Quando o mais é demais... E menos peças não significa menos detalhes.

Artigo interessante do Spencer Pollard sobre a complexificação dos kits.  Alguns pontos eu concordo, outros nem tanto.

Fiz uma tradução meio tosca, mas acho que principal está mantido.  Se quiserem ler no original, be my guest! (https://thekitbox.wordpress.co...ow-much-is-too-much/)

Abrsssss,

A Raguenet

 

Olha, os kits estão se tornando mais complexos, não estão? Isso é fato, certo? A gente já não espera mais comprar uma pequena caixa com peças de plástico que possamos montar na mesa da cozinha em uma tarde de sábado chuvosa, enquanto escutamos o jogo de futebol. Agora esperamos que cada porca, parafuso e rebite esteja presente no formato correto e que todas elas venham em partes separadas. É tudo uma questão de detalhe!

Quando criança lembro-me de folhear os catálogos da Airfix e ser atraído pelos kits que continham mais de 100 peças. Estando acostumado a kits que continham 25, adorava a ideia de que alguns realmente valiam o que eu pagava ao oferecerem um maior número de peças para colar. O fato de que o modelo resultante não ser maior, não mais detalhado e, muitas vezes, sobre um assunto ao qual eu não dava muita bola, era irrelevante: queria esses kits e eu – quase – não me importava com o que fazer para tê-los.

Com o passar dos anos, os kits que incluíam 100 partes tornaram-se regra, os detalhes aumentaram e, como resultado disso, o número de peças também foi aumentado. As restrições de moldagem e fabricação foram sendo removidas pouco a pouco e com a introdução do CAD e a facilidade de não produzir moldes para peças que estão sendo incorporadas nas versões mais recentes, os projetistas puderam oferecer níveis de detalhe e finesse até então inimagináveis. Com detalhes vieram peças; com a finesse veio complexidade; com a complexidade, houve uma mudança de kits simples, de construção rápida, para os kits ultra complexos que vemos hoje.

Embora ainda sejam oferecidos pelos fabricantes de kits por todo o mundo, os kits mais simples são menos prevalentes do que antes e a ideia de que era legal oferecer peças maiores e detalhadas, agora, as seções sub-divididas são a norma. Tudo bem que nós temos mais detalhes para apreciar, mas o que me irrita é que detalhes desnecessários são oferecidos, não pensando no modelo ou no modelista, mas mais como algum tipo de justificativa por parte dos projetistas como “viu como somos inteligentes?”. Kits, em muitos casos, significam hoje menos um passatempo relaxante e mais uma guerra de resistência do tipo Iron Man Challenge.

Os kits de blindados são, muitas vezes, os mais afetados. Hoje em dia é comum ver kits com mais de 1000 peças. Os interiores completos são a norma, pequenas seções de detalhes invisíveis divididas em subconjuntos que levam uma noite para montar. Algumas horas de montagem resultam em pouco mais do que uma pilha de peças irreconhecíveis, parte de um modelo que mal chegou na metade da montagem. Kits que costumavam levar semanas para finalizar, agora levam meses para montar. Os modelistas agora estão construindo dois modelos por ano, quando no passado eles podem ter construído dez.

 Olhando esses kits incrivelmente complexos, não posso deixar de me perguntar como Shep Paine e Francois Verlinden se sairiam hoje. Durante a década de 1970, parte do fascínio era que eles estavam construindo dioramas na base de um por semana, novos lançamentos sendo sugados assim que chegavam nas prateleiras das lojas. Muitos dos kits que eles apresentaram eram simples e que poderiam ser construídos em alguns dias e cuja a pintura durava apenas algumas horas. Como eles fariam hoje quando confrontados com os últimos kits de alguns dos fabricantes mundiais? Claro que na época eles também tinham menos opções, algo que pode relativizar o problema, mas quantos Smerch da Trumpeter você acha que eles poderiam ter construído em um ano – um? dois? três? E não, não estou criticando a Trumpeter!!!

Talvez eu esteja sozinho nisso, mas nos dias atuais, com menos tempo para construir, com a visão falhando e com baixos níveis de energia, a aparição de um novo kit com centenas de peças me enche, se não de horror, certamente de apreensão. Eu trato de avaliar um kit levando em consideração em quanto tempo eu acho que vai demorar para construir para, em seguida, mapear isso até data final. No ano passado, por exemplo, tive em mãos um T-80 que continha a quantidade absurda de 1000 peças. Levei uma semana inteira de trabalho para montar - isso significa mais de 50 horas; e durante esse período, não apliquei uma única gota de tinta. Agora, pense sobre isso e de que maneira um modelista lidaria com um projeto como esse. Conheço alguns caras que têm cerca de 5 horas por semana para construir modelos - isso seria dez semanas para construí-lo e talvez o mesmo período de tempo para pintar. Me desculpe, mas eu teria que gostar muito um assunto para passar 20 semanas em uma construção comum, direto da caixa! Na real, eu simplesmente nem mesmo iria considerar esta opção!

Olha, eu entendo, eu realmente entendo – os modelistas adoram os detalhes e eles adoram a complexidade dos modelos prontos. Mas o negocio é que, em geral, eles não adoram a montagem. Passei inúmeras horas falando com modelistas que me dizem que a montagem é apenas uma distração até o bem maior: a pintura. Sites inteiros, revistas, blogs e grupos de discussão surgiram sobre a arte da pintura, envelhecimento e apresentação dos resultados. Me mostre apenas um que lida com o prazer de colar 1000 pequenas peças plásticas, 750 das quais nunca mais serão vistas! Não existem muitos, existem?

Atualmente e na era do CAD, com hiper kits cujas peças podem ser moldadas em uma espessura proporcional à escala, não vejo nenhuma razão para que os kits não possam ser simplificados. Eu vejo uma grande quantidade de diferentes kits cobrindo todos os gêneros e por várias vezes, quando olho para um subconjunto, eu penso "por que essas cinco peças, quando uma teria bastado?". Kits de tanques com rodas, pneus e núcleos separados: por quê? Sprockets com parafusos individuais: por quê? Kits de aeronaves com motores e sem maneira de mostrá-los: por quê? Diminuam. Se um kit é planejado para ter 1000 peças, mas pode ter 500, que se faça 500 - afinal, isso é o que Tamiya tem feito há décadas! Melhor ainda: faça 300!

