidos, no desespero fazer putty com cola de estireno e  talco...e por aí vai...

RodrigoBM posted:

Interessante.

Seguindo a lógica do autor, você não deveria ser considerado modelista se não faz seus próprios scratches/aftermarkets. Mas comprar o kit pronto para montar também é uma trapaça. Se você usa ferramentas prontas para fazer seus scratches você também trapaceia. Se você constrói suas próprias ferramentas com elementos prontos, está trapaceando. Se você cria seus elementos para criar suas ferramentas, você também está trapaceando, pois você mesmo já está pronto. Se o universo criou você que criou os elementos para criar as ferramentas para fazer os scratches que vão formar o kit, o universo está trapaceando. Kkkk o cara bebeu bastante Ipyoca/Ypioca prata ao invés de diluir tinta com ela. 

Não sei se é esta interpretação do camarada...eu acho que o buraco é mais embaixo, no meu entender ele quer separar o modelista "scratchista" e o modelista aftermaker normal; do modelista aftermaker/"trapaceiro"; isto é: ou você é modelista e como o nome já diz modela tudo, se necessário na unha (talvez abrindo uma excessão para resina e PE sem acabamento); ou você é modelista aftermaker/trapaceiro, e trabalha com aftermakers já prontos.

O cara deve ser meio maluco sei lá...ou deve ser um concurseiro neura que é capaz de brigar com o juiz caso ele perca uma medalha para outro modelista que usou uma destas hélices prontas, dizendo que: "Mas o cara comprou a hélice pronta eu fiz a minha na unha, isto não é modelismo...etc e tal..."

Na minha opinião, oproblema não é descobrir se o cara do restaurante fez o molho ou comprou pronto, o problema é se está gostoso ou não. Se estiver ruim e caro, tá errado, mas e se for barato e bom demais? Se o autor teve que ver a maracutaia na cozinha e não descobrir pelo paladar, acho que o errado é ele, que tinha uma expectativa que foi quebrada. Sabe como é, o confronto da fantasia humana com a realidade  do mundo é  causa de muita decepção...

Não acho que o problema seja o aftermarket, porque tem gente que vai comprar essas hélices prontas e ainda assim fazer um modelo ruim. Essa situação também existe em outros hobbies: o cara compra a lente último tipo caríssima e faz aquelas fotos absolutamente sem graça, tem guitarra feita á mão e pedais diversos,  e a música ruim, e por aí vai...

Aliás, me parece que o aftermarket é apenas reflexo da vaidade de quem o usa. Como  o modelista intuiu que não vai conseguir fazer melhor que aquele produto (por falta de talento ou dos meios necessários),
torna-se imperativo que, para que o modelo dele se iguale ao de seus pares (ou os supere), seja adquirido. Os fabricantes, que não são bobos nem nada, evidentemente se esmeram em garantir a massagem no ego, e já que não faltam vaidosos em nosso meio,  a coisa dá muito certo.

Fernando Estanislau posted:

Na minha opinião, oproblema não é descobrir se o cara do restaurante fez o molho ou comprou pronto, o problema é se está gostoso ou não. 

Na mosca. 

E na cozinha decerto quem compra o macarrão Barilla ou qualquer outro não é cozinheiro. Cozinheiro faz a própria massa. E olhe lá, se usar farinha pronta não é bem assim.

Numa boa, pra mim este caboclo poderia construir a própria enxada, plantar o próprio lote e depois carpi-lo ele próprio. Kkkk

 

Existe uma generalização à solta, já que a variedade de itens de detalhamento é imensa. O caso da hélice acima é uma coisa. Outra coisa, por exemplo, seria a catapulta ou o guindaste de um cruzador na escala 1/700.

Vc pode usar a peça que vem no kit, geralmente sólida e inteiriça. Tira da árvore e cola no lugar. Pronto. Esforço zero.

Ou vc pode usar um similar em PE, com várias peças, vazado, com todas aquelas treliças, que vai exigir dobras cuidadosas e montagem.

Quem teve menos esforço? Quem é o trapaceiro nesse caso?

E se vc troca o cano da metralhadora da torre de um panzer, em plástico, sólido, sem detalhes, por um similar em metal, vazado, com todos aqueles buraquinhos? Trapaça ou busca de uma montagem melhor?

E a perna do trem de pouso de um caça, em metal, super detalhada, no lugar daquela que vem no kit, grosseira e com aquela marca da moldagem bem no meio?

