Review - Livro AK Interactive "REAL COLORS OF WW2" - Michigan Toy Soldier Blog

Amigos,

Meu mais recente review pro blog da Michigan Toy Soldier, desta vez o inacreditável livro lançado pela AK Interactive sobre cores e pintura de AFV's e Veículos na segunda guerra mundial. Não há precedentes pra um arquivo tão completo de informações de cores no mundo. O livro foi desenvolvido em conjunto com a nova linha de cores AK Real Colors, que farei o review em breve. 

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O livro é uma edição limitada, assinada a mão e impressa com tolerância de 4% de erro da cor original. Cada livro é inspecionado por um técnico antes de sair  da fábrica, para conferência de renderização da cor impressa. 

Um dos registros mais impressionantes que existem, confiram o review completo no blog :

REVIEW : AK REAL COLORS OF WW2 BOOK

Mais algumas fotos :

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Pra alegrar o dia de qualquer modelista sério !

Abraços

Julian

www.michtoy.com

Original Post

realmente  um trabalho primoroso.....porém para alguns só vai aumentar a tortura e  ansiedade  em se  achar  qual "cor'  realmente   vale e  outro  problema  é a de achar  esta cor  disponível.....  o  que  pode  acarretar  dissabor ou  até mesmo para  alguns"puristas"  dificultar   a  montagem  do  kit  e sua finalização ....só para observar veja  que  na página já  se  mostra  que a  cor  varia  até mesmo  com luz natural do sol ou led/fluorescente   ou de  tungstenio.....sem  contar  que   uma  coisa  e´a  cor ao  natural , outra  é a  cor  estampada  em foto-livros ou mesmo em telas de computador .....sem contar  que desdes  veículos  já  foram pintados  a respeitáveis  décadas  de 30-40  (isso  só se  pensarmos em  ww2 ,  imaginem mais  20  aninhos  nos artigos da  ww 1) a até  agora (60-70-80 aninhos)  a s próprias tintas  também podem sofrer  alterações quimicas e  deixar  tonalidades  algo  mais dúbias..... não se  esquecendo que ainda  se  tem o critério de "efeito escala' ao ser "necessário /obrigatório "  por  vários colegas de por  exemplo  se diluir em 20 a 30 %  do pote da cor de fabrica  em cinza claro  e/ou branco...  as  vezes   a cor é  uma  experiencia pessoal e se  pode "aproximar"  do que  temos de referencia  ....  em  todo  caso  uma  muito boa  fonte para referência,  desde que você não se mate por não conseguir achar a  cor correta  ou  lhe criticarem durante eventuais exposições/concursos, o  que é muito  corriqueiro ..... plastiresiabços paulo r  morgado  sp - sp 

Fico imaginando se nas fabricas onde eram produzidos estes equipamentos eles tinham tamanha preocupação com a exatidão das cores, afinal, estavam em guerra. Faltava tudo, deste aço a borracha, com os pigmentos e solventes para tintas não era diferente. Posso estar enganado, mas suponho que a preocupação era pintar com cores aproximadas ao projeto, mas não exatas. 

Fico imaginando uma fabrica, parar a linha de montagem porque não se tinha a tinta final, deixando de enviar para batalha o equipamento porque a "cor dos puxadores da cobertura da cabine do canhoneiro" era 4% diferente da prevista .

Acho que os mesmos equipamentos, produzidos na mesma unidade e no mesmo período, tenham diferenças gritantes nas cores e nas pinturas entre si, ou vocês acham que o pintor estaria 100% preocupado em usar a mesmíssima cor e desenhar sempre o mesmo padrão de camuflagem por exemplo....

Novamente, posso estar emanado, mas se eu fosse comandante, minha preocupação seria enviar para batalha, com a cor "mais próxima" do projeto, isto se "possível" com aquela cor é claro... Melhor que responder ao "Führer", "Stalin" ou o que o valha 

De toda forma, vale o livro como uma boa referencia.

Abs

Castro

Concordo, mas mesmo durante a segunda guerra, mesmo na Alemanha ou Rússia, mesmo nos EUA e outros fabricantes existe uma palavra mágica: normatização, sem ela nada funciona, eu digo nada no sentido de não ter ou não fazer e sim de as fábricas cumprirem a produção das tintas e suas cores seguindo o melhor possível aquelas normas no papel. Isso impedia que o tom de "dark yellow" não fosse verde e sim próximo do amarelo. Estamos a mais de 70 anos do final da guerra, se não existirem trabalhos como esse, daqui a pouco tempo o pessoal vai pintar qualquer blindado de azul com bolinhas brancas. E não pensem que isso é exagero, ou ninguém está acompanhando o aumento de grupos nazistas?