 Às 8 da manhã de uma quinta-feira, enquanto escrevo isso, eu já posso sentir a resposta aos meus pensamentos. “Sim, mas você simplesmente não entende que precisamos dos detalhes, queremos construir os modelos mais detalhados que pudermos e nós adoramos esses kits que nos permitem fazer isso!” Sim ... Mas a que custo? Com cada dia que passa, os kits oferecidos são mais complexos, mais difíceis de construir e mais caros. Essas caixas impressionantes que você vê nas prateleiras, elas precisam ser pagas e, como resultado, quanto mais caro for um kit, menos modelistas poderão comprar e o mercado que existe para sustentar essas vendas, encolhe. Pense sobre isso: você tem £150 para gastar em kits: o que ajudará a sustentar melhor o mercado? Comprar um kit de um fabricante, ou três de três diferentes fabricantes, três kits mais simples e mais baratos como resultado? Sim, mas não se trata de uma economia básica! Venda a eles pelo máximo que você pode. É tudo uma questão de resultados! Sim, claro que é, mas com os preços médios dos produtos de alta qualidade chegando perto das £100, quão sustentável é esse modelo de negócio?

Ao final de tudo, realmente não importa o que eu acho: os modelistas sempre escolherão o que eles querem construir. Também não é como se não houvesse opções também; Tamiya, por exemplo, ainda adere religiosamente à sua premissa fundadora de oferecer kits de alta qualidade que são simples de construir e com baixo número de peças. Eu só me pergunto (e, honestamente, me preocupo) se muitos desses itens novos e mais complexos são um passo largo demais e que os modelistas são mais propensos a serem derrotados pela complexidade que eles vêem em cada um dos kits ao invés de se entusiasmar com a perspectiva de montar e exibir os resultados. E me pergunto se, a longo prazo, a natureza cada vez mais complexa e demorada desses novos modelos de plástico será de interesse para os modelistas com menos tempo, menos dinheiro e menos determinação para completá-los.

Original Post

Tô com o Luis, gosto mesmo da pintura, desgastes, envelhecimentos.

Como monto militaria, o máximo pra mim são lagartas link-by-link, de preferência as Magic track da Dragon, as melhores e mais fáceis de montar, porque essas sim colaboram com o resultado final. Mas abomino kits)com um porrilhão de peças microscópicas que nunca serão vistas. 

Já deixei de comprar um Mark IV da Takom depois que vi que cada link da lagarta é composto por 5 peças. São 200 links, 1000 peças no total, algo estupidamente repetitivo, entediante e demorado, e pra mim, uma demonstração de força inútil (olha, nós podemos chegar a esse nível! Uau!), mas não pensam nos modelistas.

Tá, tem quem goste, mas não acho que sejam tantos assim.

 Passar minha ultima experiencia. Comprei no MP um combo, queria o Mig-21 Fujimi e veio junto a super goiaba A-7A de Hasegawa. Comecei a montar a goiaba e me diverti construindo o cockpit, fabricando os decais, fabricando as tonalidades das tintas. Acho que usarmos nossa criatividade é melhor que comprar um bichinho todo detalhado e só pintarmos

"Sites inteiros, revistas, blogs e grupos de discussão surgiram sobre a arte da pintura, envelhecimento e apresentação dos resultados. Me mostre apenas um que lida com o prazer de colar 1000 pequenas peças plásticas, 750 das quais nunca mais serão vistas! Não existem muitos, existem?"

Raguenet, mandou bem. Mas eu marquei a palavra acima em vermelho, porque este equívoco de tradução, tão comum, sinaliza a origem de outro equívoco no acabamento dos modelos.

Por coincidência, eu estava pensando em escrever um tópico exatamente sobre isso, e cheguei a mencionar a intenção em outro, tópico "Desgaste desse Tigre", postado pelo Oswaldo.

No texto original, (link que você forneceu) está escrito "wheathering". A tradução correta disso significa "estar exposto, ou sujeito ao desgaste pelo tempo".

Mas atenção, não é tempo cronológico. É tempo climatológico ou meteorológico. Não temos uma palavra específica em Português para diferenciar esses dois "tempos" aí. Quando alguém diz "Meu carro dorme ao tempo, na rua". está dizendo que o veículo pega sol, toma chuva, vento, poeira, neve, granizo, cocô de pombo, cinza vulcânica, ou o diabo que for. Não quer dizer que o carro está estacionado lá fora há dez anos, pois pode ter sido comprado, zerinho, no mês passado. Só está sujo. Novo e sujo.

Quando traduzimos a palavra "wheathering" para "envelhecimento", vemos aberrações como um King Tiger em combate, fabricado há semanas, todo cheio de ferrugem e descascado, com peças de cores diferentes, etc. Chama a atenção, mas é falso feito pirita. Envelhecimento serve para máquinas de terraplanagem, ou até para os tanques mais atuais em combate. Na Segunda Guerra eles não duravam muito para envelhecer.

A palavra inglesa para "envelhecimento" é "ageing" ou "aging".

Carlos Chagas posted:

"Sites inteiros, revistas, blogs e grupos de discussão surgiram sobre a arte da pintura, envelhecimento e apresentação dos resultados. Me mostre apenas um que lida com o prazer de colar 1000 pequenas peças plásticas, 750 das quais nunca mais serão vistas! Não existem muitos, existem?"

Raguenet, mandou bem. Mas eu marquei a palavra acima em vermelho, porque este equívoco de tradução, tão comum, sinaliza a origem de outro equívoco no acabamento dos modelos.

Por coincidência, eu estava pensando em escrever um tópico exatamente sobre isso, e cheguei a mencionar a intenção em outro, tópico "Desgaste desse Tigre", postado pelo Oswaldo.

No texto original, (link que você forneceu) está escrito "wheathering". A tradução correta disso significa "estar exposto, ou sujeito ao desgaste pelo tempo".

Mas atenção, não é tempo cronológico. É tempo climatológico ou meteorológico. Não temos uma palavra específica em Português para diferenciar esses dois "tempos" aí. Quando alguém diz "Meu carro dorme ao tempo, na rua". está dizendo que o veículo pega sol, toma chuva, vento, poeira, neve, granizo, cocô de pombo, cinza vulcânica, ou o diabo que for. Não quer dizer que o carro está estacionado lá fora há dez anos, pois pode ter sido comprado, zerinho, no mês passado. Só está sujo. Novo e sujo.

Quando traduzirmos a palavra "wheathering" para "envelhecimento", vemos aberrações como um King Tiger em combate, fabricado há semanas, todo cheio de ferrugem e descascado, com peças de cores diferentes, etc. Chama a atenção, mas é falso feito pirita. Envelhecimento serve para máquinas de terraplanagem, ou até para os tanques mais atuais em combate. Na Segunda Guerra eles não duravam muito para envelhecer.

A palavra inglesa para "envelhecimento" é "ageing" ou "aging".

Pois é Chagas. Na hora da tradução,  para ganhar tempo, usei o Google Translator e fui acertando o texto (que na maioria das vezes fica uma salada indigesta)  para que tivesse o mínimo de nexo.