Minha sugestão - esquecer essas discussões filosóficas e montar alguma coisa.

[  ]s

Discussão engraçada, mas a preocupação do autor é irrelevante. Cada um faz seu modelo do jeito que entende e do jeito que pode.

Eu, como estou virando modelista nascido no período cretáceo, posso dizer que já usei de tudo. Quando comecei, minhas faquinhas eram navalhas usadas que peguei numa velha barbearia, uma caixa cheia. As lâminas, alemães, eram da marca Solingen, de alta qualidade. Eu mandava um amolador dar o formato que eu queria, botava um cabo novo e funcionava. Quem me ensinou o truque foi o velho Braga, da Hobbysport.

Chapa de plástico estireno vinha de caixa de manteiga CCPL. Comi tanta manteiga por causa da caixa que devo ter entupido as artérias além do normal. Como as caixas eram feitas de vacuform, e por isso de espessura irregular, para obter um tamanho razoável eu tinha que emendar pedaços selecionados de várias caixas, colados aresta com aresta uns nos noutros. Depois lixava tudo para igualar. Um troço insano.

Tinta era massa Wanda diluída e misturada no olhômetro.

 Até o carrinho de feira da minha mãe eu ia cortando aos poucos, para extrair eixos para as rodas de veículos. E um dia ela descobriu o crime, quando o carrinho se desmontou na rua durante as compras.

Depois o material ficou mais fácil de encontrar, mas mesmo assim eu fabriquei milhares de peças na mão, de lá pra cá. Muitas vezes sonhando com o dia de encontrar o que eu precisasse, já pronto para o uso. Tinha uma vida acontecendo lá fora também.

Hoje posso usar qualquer tipo de acessório, desde que bem feito, nas minhas montagens. Photo-etching, peças de resina, insumos diversos, impressão 3D. Qualquer coisa que ajude e apresse a montagem está valendo e uso na boa, sem vergonha nenhuma na cara, pois o tempo corre. O que importa é o efeito final. E viva a tecnologia.

Sou da época em que detalhar kits era usar pesadamente scratching e fazer modelos correndo o risco de serem muitas vezes confundidos com brinquedos. Precisava-se de muita criatividade e capacidade de improvisação, o que nem sempre era bem sucedido.

Hoje, chega-se facilmente a montagem de uma réplica tendo apenas dinheiro e conhecimento do que se quer acrescentar ao kit.

Mas convenhamos que é uma coisa chata passar-se meses de trabalho e paciência para fazer réplicas quase perfeitas e seus amigos e conhecidos (familiares diretos sabem da sua neurose) dizerem que gostam bastante dos seus "brinquedos".

No fundo mesmo, o que importa é você sentir-se bem com o que faz, suas habilidades crescendo e a descoberta e aplicação de novas técnicas.

O resto... é o resto.

Abs e um Feliz Natal para nós e nossas famílias.

Definindo o mi-mi-mi do cara, ele não sabe cozinhar, mas quando tem vontade de comer, procura um restaurante bom, mas ao perceber como é feita a comida ele se sente ofendido, mas não é capaz de tentar fazer melhor em casa e por isso procura outro restaurante e chama de trapaceiro o cara que trabalha para fazer o melhor é servir uma comida gostosa, só que ele não sabe que o resultado do trabalho vai muito além do que usar alguns materiais, pois tenho certeza de que ele tentar usar o mesmo material, o resultado será bem diferente.

 

 

Quando traduzi o texto, vi que tem certos aspectos os quais me dizem respeito.  A saber:

1) uso os aftermarket sim e sem medo de ser feliz.  Recentemente fiz um M-26 cujo photo-etched da Lion Roar ajudou e muito.  Tudo bem, o set de photo-etched quase custou o preço do kit.  Mas deu um realismo que o próprio kit não poderia acompanhar conforme as fotos abaixo (não reparem mas sou um péssimo fotógrafo );

20171221_215439

20171221_215258

20171221_215333

2) os photo-etched realmente dão trabalho.  O dobrar, ajustar ao tamanho, fazer a circunferência correta... tudo isso requer habilidade a qual é ajudada pelas ferramentas próprias.  Mas não deixa de ter que exercitar uma habilidade;