Vamos focar em alguns aspectos sobre o livro em si e cores...

Primeiramente, a premissa do livro é; Uma pesquisa sem precedentes de cores e padrões de camuflagem de veículos militares da segunda guerra, das principais frentes de guerra. Pra isso foram usados o expertise de 4 dos maiores sábios do assunto, cada um na especialização de um país (Alemanha, USA, Inglaterra e Rússia). Steven Zaloga por exemplo é um ícone do nosso mundo a décadas, como Tony Greenland, Shepard Payne e tantos outros que escrevem a história do Hobby. Esse tipo de gente reunida resulta em trabalho sério, de pesquisa avançada e com a conta bancária e boa vontade de uma marca como a AK Interactive, key player no hobby atual bancando o projeto. Um dos autores é dono de uma empressa de aviação e pintura de aeronaves, que inclusive começa com o nome RLM. Estes autores respiram pesquisa sobre o assunto em pauta. O segundo ponto a destacar é a primeira página do livro, onde diz que a edição é limitada (Não diz a quantas unidades ainda) e que o livro foi impresso com as mais recentes e criteriosas tecnologias para que possamos ter um resultado equivalente ao das cores da época. Logicamente isto é impossível de realizar, ainda, mas eles dizem também que a margem de erro da impressão no livro pro chart de cores RLM original obtidos para pesquisa, teste e conclusão do livro é de 4% (Quatro Por Cento), ou seja, pro nosso uso como hobby é mais que suficiente. Além disso cada livro é individualmente assinado a mão por um vistoriador para garantir ainda mais a impressão dentro da margem de erro pré determinada. Aston Martin's tem esse nível de vistoria antes de serem despachados aos consumidores. Isso é inédito na publicação especializada em nosso hobby, pelo menos ao meu conhecimento.

Tendo dito isso, temos obviamente as variantes de cada fábrica, como temos um Quarteirão com queijo com gosto diferente no Brasil, da França (O de lá é bem mais gostoso), como temos do sabor da coca cola de máquina pra lata, mas tudo isso segue uma palavra mencionada aqui : Normatização. 

A guerra e artigos militares são o ápice da normatização de produtos, logística e padrão de qualidade final. Tudo hoje que é militar é feito em um padrão de qualidade superior a produtos "consumer". Lanternas Surefire são as melhores do mundo. As botas da Oakley Elite Standard Issue são as melhores (e não vendidas a civis) do mercado. Um Hummvee é mais robusto que um H1 civil, e assim por diante. A normatização de produtos militares é a mais avançada hoje, e isso se extende a empresas que lidam com os dois mundos, como exemplo a empresa americana mencionada acima Surefire, que faz lanternas pra pesca e pra montar na .50 em veículos de guerra (Procurem a Surefire hellfighter no google). São chamadas empresas com contrato GSA. 

Uma coisa que o livro mostra extesivamente, e talvez nem todos tenham lido a resenha completa e visto com detalhes as fotos com as partes extensas de texto, que mostram documentos e mais documentos alemães sobre diretrizes específicas (que eu nunca imaginei) de pintura de veículos. Cada pelotão tinha uma quantidade pré determinada de tinta a, b, c, com ratio medidos em quilos, e divididos por categorias intermináveis de peso, tração, artilharia e tudo mais que possamos imaginar. Os documentos originais alemães estão no livro, traduzidos integralmente, mostrando o nível de precisão ditada pelo Reich a pintura e fabricação dos veículos. É um trecho em que eu me impressionei muito, exatamente por não imaginar tanta diretriz, regras e precisão imposta a pintura de um Steyr por exemplo, em German Grey. Com essa informação vinda de documentos originais temos a concepção de que sim, eles estavam a procura de normatização e perfeição, seja lá qual fosse na época e pra eles. 

A foto postada acima sobre uniformes é um ótimo exemplo, que encontramos também no livro sobre uniformes alemães que cito na resenha, do Jean De laGarde, que é maior bíblia de pesquisa de cores de uniformes alemães, um dos livros mais preciosos que tenho. Ou seja, uniformes, tecidos, variantes diversas de cores do mesmo "tipo". Mas isso pelo que o livro da AK nos prova que era mais rígido as "regras" de pintura de veículos, pelo menos até 1943, onde a pintura em campo, pressa e sinais de derrota apareciam na Alemanha, país onde estou exemplificando estes fatos. O resumos é, o livro nos prova que a variação de cor era mínima, a princípio. Tudo se baseia nas diretrizes e cartões de cores RLM / RAL e etc.

