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Resposta to "M4 Sherman no EB"

Cledson, aqui vai um trecho do meu nunca terminado artigo sobre Shermans do EB e os seus respectivos kits!

 

Vamos montar um Sherman do EB?

IURY GOMES JATAI[1]

iuryjatai@hotmail.com

Introdução

Depois do lançamento do livro “M4 Sherman no Brasil”, houve uma verdadeira explosão no número de montagens de kits buscando representar as viaturas deste tipo utilizadas pelo Exército Brasileiro. Porém, assim como há uma ampliação constante nos conhecimentos deste tema, também há um rotineiro equívoco, intencional ou não, nos modelos, versões e kits utilizados para representar os Shermans brasileiros. Mesmo que se utilize o livro “M4 Sherman no Brasil” como referência, há a possibilidade de que ocorram erros na hora de se montar um modelo mais acurado deste tipo de viatura nas cores do EB.

Tenho freqüentado os fóruns de modelismo brasileiros (e até mesmo alguns fóruns estrangeiros) e tenho visto alguns colegas modelistas buscando aprimorar ao máximo a sua representação de um blindado nas cores brasileiras. É certo que as fontes, as referências fotográficas e os tão seguidos profiles sobre o assunto são escassos, mas não é impossível se obter informações suficientes para montar um kit o mais fidedigno possível. Para tal, é importante que haja por parte do modelista a disposição de pesquisar sobre o tema e, com base em uma pesquisa mais aprofundada, construir seu modelo.

Este artigo não visa ser uma espécie de “bíblia” ou “manual” para a montagem de um kit representando um dos 83 Shermans que vieram para o Brasil, muito pelo contrário, como toda pesquisa histórica, faço minhas conclusões com base no material documental disponível até o momento e, devido a isso, com o surgimento de novos documentos pode ser que algumas das coisas que citarei aqui estejam equivocadas. Focarei este trabalho na escala de militaria que me é mais familiar, a escala 1:35.

Entre as referências que utilizarei está o excelente livro “M4 Sherman no Brasil” de Hélio Higuchi e Paulo Roberto Bastos Jr. Digo que é um excelente material tendo em vista que se trata de uma profunda pesquisa realizada pelos autores, sendo este o primeiro livro específico sobre um único modelo de blindado em serviço no Exército Brasileiro. Porém, todo pioneirismo tem seu preço, e o livro tem seus pequenos erros e algumas omissões, ainda mais quando se trata da exatidão necessária para se montar um modelo em escala fidedigno.

Definindo os modelos

          Tão importante quanto saber fazer uma boa montagem, pintura e acabamento é também ter o kit correto ou o mais próximo do correto para se ter como resultado um modelo fidedigno. Quando falamos dos M4 Sherman no EB temos que já ter em mente, antes mesmo de tirar o kit da caixa, qual o veículo específico que se quer representar. Esta necessidade advém da própria forma como os Shermans foram produzidos e de como o Brasil os recebeu.

          Ora, é sabido que os M4 Sherman tinham modificações introduzidas na linha de produção a todo momento e que várias empresas foram contratadas para produzi-lo, uma vez que era necessário que um massivo número de unidades fossem enviadas para a frente de batalha. Com isso, as variantes do M4 Sherman chegam à casa das dezenas.

          O Brasil recebeu apenas um lote de M4 Sherman, 2 lotes do M4 Composite Hull e um lote do M4A1, totalizando pelo menos 5 versões do carro de combate. São elas:

-M4 Sherman Direct Vision (DV);

-M4 Sherman No Direct Vision (NDV);

-M4 Sherman Composite Hull Big Hatch “Early”;

-M4 Sherman Composite Hull Big Hatch “Modernizado”;

-M4A1E9 Sherman Small Hatch “Modernizado”.

          Para trabalharmos o M4, utilizaremos basicamente dois kits recentes e de acessibilidade relativamente fácil. Tratam-se dos kits M4 Normandy (Dragon 6511) e M4 DV (Dragon 6579). Ambos podem ser facilmente utilizados para representar uma das viaturas recebidas pelo EB.

          Quando formos trabalhar o M4 Composite Hull, utilizaremos o kit M4 Composite Hull PTO (Dragon 6441), único kit injetado na escala 1/35 a representar um CH e que pode ser utilizado para montagem dos “Composites” do 1º e do 2º lote alternando algumas peças.

          Quando da montagem de um M4A1E9, utilizaremos os kits M4A1 Mid Production (Tasca ****) ou o M4A1 Late Production (Tasca ****), que são os modelos mais recentes a representar a versão básica para conversão em um M4A1E9 do EB.

O M4 Sherman

          Se pararmos para observar os 2 kits indicados para a montagem da versão M4 veremos que ambos possuem características diferentes na parte frontal e na traseira do upper hull. Estas diferenças concentram-se basicamente no tipo de visão para o exterior que o motorista e seu auxiliar tinham acesso e no ângulo da chapa traseira. Esta é a diferença-mor entre os 2 modelos, e pode causar uma certa confusão para o modelista.

O modelo Dragon 6579 representa o M4 Sherman DV (Direct Vision). Esta variação corresponde aos primeiros chassis de Sherman produzidos pela empresa Bawding. Nestes o bloco da escotilha do motorista era simples, sem o periscópio frontal para a visão externa, contando apenas com o periscópio da escotilha e uma janela frontal aberta. Este sistema tornava a região da escotilha do motorista uma região bastante frágil, expondo os motorista e seu auxiliar. Visado resolver isso, foi adicionado em campo e nas últimas unidades do modelo a sair de fábrica duas placas frontais de blindagem, uma a frente de cada escotilha, o que cobria a antiga janela frontal do motorista e do seu auxiliar, mas ao mesmo tempo dava uma proteção  a mais para ambos.

Todos os M4 DV do Exército vieram com esta placa frontal, configurando serem os mesmos dos últimos exemplares do modelo a saírem de fábrica. Os M4 DV do EB eram: EB11-344, 345, 346, 347, 348, 349, 350, 351, 352, 353, 354, 355, 356

O modelo Dragon 6511 reperesenta o M4 Sherman NDV. Esta variação corresponde aos modelos de meio da produção (mid production).



[1] O autor é Graduado em História pela Universidade Federal do Ceará e Ex-Cadete do Exército

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