3) quando vi o primeiro painel de instrumentos na escala 1/48 já pintado (e isso já faz algum tempo) me perguntei exatamente o seguinte: isso é modelismo ou será apenas um colar de peças já prontas?  Mas aí entra na equação o fato de vc perceber que o modelo fica muuuuuito melhor com isso do que fazer a partir de scratchbuild.  É a diferença entre o possível e o provável: é possível fazer em scratchbuild algo que fique tão bom quanto o aftermarket?  Sim.  É provável? Não (exceção para aqueles modelistas que conseguem e que são poucos);

4) por outro lado, concordo com o ponto com relação à hélice no texto original.  Realmente, a meu ver, não seria modelismo.  Pelo menos modelismo ao qual eu sou acostumado.  Tudo bem se a hélice viesse sem pintura e o modelista tivesse o trabalho de pintar, tudo bem.  Mas nem isso...  Repare que eu mencionei acima o painel já pintado o que eu aceito.  Mas aí é uma peça que compõe um detalhe.  A hélice pronta é o caso de uma peça bem maior.  Viesse para montar e pintar, tudo bem.  É o caso dos canos de canhão que comprei para o Spitfire IX que estou fazendo.  São da Master Miniatures.  Olhando a foto abaixo se pergunta: é possível fazer por si só? Sim, mas aí é preciso um torno etc e tal.  Pelo menos vou ter o trabalho de pintar;

20171221_214137

5) diferentemente de alguns modelistas daqui (e reconheço que meu histórico em modelos montados não é tão vasto assim) prefiro trabalhar mais em um modelo a montar 2 ou 3 OOTB;

Acredito que o mais importante é vc se sentir bem com o que faz.  Por isso defendo a bandeira de concursos de modelismo são dispensáveis.  Isso porque a meu ver (e posso estar errado) em um concurso vc julga o trabalho final, e não todo o processo.  Daí vc pode ter um modelo em que o modelista fez tudo scratchbuild, pariu uma bigorna para fazer as peças. O outro comprou tudo aftermarket e teve 10 vezes menos trabalho.  E qual kit seria o melhor?  O que está mais agradável ao olho?  Ou aquele que teve mais trabalho?  Ou os dois?  Sei que em concursos se tenta saber do processo, mas mesmo assim é difícil mensurar.  E para piorar os padrões de julgamento vão mudando com o tempo.

Acho que a beleza do kit montado está no olho de cada um.  Se vc se sentir bem em comprar um acessório já pronto, tudo bem.  Respeito.  Mas para mim já sai um pouco do que é plastimodelismo.

Abrsssss,
A Raguenet

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Vrykolakas posted:

Este tipo de discussão faz pessoas se afastarem do Hobby e estragam a diversão de outros.

Existem diferentes tipo de plastimodelistas, com diferentes tipos de resultados. O que permite a harmonia, a diversão e a interação entre as diferentes tribos é o respeito

No Globo Repórter desta semana, As Tribos do Plastimodelismo, como vivem, o que pensam, o que comem, como se reproduzem...

Newbies: São compostos pela nova geração do modelismo. Não necessariamente de pessoas jovens, mas que são novos no hobby. Se caracterizam pelo interesse de aprendizado, geralmente começando com kits mais simples. Tendem a migrar para outras tribos com o passar do tempo. Tendem a ter grande medo dos míticos aftermarkets. Palavras como washes, weathering e streaking habita apenas em seus imaginários. Kit de resina é tabu mortal. Uma tribo que apesar de tudo é bastante heterogênea. Alguns de seus kits apresentam um resultado final pavoroso. Outros são surpreendentes. Tendem a se deparar com armadilhas e conselheiros do mal. Alguns estragam flyhawks, fujimis ao serem aconselhado a já começarem com o melhor. Outro se desanimam e caem na grande depressão ao iniciar com os modelos mais baratos e descobrirem que a Airfix e Alan, por exemplo, têm uma forma diferente de ver a realidade.

Noobies: Costumam levar as tribos mais radicais ao desespero. São formados por Newbies degenerados. Não são necessariamente pessoas novas no hobbie, mas permanecem no comportamento "vamos estragar o kit, não importa qual seja". Seus kits podem ser facilmente identificados pelas marcas de cola, encaixes visíveis, detalhes lixados, canopies foscos, pintura casca de laranja, escorrida ou com marcas grosseiras de pincel. No dialeto Noobie, wash=sujeira. Já têm ciência que um navio da Airfix é ruim, que modelo de resina é osso e que kit da Alan é pavoroso. Então se dedicam a depredar kits melhores, tais como Tamiyas e Hasegawas. Alguns são muito possessivos com seus kits, tanto que no modelo podemos encontrar várias marcas de suas digitais. São adeptos do molambomodelismo ou sua variante o modelismo lambancento. Tendem a se achar geniais e ignorar as opiniões dos demais. Seus membros vão involuindo até desaparecer. Mas as suas fileiras é constantemente alimentada por novas involuções Newbies, Alternativos Belezas e Sucateiros. 