Na palavra weathreing o Google traduziu em algo que não merecia a mínima consideração. Tasquei envelhecimento mesmo uma vez que essa palavra é usada a torto e direito entre os modelistas. 

Mas a tua consideração é importante pois hoje em dia muitos kits, principalmente de militaria, são realmente envelhecidos de forma que parecem que estão no campo de batalha há décadas. Eu pessoalmente acho isso horrível. Atualmente, tenho percebido que esse envelhecimento forçado está diminuindo. Como você colocou, os tanques durante a Segunda Guerra Mundial tinham uma vida útil não tão longa o que tornava o envelhecimento algo difícil de ser visto. Ademais, de acordo com algumas testemunhas que eu vi em documentários, muitos tanques eram recolhidos para manutenção e repintados.

Essa discussão vai longe mas ainda bem que temos fóruns como este para discutir tal ideias.

Abrssssss,

A Raguenet

Raguenet,

O puxão de orelha não foi só em você, não. Seu texto apenas mostrou a tendência que já existia muito antes dele. O equívoco de envelhecer os veículos em demasia, sem muita consideração com a realidade, vem daí.

A língua inglesa tem dessas armadilhas, por ser fácil de aprender. Muitas vezes uma palavra (não é o caso aqui) apenas por ser parecida com outra em Português, é traduzida de modo errado. Um bom exemplo: "ingenuity", que nossos gênios tradutores lascam na legenda dos filmes como "ingenuidade". O certo é "engenhosidade". O sentido muda completamente.

O mais engraçado é que ninguém se tocou que existem as famosas "weather girls", que anunciam as condições do tempo (meteorológico) na tv. Mas não o tempo cronológico.

Ainda bem que cada um faz o que quer, independente de ser "certo" ou "errado". É hobby e não matemática, caso o cidadão queira fazer o seu Panther enferrujado, amassado parecendo que saiu de uma batedeira é um gosto dele. Faço os meus de forma razoável, mas tenho o respeito de deixar os demais fazerem o que bem entenda com os seus. É arte e não fotografia.

 

Sim, cada um faz o que quer, isso é verdade. Só estamos discutindo aqui sobre um conceito equivocado, que estou apontando. Reflete sobre isso quem quer.

Quem não quer, também pode traduzir wheatering para "Samba do afro-descendente doido" e cromar o tanque inteiro, pintar o canhão de rosa e botar umas bailarinas albinas em cima. Afinal, para que se preocupar em fazer direito? Arte é arte, vale tudo, e eu não estou nem aí.

Concordo em parte com esta questão de ser arte ou não, ou melhor, ter liberdade ou não para fazer o que quiser.  Claro que cada um é livre para fazer aquilo que lhe convém. 

O meu Grant 1/35 está com vários erros (chamem licença poética, chamem falta de saco para consertar, chamem o que quiser) mas ainda acho que plastimodelismo é reprodução do real em uma escala menor.  Não fosse isso, não estaríamos nós a comprar bibliografias sobre um determinado tanque e/ou aeronave para poder estudar os detalhes.  Não fosse isso, não haveria os "contadores de rebites" para apontar falhas nesta reprodução em escala menor.  Tomem o Me-109G-6 1/48 da Eduard, por exemplo que foi extremamente criticado por não reproduzir de forma fiel as dimensões das asas (apenas para citar alguns dos erros).  E nem por isso deixei de comprar: comprei um com mucho gusto pois monto kits para mim e não para os outros. 

De qualquer maneira, me preocupo em reproduzir o real da forma mais precisa possível, daí o meu descontentamento com o excessivo envelhecimento.  Claro que essa discussão é antiga.  Quando participava das reuniões da IPMS nos sábados à tarde  com o meu pai no Rio de Janeiro lá na década de 1980 no Clube da Aeronáutica, já falavam sobre isso: ao montar um kit, o que se deveria levar em consideração?  A fidelidade da reprodução?  A própria arte do kit?  Os dois?  É uma discussão que vai longe.

Voltando ao texto original do Pollard, concordo em parte pois para mim quanto mais peças, mais interessante, embora ache que partes que ficam escondidas realmente são um desperdício.  Recebi recentemente o SU-122 da Miniart, e já estou pensando em fazê-lo recortando uma janela no casco para que possa olhar o interior.  Vai de cada um.

Abrssssss,

A Raguenet

Adorei a discussão desse tópico. Fico muitas vezes me pegando pensando no por que de se fazer uma montagem cheia de badulaques, fazendo fiação, pintura de motor e tudo o mais em um kit de um avião e depois colar toda a fuselagem, tampando tudo. Pra que esse detalhamento, só se for pelo gosto de fazer, já que para aparecer não vai dar. A menos que você seja um Wilson "Sheppard", o Best of Show de todos os opens que já fui, que monta um kit de um helicóptero na 1/72 e quando vc passa com combustível perto ele liga e voa, só pelo cheiro, de tão perfeito.

Tenho alguns kits começados e que coloquei P.E.s, maior arrependimento, são os que acabam ficando na bancada.

Desde que comecei a montar sempre ouvi dizer que Airfix não compensava. Já viram os kits que a Airfix apresenta agora? Meu melhor P51 é da nova safra dela. E tem um tópico rolando por aqui apontando falhas no kit do BF-110 da "idolatrada, salve, salve" Eduard. Qual o melhor? Pra mim o que der pra montar mais rápido, com um nível razoável de aparência com relação ao real, mas sem me preocupar se tem ou não rebites, se tem ou não uma linha a mais de painel ou se tem uma regra que deve ser obedecida pra montar. Acho que vale a frase do Bretas, se ele me permitir reproduzir: "deixa fluiiiiiiiiiiiir...".

Acho interessante, também, ver alguns pegarem um "scriber", uma ferramenta de dentista, agulha, enfim, e fazer um verdadeiro "sulco" no kit para representar as linhas de paineis. Na 1/72, cada centimetro de kit equivale a 72 centimetros do avião real, então imaginem bem, se o cidadão consegue fazer uma "linha" com espessura de 0,01 mm, bom de braço, ele representou não uma linha, mas uma "fenda" no avião real. Seria errado, então, que o kit estivesse lisinho, sem linhas? A meu ver, não.

Vejamos: Faz algum tempo que foi postado aqui no WK a imagem de um, creio, Marder todo enlameado pela sua tripulação. Este veiculo colocado desta maneira  em uma finalização de montagem poderia obter reclamações, mas houve um assim. Também um modelista poderia criar uma versão de outros na mesma situação, ou situações que não foram documentadas em fotografias da época. Esta parte de colocar os desgastes muito acima do real é algo que deixo como uma realidade aumentada. Seria como as estátuas Gregas que muitos discutem sobre as suas formas que são fora da anatomia humana, porem a força que transmitem em suas linhas sutis é muito grande, e isto as torna maravilhosas. Certo, todos não somos tão bons assim, mas alguns são, e vejo beleza nestes excessos, desde que haja harmonia. Todos tem visto imagens diversas, pinturas, esculturas e etc, nelas o artista se empenha em demonstras algo, passar uma mensagem, em nosso hobby creio ser a mesma coisa.