Vamos ao último aspecto, que é a reprodução de cores no kit. Eu tenho German Grey por exemplo de umas 8 marcas diferentes, de Tamiya a Polly Scale  (extinta) e tudo que passa no caminho como Vallejo, AK, Ammo, Sets de modulação e demais (Não há acrilex ;-) ) e cada uma tem um tom. Cada um tem um resultado diferente. E isso é bom, eu escolho o tom predominante do kit se eu vou fazer o modelo muito sujo, com destaques de linha de painel, e etc. As cores que saíram junto com o livro (que estão a caminho para review) são formuladas na maior proximidade que a AK conseguiu fazer com base na pesquisa acima mencionada, e isso é muito bacana, pra nós. É uma empresa de produtos de hobby, chamando especialistas de história militar pra ajudar a criar um produto mais fiel ao nosso hobby, pelo menos aos que buscam fazer réplicas em escala. Mas entramos no fator artístico, que como todos sabemos, não há dois kits pintados iguais, nem por nós mesmos e nem por modelistas diferentes. Há novas técnicas de linha de painel, de modulação, de preto e branco, de alto contraste (mais usado em figuras, com acrílicos), luz zenital, e etc. Isso tudo é o toque artístico de cada um de nós ao nosso trabalho. E é também uma balança entre realidade e arte. A balança é imprecisa e a cada trabalho fazemos mais de um e menos do outro. Demorei pelo menos uma década de montagem séria pra abolir o dry brush do meu leque de técnicas, e hoje em dia meus trabalhos são mais realistas como réplica aos meus olhos do que antes com dry brush tradicional, sendo mais artístico pra criar o contraste e a simulação de luz e sombra como dizem os primeiros manuais de modelismo.  Sou apaixonado pelos trabalhos em figuras de alto contraste com acrílicos, mas não sigo essa técnica, gosto de resultados meus com menos contraste, mas gosto de aerografar linhas de painel sutis e áreas mais claras nos modelos, e isso também é uma balança artística. Muitas vezes fica lindo (como alguns exemplo de modulação) mas é irreal como réplica. Muitas vezes vemos modelos extremamente realistas, mas que nos parece frios, sem contraste e visualmente sem apelo. Sempre haverá essa balança.

Sendo assim temos que olhar o livro acima pelo que é, um guia de informações e pesquisa de guerra sobre como eram pintados as nossas referências para realizar uma miniatura, nos dando fotos de documentos originais inéditos, argumentos e fatos de especialistas, e um guia que nos diz "este é o german grey normatizado, impresso e reproduzido da melhor maneira pela nossa fábrica e repassado a tinta que fizemos junto", mas em nenhum momento é uma regra ou lei sobre como devemos pintar nossos kits, nem sobre qual resultado você deveria ter e as consequências que você teria por ter feito um kit mais claro que o chart de cores impresso no livro. Se pensarmos no livro como um enorme prazer visual a nós que amamos o período, ele realizou a função. É um aglomerado de informações inéditas, fotos inéditas (e algumas confidenciais nunca antes publicadas) e história em geral. É apaixonante neste sentido e nunca há uma foto de um veículo dizendo "este é o german grey que você deveria usar a partir de hoje".

Com certeza virou um dos livros mais precisos da minha coleção, e espero que quem o tenha, veja essa perspectiva.

Abraços

julian

 

Concordo com você novamente Julian, é muito fácil para qualquer um apontar falhas ou questionar métodos. O problema é de quem faz, que assume uma quantidade igual de riscos aos resultados positivos alcançados. A imagem dos uniformes é importante mas não inserida no contexto de máquinas, senão vejamos: o Reich alemão importou muito algodão do Brasil para fabricação de uniformes, só que esse algodão não tinha a mesma qualidade dos outros produzidos em outros países, portanto isso acarretava variações no tingimento e principalmente na pós lavagem durante o uso, daí tantas variações. A foto mostra uniformes USADOS e não saídos de fábrica. Como aplicar isso no tema blindados e veículos militares? Simples, cada veículo saía da fábrica com pintura dentro dos padrões exigidos nas normas, e os alemães adoravam esse termo, entretanto, DEPOIS que chegavam na linha de frente sofriam os mais variados tipos de desgaste: por atrito, temperatura, impacto e muitos outros. Obviamente os diversos teatros de operações também tinham culpa nesse cartório de motivos que nos interessam tanto. Uma certeza teremos: não existiu jamais um blindado Aliado ou do Eixo com a pintura exatamente igual a outros de seu esquadrão, companhia, batalhão, divisão ou exército. Note que estamos falando daquelas criaturas rastejantes conhecidas como AFV, imagine o mesmo sobre aeronaves, aí haja coração! 

Apenas uma coisa não deve ser esquecida por modelistas de qualquer classe, capacidade, orientação sexual, religiosa ou política: 

DESGASTE NÃO É O MESMO QUE ENVELHECIMENTO!

Abraço! 

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