Radicais Xiitas: Não são necessariamente os que apresentam os melhores kits. Inclusive muitos destes nem chegam a finalizar seus kits, devido a alguma desculpa, que invariavelmente envolve falta de tempo. Mas sempre têm tempo para criticar os kits dos outros. Sua principal presa são os Noobies, que são violentamente caçados pelos Radicais Xiitas. Porém os Radicais Xiitas caçam e perseguem qualquer membro de outra tribo. O maior troféu para um Radical Xiita é conseguir derrubar um Semi-deus. Criticam tudo, o kit escolhido, as cores, as tintas, o resultado. Tendem a ser derivações mais agressivas e predatórias dos Especialistas Superpower, dos Narcisos Perfecionistas e dos Concurseiros. Qualquer um que discorde deles ou apresente em um kit algo que não concordem tendem a ter um comportamento agressivo e depreciador. Tendem a criticar a cor de um modelo, mesmo se utilizada a tinta usada no modelo original real. 

Narciso Perfecionistas: Montam um, talvez dois kits na sua vida. Estão eternamente trabalhando em um único kit que demora anos para ficar pronto. Se aprofundam em uma pesquisa sobre aquele kit, sabendo sobre coisas do modelo que nem os projetistas originais são capazes de saber. Gastam fortunas e horas intermináveis acertando uma hélice, um pedal (que inclusive nunca mais verá a luz do sol), ou uma vigia. Não usa régua, usa paquímetro. Desenvolveu técnicas no modelismo que só ele sabe. Tribo, pequena e seleta. Quando conseguem montar um kit, é uma figura digna de museu, mas aí já se passou a vida toda. Gastam mais em aftermarket daquele kit do que na troca do carro. Têm sérios problemas de espaço. Têm pesadelos horríveis com a poeira. Demoram tanto em finalizar o kit que geralmente descobrem que a pintura de uma seção acabou ficando diferente da outra e começam tudo de novo. Sua maior fonte de prazer é mostrar aquele detalhamento que nunca ninguém vai conseguir ver com o kit pronto, mas ele sabe que estará lá. Tendem a ser evoluções obsessivas compulsivas dos Newbies, Alternativos Beleza e Especialista Superpower. Quando o nivel de agressividade se torna muito elevado, migram para os Radicais Xiitas. 

Concurseiros: Também conhecidos como Mutlerinos... medalha... medalha... medalha... Esta tribo se alimenta de medalhas. Montam seus kits focados em eventos e concursos. Isto define não apenas o que vão montar, mas na velocidade em que vão montar. Tribo muito desunidade, tende a brigar entre si. Veneram os semideuses e desprezam os Newbies. Tendem a caçar os Noobies por esporte. Quando muito agressivos, migram para uma variante dos Radicais Xiitas que finalizam kits. Desenvolveram a mais apurada técnica no transporte de kits prontos. Podem entrar em depressão profunda, se da mesma forma que uma mulher descobre outra em uma festa com um vestido igual, se outro modelista aparece com um kit igual no evento. Se o outro ganhar medalha então, correm o risco de cortar os pulsos. São excelente companheiros quando vêm com o acessório "esportividade". Tendem a migrar para os Reis do Mimimi quando não conseguem sua dose mínima anual de medalhas. 

Reis do Mimimi: Os famosos espalha brasa, estraga festa, os que dão azia em caixa de bicarbonato. Reclamam de tudo. Enquanto o Radical Xiita reclama tendo como base alguma referência ou balizados em algum ponto técnico plausível. os Reis do Mimimi são motivados por suas crenças pessoais idiossincrásicas. Se sentem magoados se alguém digita em letra maiúscula, ofendidos se alguém pergunta sobre o modelo que não finalizaram, chatiadíssimos se ouvem alguma crítica. Tendem a ameaçar seguidamente fóruns e eventos regulares, se sentindo vítimas. Mas sempre voltam achando que sentiram sua falta. Eventualmente são expulsos pelos que não aguentam mais tanto choro. Tendem a usar uma carapuça, rapidamente se denunciando ao queixar após ler este post que eu estava falando especificamente dele quando escrevi algum exemplo e reage de forma agressiva se sentido perseguido. 