"Quem não quer, também pode traduzir wheatering para "Samba do afro-descendente doido" e cromar o tanque inteiro, pintar o canhão de rosa e botar umas bailarinas albinas em cima. Afinal, para que se preocupar em fazer direito? Arte é arte, vale tudo, e eu não estou nem aí." Nesta colocação vejo que se não estamos de acordo com a opinião, estão vão catar coquinhos. Pena, mas a realidade é esta, se todos fizerem fotos em 3D nada ira realmente valer. O plasti evolui com estas "transgressões" da realidade, no inicio era pouca e tímida a representação dos modelos acabados, mas com o passar do tempo tudo evoluiu e continuara assim, gostemos ou não. Eu me delicio em curtir o que faço e também aprecio o que outros fazem no que me identifico, canhão rosa, bailarinas, isso não me agradaria, mas se tem quem, que então aprecie.

Meu gosto na militaria, creio, é o comum ao da maioria, mas gosto ver um kit bem acabado, detalhado, contando uma história na sua imagem, se ele esta além da realidade, do verossímil, mas com harmonia, força, vida etc e etc, eu vou copiar a imagem e observar atentamente o trabalho daquele modelista e tentar tirar lições daquilo. Quando também vejo algo que não me agrada passo adiante, simples e tranquilo.

Vejo certos modismos da seguinte forma: Se tem conteúdo ficará. Porem se não haver base será ignorado com o passar do tempo.

É por aí mesmo, Raguenet e Oswaldo. Claro que cada um faz com seus modelos o que der na telha. Pode nem pintar nada, se quiser. Ou pintar com baton e carvão de churrasco. Na boa, ninguém se importa.

Mas um fórum de modelismo não vive de modelistas repetindo, ano após ano, que "no modelo dele faz o que quiser, porque é arte, e blá blá blá e blá blá bá." Todo mundo já sabe disso, pra que repetir? Perdoe a franqueza, mas esse papo já cansou.

O nosso hobby, ou melhor, a indústria do hobby, se aprimorou muitíssimo nos últimos anos por causa das pessoas que trocam figurinhas na Internet, apresentam novas evidências e compartilham dados e pesquisas, visando o aperfeiçoamento geral do modelismo. Basta ver uma MG-42 da K-59, o rigor dos decalques produzidos pelo nosso Felipe, as figuras com impressão 3D da Reedoak, os tanques com interior da Meng ou da Miniart, ou os aviões da I Guerra, lançados pela Wingnuts. Sem mencionar a fartura de referências, os novos materiais e os modernos insumos à nossa disposição. O resultado disso aparece nos modelos feitos pelos feras do mundo, usando o há de melhor atualmente. Agora compare com o que havia disponível há 15 ou 20 anos. Ou há 40 anos...!

A indústria soube responder às exigências constantes do mercado justamente porque os chatos e perfeccionistas de plantão contribuem para o bem comum, ao contrário dos inertes. Mas o mundo funciona assim mesmo, aproveita quem pode e quem quer.

 

E por falar nisso, um mero modelo montado não é arte. Gostamos de chamar nossos trabalhos assim apenas por questão de orgulho, mas arte é outra coisa. Até agora apenas 8 atividades são classificadas como "arte". O que fazemos aqui é artesanato, e isso já foi debatido há tempos, neste fórum.

 

Rubens Costa, é o seguinte: Não quero entrar em atrito com você não, meu camarada. Como eu e você dissemos, todo mundo é livre para montar e pintar seus modelos da forma que melhor lhe aprouver, e ninguém tem nada com isso. É algo tão óbvio e automático, que nem merece eu estar repetindo tal coisa aqui.

Assim como aquele que está querendo contribuir com alguma coisa, como uma informação ou talvez um conceito visto sob outro ângulo, quem sabe. Este também não precisa ter que ler isso, né não?

Grande abraço.

sei nao mas o numero de peças nada tem a ver com dificuldade/tempo de montagem, isso é exclusivo da qualidade do Kit.

Kits de qualidade se monta rapido  sem surpresas independente do numero de peças, montei um blindado Meng de 800 peças em poucos dias, um tamiya 1700 Rodney com pecas minusculas em 4 dias, outros kits com pouquissimas pecas levei semanas/meses porfalta de qualidade no kit, projeto ou documentacao da montagem do mesmo.

O que mais me deixa chateado nesse um ano e meio de hobby é ver que "wheatering", scratch, aftermarkerts e afins é mais valorizado que boas montagens.

Ja vi Kit com falhas grotescas de montagem levar medalha simplesmente porque tinha aftermarkets (PE, pecas de resina, etc), pre shadding, wash, etc, a mais grotesca era o bico , canopy, antenas, trem de pouso e misseis tortos.

quando ao lado tinha mesmo kit, PERFEITO mas sem "detalhamentos", sem pre shadding, com montagem limpa sem erros que nao levou medalha.

Parece que vale mais a dificuldade de montagem do que um serviço bem feito, e isso esta levando ao que foi falado no texto do Spencer.

O que vejo direto é que se compra um kit de 100 reais e dai gasta 500 reais com aftermarkets, perde meses na montagem (quando termina)...  
todos se gabando que seu kit tem mais aftermarket/detalhamento/wheatering... poucos que fez uma montagem limpa e sem erros...

 

 

Carlos Chagas posted:

Rubens Costa, é o seguinte: Não quero entrar em atrito com você não, meu camarada. Como eu e você dissemos, todo mundo é livre para montar e pintar seus modelos da forma que melhor lhe aprouver, e ninguém tem nada com isso. É algo tão óbvio e automático, que nem merece eu estar repetindo tal coisa aqui.

Assim como aquele que está querendo contribuir com alguma coisa, como uma informação ou talvez um conceito visto sob outro ângulo, quem sabe. Este também não precisa ter que ler isso, né não?

Grande abraço.

Companheiro, eu não entro em atrito com ninguém, as vezes como esta só chamo a atenção de uns companheiros apenas no teor de palavras, " e eu não estou nem aí." creio que estamos, pois se não estivéssemos não estaríamos enviando esta mensagens uns aos outros. Concordo plenamente com o direito de todos exprimirem suas opiniões, e respeito não só a sua, que aliais tem bem maior conhecimento do assunto que eu, mas também respeito os outros que fazem aqueles desgastes, sujeiras e tudo mais "além da conta" assim por dizer. Mesmo como artesão que somos, conforme me esclareceu, todos tem o direito de colocar seu artesanato de forma que lhe convier, isso eu defendo, e pelo visto você também. É como eu disse:  Se tem conteúdo ficará. Porem se não haver base será ignorado com o passar do tempo.

