Resposta to "Alguém já se sentiu traído por um kit?"

Sim. Na maioria das vezes. Mas como bom "corno", sigo montando. 

Sempre tem alguma coisa que deixa a desejar e é difícil achar um bom equilíbrio entre detalhamento e prazer de montagem. Raras exceções para alguns Tamiya excelentes ou Takom honestos e, é claro, aquelas goiabas Revell e Airfix anos 60, que também entregam exatamente o que prometem, ou seja, quase nada além de uma base torta para massa, lixa, scratch e aventura.

Já que não tenho muito tempo, vou focando no prazer de montar. Daí, baixei a guarda com diversas coisas e passei a desconfiar de outras, como kits com número muito grande de peças, muitas peças pequenas, esteiras LBL, esteiras "workable", quebra da montagem em número desnecessário de passos etc.

Tenho ido na simplicidade. Entre um Trumpeter e um Meng, prefiro o Meng. Entre as várias encarnações de um Dragon, aquele que tenha esteiras DS ou link&lenght. Tubo de canhão em duas metades, podendo, evito.

Mesmo com padrões do século XXI tem muito kit Nelson Rodrigues: "bonitinho mas ordinário". Na caixa, no review e na foto parece interessante, mas quando vai prá montagem é que mostra a verdadeira face.  Acho inadmissível um kit de 50 verdinhas ter erro na instrução de montagem ou identificação das peças. Um revisor não custa tão caro assim, gente!

Prá mim parte disso é culpa do acirramento da competição na própria indústria. Cada vez mais caros, os kits tem que ter diferencial. A Trumpeter vive lançando kits para espoliar a produção dos concorrentes (haja visto o Maus,  as versões do E-100 e o Bär, só para ficar nos recentes). Outros fabricantes apostam na complexidade para atrair clientes depois voltam atrás (veja o Pz IV C e o D da Dragon, de 2006).  E por aí vai.

Infelizmente, até mesmo uma compra bem informada, com consulta a vários reviews não protege de problemas, porque muitas vezes, como dito acima, o review é "in-box" e na caixa, o kit até parece legal.

E, pelo que li, já vi que vou ter que me resignar, dar aquela bela polida nos chifres e exercer o perdão novamente: esse Löwe da Amusing é um dos próximos da fila para entrar na bancada.

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