Aftermarketeleiros: Não importa o quão bom o kit seja. Para o Aftermaketeleiro sempre cabe um PE aqui, uma resina ali. Alias, Kit direto da caixa não tem a menor graça. Mesmo que o cockpit vá ficar fechado, não resiste a encher de resina e PEs. Inclusive, poderia até ter mais kits, mas cada Kit que monta tem aftermakets que somam 3x o valor original do kit, pelo menos. São ótimas fonte de referência para sabermos quais os after são bons e quais têm dificuldade de adaptação. Não só utilizam as helices de madeira da LF Models, como se orgulham disto. Tendem a ter Reis do Mimimi que tentam se infiltrar nesta tribo, mas que são rapidamente descobertos pelo choro. 

Alternativos Beleza: Entre os meios intelectuais são conhecidos tambem como os Scratchbuilders. Que kit injetado que nada, o negócio é papel, palito de dente, fósforo, latinha, garrafa pet. São extremamente criativos. Com uma folha de estireno montam uma Millenium Falcon, com um ferro de passar roupa um modelo Steam Punk e com garrafinha de Yakult um pod racer. Mesmo um kit injetado leva um bocado de araminhos e tubinhos extras. Alguns trabalhos sao espetaculares e tendem a ascender para os semi-deuses. Outros são ridículos e despencam para os Noobies. Tendem de uma forma geral a serem respeitados, quase oraculos visionários, que ao verem um tubo vazio de aerolin conseguem visualizar a nave espacial que está ao redor. Uma variante light, menos alternativa, são aqueles que se dedicam a kits de resina. 

Sucateiros: Salivam intensamente ao verem uma caixa de sobras. Os verdadeiros urubus do modelismo. Não jogue seu kit velho ou quebrado fora. Doe-o a um sucateiro. Se você tiver maldade suficiente em seu coração, vai inclusive conseguir vender para ele o kit que você ia jogar no lixo. Quando conseguem finalizar kits, evoluem para a tribo dos Alternativos Beleza. outros acabam virando um Narciso Perfecionistas, mas a maioria se mantém nesta variante menos nobre de uma especie de Boxmodelista. 

Especialista Superpower: Se você tem uma dúvida de como era a bequilha do Bf-109K-4 ou se o bico do F-14 da Academy está correto ou não e principalmente o que fazer, o Especialista Superpower tem a resposta exata para você. Geralmente montam bastante. Mas somente um tipo de modelo. De preferência um de cada variante, de cada esquadrão e de cada fabricante. Se bobear sabe até a cor da cueca do piloto. Conhece histórias e particularidades de todos os operadores daquele modelo. Geralmente se dedicam a um modelos de aviação específico (Bf-109, F-14, F-15, Su-27), mas também há variações genéricas como Star Trek, Star Wars e Naval WWII ou Naval 1:700. Também estão próximos a se tornar semi-deuses. 

Boxmodelista: Têm kits montados? Um ou outro, mas isto não vem ao caso. Cada uma das tribos tem um pouco de boxmodelismo, mas quando o acumular caixas se tornam o fim e não o meio, o plastimodelista migra para esta tribo. Um dos seus grandes prazeres é quando vê alguém dizer que está atrás de um determinado kit e ele diz que tem três destes, na caixa. Uma delas inclusive lacrada. O orgasmo é incontrolável quando o desfortunado interlocutor implora para comprar um dos três que ele tem e ele com um sorriso cruel nos lábios diz não. F-15? Tem uns 10. F-14 outros 10. Bf-109 então já até perdeu a conta. Se gastasse montando, o tempo que perde apreciando a arte da caixa, os sprues, os decalques, teriam uma coleção monstro de kits montados. Algumas variantes mais grave, acumulam PEs e outros Aftermarkets junto com os kits que jamais vão montar. Uma variante curiosa é a dos colecionadores de decais, que colecionam decais para versões de kits que ainda não compraram. 