Neste pouco tempo que tenho com o hobby neste patamar, pois faz menos de 5 anos que acompanho estas montagens pela net, já vi inúmeros kits mau montados e bem montados, pintados de todo modo, porem os que se destaca entre os outros são poucos, acompanhados ou não de PEs e tudo mais, é isso que creio ser mais um dos pontos melhor no hobby, ele próprio se incumbe de separar os elementos com o uso do tempo.

Digo a você e aos demais que veem neste fórum deixar uma contribuição, sempre e digo sempre é melhor exprimir uma opinião do que se calar diante a vida. Ainda bem que  tem bons membros neste fórum que sempre nos coloca a pensar, isso ajuda a crescer não só a mim, como, creio, a outros.

Rubens, não fui claro o suficiente, vou dizer de outra forma. Vim aqui comentar uma antiga falha de tradução, que para algumas pessoas pode ou não mudar o entendimento disso e a subsequente maneira de finalizar seus modelos. Ponto.

Mantive o assunto forçosamente fora do âmbito individual, porque já sei que isso sempre gera polêmicas. Para reforçar, eu disse que não estou nem aí, ou podia ter dito que ninguém se importa com os modelos alheios - dá no mesmo. Sério, com o país se desmanchando; o mundo de cabeça para baixo... Alguém vai se preocupar como é que o outro pinta ou deixa de pintar um tanquinho? Cada um que use a informação sobre esse "weathering" do jeito que achar melhor. Mais nada. É apenas uma informação, não uma obrigação.

Questão encerrada?

Turminha, 

Em relação aos novos kits repletos de detalhe, sinceramente, eu adoro isso, até porque me poupa o trabalho de ter que fazer novos detalhes, o problema é quando estas peças vem mal feitas e aí temos que corrigir esses detalhes ou quando elas não encaixam no kit. 

Concordo plenamente com a colocação do Chagas em relação aos desgastes que estão sendo realizados hoje em dia nos trabalho de pintura de kit, acredito que o pessoal tenha que usar o bom senso nesse caso, pois muitos estão exagerando nos efeitos de ferrugens dos carros que estão em atividade, sendo que em um campo de batalha, estes carros quase não duravam ou se duravam, não seria motivo para ficarem cheio de ferrugem, até porque eles levam uma pintura que é resistente e pode durar um bom tempo protegendo a lataria do mesmo, pois o máximo que pode ocorrer é ficar empoeirado ou com um pouco de lama.

O fato é que os fabricantes atuais querem vender, por isso lançam diversos livros ensinando técnicas de envelhecimento, nada que eu seja contra, mas é só pensar sobre o trabalho que vai ser realizado, se for a reprodução de um carro destruído, bzl! Vamos reproduzir o carro quebrado e com os desgastes pertinentes ao que ocorreu, mas se é um veículo que está sendo utilizado em um desfile militar, vai ser diferente ou se está sendo utilizado no campo de batalha, vai ser de outra forma, mas o melhor é sempre buscar referencias sobre o trabalho à ser realizado e nunca se esqueçam do remédio indispensável que é o bom senso, como o amigo Chagas fala, São Google está aí pra realizar diversas pesquisas de imagens. 

 

Resultado de imagem para bom senso

Agora se for visão poética sobre o trabalho que vai realizar e deseja viajar. 

Resultado de imagem para bom senso

Sinceramente, para nós que somos plastimodelistas e entusiastas de diversos temas, acredito que o melhor é pesquisar, pois estamos retratando um fato que ocorreu em um determinado tempo. 

Estou incluído naqueles poucos que prefere montar... o que não significa que concorde que exista relação de proporção direta entre a satisfação do modelista e o número de peças do kit... eu concordo com o raciocínio do articulista. Mas, com certeza, o negócio das fábricas é vender. Se eles tem feito isso, é porque certamente identificaram a demanda de mercado. Ou seja - a culpa (por assim dizer) é dos próprios modelistas, que associam qualidade ao número de peças. Nem sempre é verdade...

Abraço do Jet 

anghinoni posted:

O que mais me deixa chateado nesse um ano e meio de hobby é ver que "wheatering", scratch, aftermarkerts e afins é mais valorizado que boas montagens.

Ja vi Kit com falhas grotescas de montagem levar medalha simplesmente porque tinha aftermarkets (PE, pecas de resina, etc), pre shadding, wash, etc, a mais grotesca era o bico , canopy, antenas, trem de pouso e misseis tortos.

quando ao lado tinha mesmo kit, PERFEITO mas sem "detalhamentos", sem pre shadding, com montagem limpa sem erros que nao levou medalha.

 

 

 

 

Sempre que fui juiz, a orientação de avaliação coloca sempre, em primeiro lugar, quer seja no OPEN do Tibete ou no Moson Magyar, a montagem. 

Um tanque, ainda que esteja a coisa mais linda do mundo, se não estiver com todas as rodas tocando o chão, ou com fresta no canhão, já está fora da disputa de medalhas.

Não sei onde viu esse tipo de situação, mas digo uma coisa, é muito diferente você olhar um kit a um metro de distância, detrás da fita, e outra, avaliar, com o nariz quase encostado no bichinho. Aí, todo defeito aparece, ainda que pra quem esteja de fora, possa parecer que os juízes não entendem nada.

"....mas digo uma coisa, é muito diferente você olhar um kit a um metro de distância, detrás da fita, e outra, avaliar, com o nariz quase encostado no bichinho. Aí, todo defeito aparece....."

Pior ainda se vc fotografar com uma câmera digital de perto, em macro. Aí aparece tudo, incluindo aquilo que vc não percebe a olho nu. Aliás, isso é um bom recurso para conferir como vai indo a sua montagem ou pintura. Fotografe o modelo bem de perto e depois surpreenda-se.

[  ]s

 

Tirando as brincadeiras e as ficções tão caras aos fãs da máquina de guerra do Terceiro Reich, uma boa pesquisa está na base de uma boa montagem, independente da quantidade de peças do kit. Aliás, entendo que a pesquisa faz parte dos bons momentos proporcionados por nosso hobby. E a internet está aí, para ajudar quem precisa. A partir daí a satisfação e uma boa montagem se conseguem com todo tipo de kit, desde o mais simples até aquelas maravilhas com milhares de peças.

