Resposta to ""O objeto não chegou à unidade de destino""

JeanFabricio posted:
Marcio Bernardi posted:

eu não vejo aonde exploração politica tem relação com a bost@ que ta, má administração e  falta de pessoal sim, e para somar o que tem de carteiro doente não ta no gibi.

Porque você não deve ter vivência em empresas públicas, estou certo?

Eu vou tentar explicar de forma curta.

Uma empresa, qualquer uma, tem sempre um objetivo maior, geralmente definido por seu dono. Na maior parte das empresas esse objetivo é financeiro, lucro, travestido em belas palavras (missão, visão, valores, etc). Para atingir esse objetivo é necessário que o grupo de gestão seja capacitado para tal, tanto nos aspectos técnicos (processos, teorias, etc) quanto nos aspectos humanos (trabalhar com gente). Então cria-se uma hierarquia, escala de desempenho, treinamentos, metas, avaliações, consequências, recompensas, mais treinamento, incentivos, planejamento, e daí pra fora. Você começa como "boy" e sabe que pode chegar a vice-presidência ou algo assim. Empresas grandes costumam ser assim.

Agora vamos pra empresa pública com exploração política.

A hierarquia é definida, existe no manual. Há diversos níveis hierárquicos, com "cargos comissionados" (no Correio não é esse o nome, chama-se "função", mas é para você entender) . Esses cargos comissionados são técnicos ou de gestão. Por exemplo, um carteiro motociclista é um carteiro com o "cargo comissionado" de motociclista, é uma "função técnica". O gerente da unidade distribuidora é um empregado concursado que recebe o cargo comissionado de gerente, uma "função de gestão".

No que diz respeito aos objetivos de uma empresa pública a necessidade é a mesma: empregados capacitados para desempenhar de tal forma que o objetivo seja alcançado com o menor custo operacional e emocional.  Agora pegue essa parte (empregados capacitados) e jogue fora. Ignore. Risque dos livros de Administração, coaching, Psicologia das organizações essa premissa. No lugar dela você escreve "indicar políticos ou amigos de políticos para ocupar o cargo comissionado, a função estratégica comissionada'.

Você, no caso do Correio, tem uma empresa de logística presidida por um político de carreira. Que por sua vez compõe as vice-presidências com amigos políticos ou não políticos, da empresa ou de fora dela. E assim segue em cascata - sempre a indicação baseada em laços políticos ou emocionais, mas raramente baseada em critérios técnicos. E essas pessoas serão gestoras de várias pessoas e processos decisivos para que a empresa alcance aquele objetivo maior, sua "missão, visão e valores"... essa pataquada toda.

Em muito pouco tempo a coisa não se sustenta, porque pessoas incapacitadas, não habilitadas para a atividade estão nela.

Em 4 anos o PT fez isso de forma "nunca antes vista nessa empresa". Em 4 anos empregados militantes foram indicados para serem gestores de unidades, gestores de processos de compra, gestores de planejamento e muitas outras atividades SEM TER NENHUM PREPARO, EXPERIÊNCIA E, NA MAIORIA DAS VEZES, NÃO TER FORMAÇÃO para tal. Não é o fato de ser político que estraga. É o fato de ser incapaz que estraga. E infelizmente na maior parte das vezes o indicado político é incapaz.

Por isso a exploração politica tem relação com a bost@ que ta: a bost@ é consequência da má gestão de pessoas incapazes que foram indicadas para satisfazer cotas partidárias ou favores escusos.

Entendeu?

 

Perfeito... só faltou desenhar.

E digo mais: não é só uma questão de PT.  É uma questão de TODOS os partidos salvos raríssimas exceções as quais não chegaram ao poder e, por isso mesmo, não entram no esquema para poder sobreviver "politicamente" dentro de um sistema que já está todo corrompido.

E não vou ser inocente o suficiente para dizer que em empresas particulares não existe "apadrinhamento".  Claro que existe.  Trabalho em duas universidades particulares e já cansei de ver isto.  O único senão é que, nelas, se você é apadrinhado politicamente, você precisa mostrar competência para poder se manter no cargo.  Caso não aconteça, a empresa perde seu poder mercadológico e é "engolido" pela concorrência e o indicado politicamente é sumariamente despedido. 

Na empresa estatal, como os Correios, a diferença é que essa concorrência praticamente não existe, ou seja, pode-se usar e abusar sem medo de falência.  E caso isso aconteça, quem paga o pato são os assalariados que precisam, através de um desconto compulsório nos salários, fechar o "rombo" causado por poucos.  Ou seja, "nunca tantos deveram tanto por causa da incompetência de tão poucos"

Abrsssss,
A Raguenet

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