Raiz: Esta tribo usa tinta hobbycores para pintar, na melhor das hipóteses acrilex. O Alquimia é uma das maravilhas do mundo moderno. Cola de transparência é Cascolar. Weathering e com grafite de lápis raspado. White Spirits é Varsol. Evolução do Alternativo Beleza e do Sucateiro, que se utilizam de forma eficaz das sobras e daquilo que a mãe natureza colocou à disposição do modelistas. Por exemplo, nada melhor que folha seca picada para fazer folha seca. Serragem com anelina e alcool batida no liquidificador e a melhor grama sintética que há. Muitas de suas montagens ficam ducaray. Mais um passo e viram semideuses. 

Eletrônicos: Para estra tribo, kit bom é kit com luzinha e barulinho. O kit mesmo acaba sendo o menos importante. Importante é ter janelinha. Ou então hélice para girar. Do espaço é o melhor, pois ainda pode ter uns barulinhos. A pintura nem precisa ser tão elaborada. O negócio é ter leds coloridos. Uma das palavras mágicas é Arduíno. Para se comunicar utilizam-se de uma escrita indecifrável para os demais. 

Semi-deuses: Ocupam o panteão lendário da honra entre os modelistas. Fácil reconhecer um. É rodeado por um séquito de seguidores e se você vê um kit montado dele, jura que nunca mais vai montar um. Se você tem um igual, chega em casa e vende ele no Mercado Livre, simplesmente pela vergonha. Se você se arriscar a colocar um kit seu, igual ao lado de um dele. O seu pega fogo na hora. Você utiliza tintas importadas caríssimas, aerografo Iwata, thinner do fabricante, pincel com pelo de marta, etc e ele utiliza tinta acrilex misturada artesanalmente com auxilio do Alquimia, dilui no vidrex e o aerógrafo é o que tiver na mão, assim como no pincel. O seu fica parecendo brinquedo. O dele... parece que o modelo real tentou copiar o modelo que o cara fez. 

Pobres Mortais: A mais volumosa das tribos e onde eu me encaixo. Já foi Newbie, escapou de ser Noobie, eventualmente é alvo de um Radical Xiita. Admira o trabalho de um Narciso Perfeccionista, mas tem pena dele, quanto kit ele deixou de montar... Se diverte ganhando medalha em cima de um Concurseiro e gosta de provocar os Mimimi. Compra aftermarket quando dá, mas monta numa boa sem eles, aprende um bocado de coisa com os Aftermarkteleiros, vende suas sobras para os sucateiros, tira suas dúvidas com os Especialistas Superpower, morre de inveja da coleção dos Boxmodelistas, quando a grana aperta vira Raiz, admira os Eletrônicos, mas nem arrisca e quando vê um trabalho pronto de um Semi-deus, se pergunta, por quê o "Semi"?

E aí, se identificaram com alguma tribo?

 

 

Certamente sou parte dos "Pobres Mortais", mas nunca fui "Newbie"e  tenho muita coisa de "Noobie".

Rubens posted:
Pessoal,
 
Isto é um Hobby que deve nos agradar, montar usando seja lá o que for para tornar o kit mais interessante e prazeroso, vai do gosto e da habilidade de cada um.
 
Alguns PEs são fantásticos, mas quase impossíveis de dobrar, admiro quem consegue trabalhar bem com eles!
 
E talvez aquele PE caríssimo, possa ser substituído por uma tira de plástico ou até papel (só não conte para ninguém) obtendo quase o mesmo efeito...
Algumas peças em resina (também caras) podem ser torneadas num sprue... Sendo extremista, lamino tipos diferentes de madeira, colo numa mini prensa e lamino uma hélice fabulosa... Dá trabalho, mas tem gente que curte! Outros montam direto da caixa e não se importam com nada disso!
 
Ou até compra tudo pronto e incrementa o kit, mas nem sempre é tão fácil quanto parece, assim como PE, certos conjuntos em resina podem ser muito trabalhosos, peças de metal não encaixam bem e por aí vai.
 
Por exemplo, aquelas lagartas Friulmodel são fantásticas, mas dão um trabalho danado. Além disso não cabem no bolso de qualquer um, geralmente são mais caras que o kit onde serão usadas.
 
Eu prefiro ter uma dúzia de tanques com lagartas de vinil do que um par com lagartas de metal, mas alguns pensam o oposto, novamente é questão de gosto (e talvez de bolso).
 