Por exemplo, tenho excelentes lembranças do Tirpitz 1/570 da Revell, que ganhei de meu pai na década de 60, aquele cuja tampa mostra o navio ancorado, pintado com a camuflagem do Bismarck e sendo atacado pelos Lancasters da RAF. Montei, desmontei, remontei, pintei e repintei o infeliz várias vezes, inclusive com tintas brilhantes horrorosas. Tenho comigo até hoje suas peças menores, como canhões AA e lanchas, para uso em outras montagens.

Recentemente descobri que lançaram um deck de madeira para esse dinossauro e lá veio a vontade de montar o mesmo kit uma segunda vez, incrementando a mistura com duas belas folhas de PE, da White Ensign e Gold Medal. Acabei achando esse Revell no Mercado Livre, ainda lacrado. Está na fila para montagem. É um kit velho, com poucas peças, muitos erros e que vai dar um trabalho danado. Por outro lado, tenho a certeza de que vou me divertir muito com ele, talvez como tenha ocorrido nos anos 60. Uma volta e tanto ao passado.

[  ]s

eu peguei os kits e olhei direito ... nao foi falha de visao.

 

eu creio que acontece porque eles julgam tipo 200 kits em menos que meia hora, foi avaliacao mais de relance e considerando os extras e detalhamentos do que a qualidade da montagem porque nao tem como avaliar a qualidade de montagem no curto tempo que eles tem.

 

 

Antigamente montar kits era 80% diversão e o resto trabalho. Hoje é 80% trabalho e 20% diversão.

Claro que kits bem feitos e detalhado são bons, mas muito detalhe encarece o produto e não é todo mundo que faz questão de grandes detalhamentos.

Talvez o melhor seria manter em um nível intermediário e que os mais exigentes possam usar material aftermarket para o detalhamento desejado.

Me contento muito bem com um Academy, Hasegawa ou um Revell moderno de U$ 30,00 e dependendo do meu interesse no tema, adquiro uma tubeira da turbina ou um cockpit de resina ou um decal extra.

Não me atrai muito pagar U$ 80,00 em um Zoukei-Mura hiper detalhado com todas as estruturas internas...


Faz tempo que defendo argumentos similares aos do texto, com relação à complexidade de kits 1/35.
 
Quando a Tamiya lançou um Pershing com suspensão workable, para mim uma completa inutilidade, postei que já tinha o Dragon, um modelo relativamente recente e simples de montar, mais barato e na minha opinião quase tão bom quanto, em certos aspectos até melhor.
 
A Tamiya parou com este tipo de coisa, em compensação a Dragon desembestou com aqueles 3 em 1 e similares, sendo rapidamente copiada por diversos fabricantes.
 
Estes Dragon são lindos, mesmo usando uma parte das peças na montagem, ainda são muitas, são bem complexos, alguns encaixes são ruins, as instruções são confusas e vários tem erros grosseiros. Ficavam melhores que por exemplo os similares da Tamiya, mas talvez nem tanto, a ponto de compensar o preço, cada vez mais salgado.
 
Imagino que foram planejados muito mais para boxmodelistas, pois a gente continua achando lindo na caixa, até mais do que montados. E depois de montar um ou dois, haja coragem para montar outros.
 
Que atire o primeiro Sprue, quem tiver mais da metade deste tipo de kit montado!
 
O melhor desta série eram as "Magic Tracks", trocadas por aquelas terríveis "DS Amarelas" em muitos "Smart Kits", embora fossem de uma nova série um pouco mais simplificada, herdou diversos problemas da série anterior, com o preço ainda subindo. 
 
Alguns "Smart Kits" mais atuais, foram corrigidos, simplificados e voltaram com as "Magic Tracks", outra safra tem até Zimmerit, mas o preço...
 
Em linhas gerais isto vale também para Academy, AFV Club, Bronco, Miniart e Trumpeter, ainda não muito para Hobby Boss, ICM, Meng e Takom e pouco para Italeri, Tamiya e Zvezda.
 
Como quase todas custam bem mais caro que há poucos anos atrás, creio que é mais questão de tempo até surgir outra safra de bons kits, menos sofisticados e mais baratos, pois é impossível ao mercado absorver tantos lançamentos. Ainda que o lado boxmodelistico prevaleça, faltará espaço.
 
Tenho gasto quase mais em armários do que em kits... Falemos sério, quem daqui tem comprado tantos kits quanto comprava há digamos 5 o 10 anos atrás e quantos foram montados de lá para cá?
 
O lado bom é da própria Dragon estar lançando uma linha básica paralela (Platz) com um mínimo de peças e preço atraente, espero que não parem nos primeiros e também que sejam copiados pelos demais fabricantes.
 
Assim, para um modelo "teoricamente perfeito", tem os "Smart Kits" por uma fortuna, mas se for mais para "diversão", tem o "Platz" pela metade do preço.
 
Se não vingar restam os Tamiya, bem ou mal ela tem lançado alguns modelos interessantes, ainda que caros, são menos que a maioria os outros.
 
Vamos ver...
 
PlastiAbraços

Rubens: não conhecia esta linha dos kits da Dragon (Platz) e me parece uma boa iniciativa para reduzir o número de peças.  Achei inclusive um vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=N-OstLWHPFg&t=13s) com uma análise de um Pz.Kpfw.IV na escala 1/35 da Dragon/Platz. 

De acordo com o autor do vídeo, a diferença no número de peças entre este kit e outro Pz.Kpfw. IV também da Dragon (da série 3 em 1) chega a ser vergonhosa: o primeiro vem com 175 peças, o segundo com 1.200.  O que me chamou a atenção é que o molde desse da Platz é todo novo, ou seja, o fabricante teve o trabalho de refazer todas as peças o que, a meu ver, significa exatamente o que o Pollard menciona: simplificar os kits.  E, confesso, em muitos casos eu prefiro que venha mais peças ao invés de vir tudo moldado em uma peça só.  E, em questão ao preço, pelo o que vi no Ebay,  não parece que foi tão mudada assim.  É esperar para ver. 

Mas não há como negar que o preço dos kits, na sua maioria, atingiram níveis muito altos, mesmo em dólares.  Estou pensando em comprar o novo A10 da Bronco na 1/35 (283 peças!).  Preço? US$ 27,00 (fora postagem).  Não é tão exorbitante assim.  Na real, no caso de militaria, passando dos US$ 35,00 já fico com um pé atrás.  Tudo bem, já comprei kits mais caros, mas muitos foram adquiridos em promoção.  Por exemplo: há algum tempo HobbyEasy está ofertando o novo M10 e o AMX-13 da Tamiya a US$ 24,00 cada um (fora postagem).

Neste quesito, ainda assim admiro a Tamiya pois mantém uma certa posição de equilíbrio ao continuar lançando kits interessantes a um preço não tão extrapolado e mantendo um número de peças alto, mas não exagerado.

