Resposta to "Fechamento da Loja Horiginal & perspectivas do hobby"

Marco S J C posted:

Plastimodelismo nunca esteve tão bem. Eu falava isso para os pessimistas há uns 10 anos e eles teimavam que o hobby não tinha futuro.

Agora estamos quase em 2020 e os lançamentos e novos fabricantes continuam a se multiplicar. Isso só acontece porque tem mercado e esse mercado cresce.

E cresce onde? Onde tem gente inteligente e educada.

Não é um hobby fácil: exige treino, um certo talento, capacidade de pesquisa (tanto de história quanto de técnicas) e dedicação. Infelizmente estamos carentes desse tipo de gente aqui.

Hoje vi uma matéria sobre o fulaninho que cantava Jennifer... ganhou um cortejo fúnebre em carro de bombeiros. Estilo Senna. Isso é Brasil. Não tem mercado aqui para qualquer tipo de hobby.

Não é problema de dólar a 4,00 e imposto ou bandidagem. Se isso fosse problema, iPhone não venderia aqui. O problema tá no povo. É muito raso. Na maioria dos casos a diferença de um pobre para um rico é só seu nível de consumo de bens. O cérebro é igual. 

 

 

 

 

 

paulors posted:

Marco,

Faltou uma coisa em sua lista- paciência, muita paciência. É um hobby onde o caminho para o Paraíso (o kit pronto) está repleto de fases extremamente chatas e repetitivas. É preciso perseverar e manter sempre alto o estoque de paciência. Nem todos conseguem....

Sobre o tema, o plastimodelismo nunca foi algo popular, nem antes e nem agora. Para começar, está fora do alcance do bolso da imensa maioria de nossa população.

Comecei a praticar nos anos 60 e aqui no Rio existiam muitas lojas dedicadas ao modelismo. Isso sem falar que vc podia comprar kits em papelarias e importadoras. Isso gerou uma multidão de plastimodelistas? Sem chance. Por exemplo, aqui em Copacabana tinha uma grande loja de modelismo chamada Hobby Center. Tinha toneladas de kits, mas o que vivia entupido de gente era a pista de autorama situada no subsolo. Isso remete a outro ponto. Não existiam smartphones e nem jogos eletrônicos, mas não faltavam outros atrativos para a garotada. Eu tinha dezenas de colegas fãs do autorama, alguns que praticavam o ferreomodelismo, mas nunca encontrei um praticante do plastimodelismo. E ainda tinha o futebol (incluindo o de botão), jogos de tabuleiro, pipas, bolas de gude, etc.

Isso remete a outro ponto. Naquele tempo não tinha internet ou seja, vc vivia no escuro, sendo bem difícil buscar referências, orientação, partilhar conhecimento, ver o que os outros plastimodelistas estavam fazendo. As publicações estrangeiras eram raras e caras. Cartão de crédito internacional uma miragem. Rastreamento de encomendas? Kkkkkkk Resumindo, estávamos longe de viver em um Paraíso. Hoje tomamos como certo coisas que naquela época nem imaginávamos ser possível.

Hoje eu vejo que estamos muito melhores. Transformações irão ocorrer e irão ocorrer sempre. É a marcha do tempo. Lojas físicas, dependendo do tipo de produto, tendem a seguir o caminho das máquinas de escrever.  Não adianta chorar. Exemplo? Eu saio para comprar uma borracha para panela de pressão, gasto a sola dos sapatos e nada. Está em falta dizem nas lojas. Volto para casa, entro no Mercado Livre e dias depois a borracha está aqui, escolhida em meio a diversas opções. Sabe quando eu vou voltar nessas lojas para comprar uma borracha para panela de pressão?   E, em algum ponto do futuro, vou ver essas lojas fechadas com um cartaz de "aluga-se" na porta. Quem é culpado?

Falando daquilo que eu monto (navios 1/700), nunca estivemos tão bem. Novos kits, novos fabricantes, qualidade cada vez melhor e preços para todos os bolsos.  Estou vendo coisas que nunca imaginei ver. E outras estão vindo. Referências de todos os tipos ao alcance do teclado. Impressão 3D de acessórios bombando. E por aí vai. O futuro parece ser brilhante.

[  ]s

É sempre muito bom ver mais pessoas pensando como eu e que expressem isso.

Estamos com falta cada vez maior de gente inteligente e educada. Realmente, no brasil, elas estão indo embora, cansadas, em busca de lugares de esperança e civilidade, onde possam ter uma vida melhor.

Tudo o que temos a nossa volta está morrendo por conta das nossas más atitudes, comportamentos e decisões, como pessoas, indivíduos.

 

E o hobby não escapa dessa repercussão...

Como o Paulo, muito poucas vezes encontrei praticantes de plastimodelismo. As pessoas procuravam, como tão bem ele assinalou, os hobbies, atividades da época, da moda.

Mas aonde está o autorama? A bolinha de gude? O Pen Club? O jogo de taco (cricket nativo)?

 

Há muito tempo, já tinha assinalado aqui esse tipo de situação e sofri, e ainda sofro, ataques virulentos, maldosos, frutos de mentes distorcidas.

Teve um que disse que o hobby, aqui no Fórum, estava excelente e que eu, após  mais algumas bobagens, é que era um pessimista...

 

Quando postei que os plastimodelistas, salvo as exceções, nas quais me incluo,  tinham uma forte parcela de culpa ao não participarem de GBs, ao não abrirem as suas caixas-pretas ou não mostrar suas montagens passo-a-passo para que outros aprendam, novamente, não fui entendido.

O Plastimodelismo precisa mostrar-se, aparecer, sair das sombras através de sites, fóruns, exposições, GBs para que os jovens, os curiosos, todos aqueles que queiram conhecê-lo possam ter uma grande diversidade de alternativas e fontes de dados.

Eu voltei ao hobby após 30 anos, ao ver montagens em sites nacionais e internacionais.

 

Enfim, como postou o Paulo, " nunca estivemos tão bem. Novos kits, novos fabricantes, qualidade cada vez melhor e preços para todos os bolsos.  Estou vendo coisas que nunca imaginei ver. E outras estão vindo. Referências de todos os tipos ao alcance do teclado. Impressão 3D de acessórios bombando. E por aí vai. O futuro parece ser brilhante."

 

Na verdade, o Plastimodelismo será aquilo que nós, e apenas nós, quisermos fazer dele.

A maior dificuldade no mundo do hobby, porém, é mudar as mentalidades atrasadas, agressivas, perdidas nos desvãos da vida, porque o resto, todo o resto, vai muito bem, obrigado.

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