Se eu comprar um bom molho de salsicha em lata e der uma temperada, é capaz dele passar como sendo caseiro... Caso eu faça um péssimo molho de salsicha em casa, quem provar pode pensar que eu tirei de uma lata...
 
Sinceramente, desde que o molho ou kit seja agradável ao meu gosto, tanto faz.

PlastiAbraços

voto com relator

Carlos Chagas posted:

Discussão engraçada, mas a preocupação do autor é irrelevante. Cada um faz seu modelo do jeito que entende e do jeito que pode.

Eu, como estou virando modelista nascido no período cretáceo, posso dizer que já usei de tudo. Quando comecei, minhas faquinhas eram navalhas usadas que peguei numa velha barbearia, uma caixa cheia. As lâminas, alemães, eram da marca Solingen, de alta qualidade. Eu mandava um amolador dar o formato que eu queria, botava um cabo novo e funcionava. Quem me ensinou o truque foi o velho Braga, da Hobbysport.

Chapa de plástico estireno vinha de caixa de manteiga CCPL. Comi tanta manteiga por causa da caixa que devo ter entupido as artérias além do normal. Como as caixas eram feitas de vacuform, e por isso de espessura irregular, para obter um tamanho razoável eu tinha que emendar pedaços selecionados de várias caixas, colados aresta com aresta uns nos noutros. Depois lixava tudo para igualar. Um troço insano.

Tinta era massa Wanda diluída e misturada no olhômetro.

 Até o carrinho de feira da minha mãe eu ia cortando aos poucos, para extrair eixos para as rodas de veículos. E um dia ela descobriu o crime, quando o carrinho se desmontou na rua durante as compras.

Depois o material ficou mais fácil de encontrar, mas mesmo assim eu fabriquei milhares de peças na mão, de lá pra cá. Muitas vezes sonhando com o dia de encontrar o que eu precisasse, já pronto para o uso. Tinha uma vida acontecendo lá fora também.

Hoje posso usar qualquer tipo de acessório, desde que bem feito, nas minhas montagens. Photo-etching, peças de resina, insumos diversos, impressão 3D. Qualquer coisa que ajude e apresse a montagem está valendo e uso na boa, sem vergonha nenhuma na cara, pois o tempo corre. O que importa é o efeito final. E viva a tecnologia.

voto com relator

Sabe eu entendi bem  o que ele disse... O que pode fazer a diferença mesmo  em todo este emaranhado do assunto e quanto  o modelo chega ate um concurso  e la  ele bate de frente  com o mesmo modelo em sua categoria porem o modelista gastou  tudo o que pode para colocar o máximo de acessórios  que o modelo suportaria este  ao meu ver é a dificuldade em se avaliar  o modelos  , problema ,que em Portugal os modelistas discutiram muito e  foi uma polemica  bem grande envolvendo parte de figuras pinturas  e veículos tudo a parafernália de acessórios  sofisticados.  modelos  com acessórios x modelos sem acessórios . Isto lembra  muito quando  modelistas começaram a usar o aerógrafo pela primeira vez  no plastimodelismo  onde não era aceito em exposições modelos  que não fossem pintados a mão  houve uma caça as bruxas  nos kits pintados com aerógrafos  hoje instrumentos vital para 95% dos modelistas mundo a fora. Hoje travesamos uma fase muito parecida  vamos  em exposições e observamos  um numero enorme de modelos parecidos mesma sombra, mesmo desgastes as mesmas técnicas  os mesmos produtos  tudo ali dispostos feitos como uma receita de bolo. E no meio dos diálogos muito pouco a se descobrir qual a manha como fez tal cor (habilidades) perde um pouco  talvez do toque magico  da identidade própria que o modelista empoe em seus modelos. E não se preocupem  existe  ainda  o mercado da internet  onde facilmente  vc já pode comprar seus modelos e dioramas prontos e pintados e ainda sai faceiro expor   as receitas de bolos vieram para  ficar isto é um fato.   Eu pessoalmente  estou adorando esta fase quanto tudo vai em uma unica direção , surpreenda.

 

Carlos Chagas posted:

 

Hoje posso usar qualquer tipo de acessório, desde que bem feito, nas minhas montagens. Photo-etching, peças de resina, insumos diversos, impressão 3D. Qualquer coisa que ajude e apresse a montagem está valendo e uso na boa, sem vergonha nenhuma na cara, pois o tempo corre. O que importa é o efeito final. E viva a tecnologia.