Abrssss,

A Raguenet

 

O lado bom é da própria Dragon estar lançando uma linha básica paralela (Platz) com um mínimo de peças e preço atraente, espero que não parem nos primeiros e também que sejam copiados pelos demais fabricantes.

Não é uma linha da Dragon, é uma parceria entre a Dragon e a Platz que é uma conhecida fabricante japonesa que atende basicamente o mercado interno. O foco deles sempre foi kits mais simples, mas de ótima qualidade,  principalmente aviação 1/144. Há pouco tempo fizeram esta parceria com a Dragon, lançando modelos mais simples de acordo com a política deles, outras vezes simplesmente reembalam os produtos da Dragon.

O foco deles em militaria são os tanques representados em um famoso desenho japonês que junta tanques da segunda guerra com colegiais 

 

E eu concordo com quase tudo que o Spencer Pollard diz. Ando há já algum tempo a querer construir um Zero na escala 1/32. Ainda não o fiz porque o modelo da Tamiya, para além de ser um pouco caro, tem uma quantidade de peças que assusta. E por muito boa que seja a engenharia do modelo o que o torna mais fácil de construir, no fim grande parte não se vai ver.

Agora apareceu o da Hasegawa. Finalmente. E já tenho um encomendado.

Um abraço

ajcmac

Augusto posted:

Não é uma linha da Dragon, é uma parceria entre a Dragon e a Platz que é uma conhecida fabricante japonesa que atende basicamente o mercado interno. O foco deles sempre foi kits mais simples, mas de ótima qualidade,  principalmente aviação 1/144. Há pouco tempo fizeram esta parceria com a Dragon, lançando modelos mais simples de acordo com a política deles, outras vezes simplesmente reembalam os produtos da Dragon.

O foco deles em militaria são os tanques representados em um famoso desenho japonês que junta tanques da segunda guerra com colegiais 

Oi Augusto,

Não sabia, mas independente disto, acho muito bom a Dragon ter tomado esta iniciativa, seja com kits próprios ou em parceria, buscando equilibrar melhor simplicidade e qualidade.

De uns tempos para cá nem tenho me animado em acompanhar melhor alguns lançamentos da Dragon, Trumpeter e Miniart, quase todos cada vez mais complexos e caros.

E não é só pelo preço, no aniversário da Luckymodel vi aquele trator americano da Miniart barato, com um zilhão de peças só para as lagartas e passei longe...

De fato comprei hoje um Hanomag Ausf D Tamiya, quase certamente vou montar antes dos meus Dragon e talvez até dos meus AFV Club...

Tenho "encrencas" demais, nem encontrava um "Tanque Médio ou Leve" para participar no GB, sem correr o risco de terminar no prazo!

Acabei escolhendo um antigo Panzer IV Tamiya, que mesmo tendo problemas diversos, com algumas melhorias deve ficar apresentável..

E principalmente, estou me divertindo demais! Novamente, permanecem no armário, outro par de Panzer IV Dragon.

Ano passado percebi que nunca tinha montado um Miniart, terminei um simples recentemente, ainda ficaram meia dúzia, mais um par de figuras, então só de Miniart estimo quase um ano de trabalho!

PlastiAbraços

O Spencer Pollard acrescentou algumas considerações sobre o que ele escreveu anteriormente.  Aproveito para colocar aqui já que, pelo visto, as manifestações dos amigos foram relevantes (e que apresentaram o mesmo exemplo, o Pz.Kpfw. IV da Dragon/Platz).

 De novo fiz uma tradução meio tosca, mas para quem quiser conferir o original, eis aqui: https://thekitbox.wordpress.co...-really-can-be-more/)

Abrssssss,

A Raguenet

 

Vários dias atrás escrevi um ensaio para este blog propondo que os kits estão se tornando cada vez mais complexos e, com o aumento do número de peças, há o inevitável aumento do preço e, muitas vezes, a queda nas vendas. Estaria eu me expondo com meus pressupostos?  Quem sabe? As respostas às minhas considerações mostrou que talvez eu estivesse correto em questionar tais coisas, mas que havia - com razão - modelistas que ainda gostam do desafio de uma construção longa e do detalhe que esses projetos geralmente oferecem. Eu não fiquei surpreso com isso, afinal de contas somos uma comunidade ampla e todos nós temos diferentes necessidades e aspirações e o que é bom para mim, muitas das vezes, será desconsiderado por outros.

O que eu não estava preparado, principalmente porque em nenhum momento eu defendi tais ideias, é a noção de que, ao argumentar por menos peças, eu estaria pedindo por menos detalhes. Nada poderia estar mais longe da verdade. Meu argumento, por menor que fosse, era sobre uma abordagem mais sensata para a criação e detalhamento de uma setor onde peças únicas podem ser usadas para criar seções perfeitamente detalhadas em detrimento do uso de várias peças de modo a criar um resultado idêntico, o que seria um caminho a seguir.

Eu citei um caso em que sprockets apresentavam cabeças de parafusos separadas, o Dragon 1:35 Panzer IVD estava em minha mente enquanto meus dedos teclavam o texto. Você pode se lembrar do lançamento desse kit e das mais de 1200 partes que continha; você também pode se lembrar do grande número de peças que compõe os rolamentos e, quando essas peças estavam montadas, muitas pareciam ter sido originalmente moldadas em uma só peça! Era pura loucura. Avancemos para 2017 e a Dragon lançou um novo Panzer IVD que foi projetado e produzido em colaboração com a Platz, um kit que contém cerca de 170 peças. É complexo? Sim. O detalhe é menor do que o encontrado no kit anterior? Aparentemente não. Será que vai parecer tão preciso, detalhado e agradável uma vez montado? Muito provavelmente. O que a Dragon percebeu, como os outros, é que a complexidade e o número maciço de peças não são necessariamente o caminho a seguir.

Existem outros exemplos de como os fabricantes optaram por criar kits que estão longe de serem complexos para montar, mas são praticamente perfeitos em termos de detalhes e precisão. Eduard, por exemplo, lançou nos últimos anos duas famílias de aeronaves: o Spitfire e o Me109G. Em ambos os casos, a contagem de peças necessárias para construir cada um é inferior a 100, sendo que a montagem demora pouco mais do que algumas horas para ser concluída. Eles se comprometeram em detalhes? Absolutamente não. Cada caixa oferece um kit e um modelo resultante que fica para trás com relação a outros kits mais complicados? Não. Um modelista ficaria desapontado com o baixo número de peças e os kits poderiam ser mais impressionantes caso fossem mais complexos e demorados para montar? Claro que não.

A questão da simplicidade não é um argumento que signifique menos detalhes e precisão, e é por isso que eu não fui idiota o suficiente para estabelecer isso como verdade. Existem muitos exemplos de kits que são simples de construir, mas oferecem níveis impressionantes de detalhes, obras de arte que oferecem grandes peças revestidas de notáveis detalhes e com encaixes perfeitos (basta ver as asas feitas de só uma peça no Mosquito da HK Models por exemplo). Então vou repetir: menos partes não significam menos detalhes. E se você precisar de mais provas de que menos é muitas vezes mais, basta pegar o P-51D 1/48 da MENG e ver que isto é possível...

De modo a colocar meus pensamentos à prova e ver se eu poderia realmente construir algo um pouco diferente, eu decidi tirar as tão necessárias férias anuais e, em vez de sentar, beber cerveja e comer sanduíches de queijo e cebola (que ainda soa como um maravilhoso uso produtivo do meu tempo ...), peguei um kit Tamiya M1 Abrams muito antigo e comecei a trabalhar. Agora, qualquer pessoa que tenha montado este kit (como eu já o fiz, seis vezes ...) irá dizer que não apenas é muito simples de montar, mas que faltam detalhes em alguns lugares e, quando se trata de precisão, deixa a desejar. Ainda assim eu o adoro e gosto da maneira em que, no espaço de algumas horas, posso montá-lo direto da caixa. Neste caso, eu decidi melhorar um pouco a sua aparência com adição/substituição de alguns detalhes e me diverti um pouco mais na hora da pintura. Eu costumo me referir a isto como "heranças de montagens", ou seja , nenhum esforço a mais para criar réplicas complexas, apenas fazendo algo rapidamente.

Continuando a divagar...

A partir do meu ensaio anterior, parte do exercício era pensar sobre o que eu tinha escrito e como o kit que eu estava construindo poderia ter sido melhorado se tivesse sido projetado em 2017. Quais provavelmente seriam os detalhes de hoje que foram omitidos em 1982 quando o kit foi lançado pela primeira vez? Quantas peças a mais seriam necessárias para tornar o kit mais preciso e detalhado? Bem, as partes superiores das saias laterais poderiam ter bordas de vedação as quais que eu acabei adicionando; os protetores dos faróis poderiam vir em duas peças ao invés de uma; uma tela protetora em separado poderia ter sido incluída para criar um escapamento com uma melhor aparência tridimensional; as saias poderiam ter vindo em mais peças ao invés de serem inteiriças; as lagartas poderiam ser do tipo encaixe uma a uma; a cúpula e escotilhas seriam mais detalhadas, as metralhadoras compostas por várias peças em vez de apenas uma. Inclua alguns detalhes adicionais aqui e ali e com a atual tecnologia que é amplamente utilizada, o número de peças deste kit pode ser facilmente inferior a 300 e mesmo assim ficará ótimo. Claro, ao adicionar um interior detalhado, o total aumentaria, mas sendo um modelo "marginal" não haveria necessidade de ser mais complexo. E esse é o meu ponto: se não é necessário, por que fazê-lo? Bem... porque...

 E parece que as empresas já estão começando a lidar com essa ideia. Eu já mencionei o Panzer IV do Dragon e a família de Spitfires e 109s de Eduard. Bem, a preocupação tcheca também parece abordar as questões que muitos enfrentaram com os kits do Fw190 na 1/48, kits que oferecem níveis extraordinários de detalhes, mas são - para dizer o mínimo - um desafio durante a montagem. Uma nova família de kits está sendo criada, clonada a partir de seus outros produtos recentes e oferecendo modelos de alta qualidade, bem detalhados, precisos e, acima de tudo, fáceis de montar. Aqueles detalhamentos complexos e às vezes confusos presentes nos primeiros kits estão com os dias contados, substituídos por subconjuntos que podem ser montados por qualquer um e não apenas por aqueles com um alto nível de habilidade e três pares de mãos. Na minha opinião, é o caminho a seguir - especialmente se levarmos em conta o preço que empresas como Eduard, ICM e Airfix estão oferecendo por seus produtos.

 Debates como este sempre dividirão opiniões - e é por isso que eu costumo iniciá-los! - com modelistas em ambos os lados do argumento oferecendo razões para mostrar que a sua posição é a correta. Mas aquilo que nos une é essa necessidade de continuar a montar modelos altamente detalhados, precisos e agradáveis ao olhar quando terminados. Qualquer outra coisa é apenas um ponto de vista controverso. Mas vou repetir: menos partes não significam menos detalhes - realmente não.

Interessante como grupos tão diferentes (do Spencer e daqui), tem opiniões muito parecidas.
 
Isto é ótimo, pois comprova que o mercado (ou parte dele) espera algo diferente do que existe hoje.
 
De uns tempos para cá tenho acompanhado alguns Canais do Youtube, pois está começando a aparecer muita coisa interessante lá.
 
Dá para perceber algumas tendências, por exemplo, em 1/35 vários modelistas tem optado por Tamiya antigos, Academy e até alguns Zvezda, pois no geral são simples, relativamente bons e principalmente por um review ou montagem caberem em 1 ou 2 vídeos curtos.
 
Estes não comentam, mas o preço deve pesar também, já outros comentam abertamente, tem comprado pouco ou apenas em promoções, tanto que fazem reviews e montam Dragons estranhos, daqueles tiveram meia dúzia de unidade reais produzidas (no máximo).
 
O melhor mesmo, foi daquele camarada que monta tanto, que nem tem onde colocar, então resolveu vender... Ele montava numa velocidade espantosa, depois perdia um bom tempo pintando, desgastando e sujando, na minha opinião um pouco demais (isto já foi tratado aqui e em outro tópico). O pessoal via os kits dele à venda e perguntava se não tinha um mais "novinhos" para comprar!
 
Daí ele faz um video onde ele pinta um kit já montado por um amigo, naquele estilo "quase zero km" (o amigo prefere assim)... Nos vídeos seguintes, ele termina tudo numa velocidade espantosa, pois pinta, desgasta e suja muito menos que antes (nem sempre, as vezes ele se anima), de qualquer modo agora está vendendo quase tudo (vai ver é para o tal amigo).
 
Finalmente, os gringos estão reinjetando na China, alguns kits jurássicos (Aurora, Lindberg, MPC...), com pequenas melhorias, este tipo de "quase brinquedão" está se tornando uma "febre", mas sinceramente, quase todos são muito ruins. Também não são baratos, mesmo assim estão abaixo da maioria de novos lançamentos... Nostalgia? Preço? Pura Diversão?
 
Não sei onde vamos parar, mas sinto que certas coisas vão (ou tem de) mudar.
 
E se os fabricantes não mudarem, mudamos nós.
 
PlastiAbraços

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