Basicamente é isso, ou a resposta do molho do Rubão, que vai na mesma direção.

O autor do texto me parece que gosta é de uma boa polêmica. Pega-se um assunto, carrega-se nas tintas e tá feita a confusão.

Isto, como já dito, é um hobby, e cada um faz como melhor lhe aprouver. Quem concorda amém, quem não concorda que vá procurar sua turma. O que não dá é ter que aguentar neguinho dizer o que você pode ou não fazer do seu hobby.

No caso de quem participa de concursos, seja de plastimodelismo, de miss mundo ou qualquer outra coisa, aí tem regras e você aceitou elas ao se inscrever.

Como diz o véio deitado, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

[   ]s

Sidney

Possuímos habilidades diversas  neste hobby esta é a verdade, como alguém disse no tópico não é fácil dobrar um photo-etched e as vezes é ate mais difícil do que a peça vinda no modelo.  Para  mim, com ou sem acessórios minha meta será sempre  aprimorar meu modelo. Vou de uma sucata ao ultimo lançamento sem medo algum. tinta  vou da tempera as importadas meu objetivo ao montar um modelo é dar uma identidade unica nele  gosto de desafios. olhando ao todo nosso hobby ele tem a característica muito  amplas e de livre escolha  cada um vai  fazer do jeito melhor o seu modelo acessórios são bem vindos. Eu prefiro fazer as peças , mas não me importo nem um pouco se tiver que usar um photo-etched  etc. Meu gosto é por fazer dioramas a unica coisa  que não abro mão é que não uso nem uma ruína , casa ou edificação fabricada ,neste caso irei sempre eu mesmo projetar na escala e confeccionar peça por peça.  Participo de exposições sempre me dei muito bem  e os  acessórios e a modernidade nunca me a sustaram ao contrario gosto de colocar uma sucata com tanta modificação feito a unha   ao lado de modelos customizados (aftermarket )que ela (sucata),não perde em nada para eles.  Um acessório industrializado, um dia um modelista em algum canto do mundo o fez na unha. Uma coisa é certa em nosso hobby nunca faltara alguém a discutir qualquer coisa relacionada a um modelo exposto, não creio  que exista modelista ermitão , em algum momento ele ira mostrar para alguém seu modelo e explicar todo processo de seu molho   é a satisfação dele. Penso  que cada  um faz seu molho  de salsicha e da maneira  que lhe convier.  

   Não li todos os comentários, então me desculpem se for repetitivo. Me chamou atenção um ponto, se eu monto um kit da matchbox, ele não vai ter nada de cockpit, mas kits mais modernos terão todos os detalhes esculpidos no plastico.  Isto é atalho? comprar um kit mais moderno.

   E um kit que vem com melhoramentos na caixa, não seria uma coisa diferente do que comprar os aftermakes avulsos? Ou seria atalho da mesma forma.

   Tenho varios aviões da De Agostini, acho que vou me denunciar para a lava jato.

jean paes posted:

   Não li todos os comentários, então me desculpem se for repetitivo. Me chamou atenção um ponto, se eu monto um kit da matchbox, ele não vai ter nada de cockpit, mas kits mais modernos terão todos os detalhes esculpidos no plastico.  Isto é atalho? comprar um kit mais moderno.

   E um kit que vem com melhoramentos na caixa, não seria uma coisa diferente do que comprar os aftermakes avulsos? Ou seria atalho da mesma forma.

   Tenho varios aviões da De Agostini, acho que vou me denunciar para a lava jato.

semana passada montei um F-15 revell que na verdade é matchbox nao é so a falta de detalhes.... tem que ser MUITO bom para conseguir montar aquilo  

 

anghinoni posted:
jean paes posted:

   Não li todos os comentários, então me desculpem se for repetitivo. Me chamou atenção um ponto, se eu monto um kit da matchbox, ele não vai ter nada de cockpit, mas kits mais modernos terão todos os detalhes esculpidos no plastico.  Isto é atalho? comprar um kit mais moderno.

   E um kit que vem com melhoramentos na caixa, não seria uma coisa diferente do que comprar os aftermakes avulsos? Ou seria atalho da mesma forma.

   Tenho varios aviões da De Agostini, acho que vou me denunciar para a lava jato.

semana passada montei um F-15 revell que na verdade é matchbox nao é so a falta de detalhes.... tem que ser MUITO bom para conseguir montar aquilo  

 

Aí é desafio.

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