Retirei essa foto da página do Márcio Pinho, grupo Segunda Guerra Mundial, onde ele posta fotos raríssimas, o melhor material sobre a segunda guerra que já vi publicado nas redes. Observem bem:

"Na foto,um Tiger I novo em folha recém-saído da fábrica Henschel em 1942."

Isso me faz lembrar o por que eu comecei a montar militaria. Certa vez iria ser feito um GB de T-34 e um dos bam-bam-bans do fórum, garoto "ixperto", tava se batendo contra um simples mortal porque ele havia feito um tanque sem sujeiras e desgastes. Eu entrei na briga e falei exatamente sobre o que podemos ver na foto. Quando um tanque saia de sua fábrica, ele deveria estar sujo e desgastado? Sendo o modelismo a arte de reproduzir em miniatura as peças em um determinado período, o modelista não poderia querer retratar o tanque exatamente no dia e na hora em que saia da fábrica? Mereceria uma medalha num open ou não? 

Não acredito em regras rígidas no modelismo, acho que se um modelista quiser fazer esse da foto, limpinho, tá valendo, e se estiver bem feito, retratando o momento, por que não ganhar medalha também? Talvez fazer algo lisinho seja mais difícil que fazer algo onde os desgastes escondam erros. Que o digam os modelistas que fazem carros, com aquele brilho maravilhoso do verniz.

Eu sei que depois de entrar nessa briga, entrei no GB, fiz um T-34/85 m. 42 na escala 1/72 em uma vinheta e não parei mais. Esse aqui:

 

Tomei tanto gosto pela militaria que hoje monto mais ítens dela que de aviação, que sempre foi minha praia.

O que acham do padrão da foto do Tiger saindo da fábrica? Pode ou não ser retratado assim?

Original Post

Meu caro Oswaldo,

Em modelismo tudo é possível. Já vi um pequeno diorama na 1/72 retratando uma linha de montagem de Tigers, o que permitiu uma abordagem bem diferente das que normalmente vemos por aí.

Seja como for, isso aqui é um hobby. Ninguém é obrigado a reproduzir um desgaste super elaborado para ser feliz.

[  ]s

Oswaldo tocou num nervo exposto da militaria, o velho tema dos desgastes nos tanques e outros veículos. Mas você está certo, Oswaldo. Qualquer armamento que acabou de sair de fábrica não pode estar outra coisa, além de novo em folha. Somente alguém com o raciocínio de uma Dilma ou que more numa dimensão paralela acha que a peça já é fabricada com lama, arranhados e ferrugens. Ou muito pior: sai de fábrica com "envelhecimento"!  Eu morro de rir com isso...

E sim, é mais difícil representar realisticamente um veículo militar novo, mas já vi modelos espetaculares pintados assim.

Vale repetir que o tempo médio de duração de um tanque (ou outro veículo militar) no front ativo, durante a Segunda Guerra, era de algumas semanas apenas. Sujo, ficava. Velho, não. Se a tripulação sobrevivesse ao seu veículo destruído, recebia outro, zerinho.

 

Pois é, Carlos. Eu até acho legal, em termos de técnica, desgastes extremamente acentuados, mas levando-se em conta esse fato de os veículos sobreviverem por um tempo não tão curto, a representação exagerada pode ser mais incorreta que o veículo empoeirado, com alguns amassados apenas, ou novos de fábrica, enfim.

Acredito que muitas máquinas de terraplenagem que vemos em pequenas empresas ou pequenas prefeituras estejam, hoje, muito mais desgastadas que boa parte dos equipamentos que foram destruidos na guerra.

Sobre a pintura e a representação - isto você, como um artista de envergadura internacional que é - sabe bem que fazer algo liso e perfeito pode ser muito mais difícil que o desgastado, escondendo falhas. E, assumo publicamente, já fiz desgaste com descascado ou dano sobre partes de kits que montei e percebi falhas (acho que comprometi minha ida para o paraiso dos modelistas perfeccionistas com essa revelação, mas acho que tenho muitos outros companheiros de armas nesse mesmo caminho rsrs). Fico de cara quando vejo os kits montados de carros, caminhões e formula 1 nos opens da vida, pinturas inimagináveis para o meu padrão. Nesse caso não há como esconder algo, é pureza de trabalho, e acho que montar blindados e aviões assim é muito mais difícil.

Rapaz, esse mesmo "garoto ixperto" que estava se batendo contra um que dizia que seu tanque não deveria ter desgaste foi capaz certa vez de discutir sobre a cor da terra representada num diorama, dizia que era diferente do tom e da textura da terra encontrada no inverno russo em Stalingrado. Terra essa que, fora por fotos em branco e preto, o ilustre mestre dos mestres nunca viu de perto, nem mesmo na semana passada, imagina então se a viu à época da segunda guerra. Expert discutindo como se lá estivesse. Um sujeito capaz de discutir a cor do P47 do Torres com ele se fosse possível, e olha que iria provar a ele que o que o próprio viu e voou estava errado, o FS era outro. Enfim, contadores de rebites sempre existirão, e muitas vezes eles desanimam os novos modelistas pela sua petulância. Acho que isso não é bom pro hobby, mas...

Abraços de seu fã, caro Carlos!

Carlos Chagas posted:

Oswaldo tocou num nervo exposto da militaria, o velho tema dos desgastes nos tanques e outros veículos. Mas você está certo, Oswaldo. Qualquer armamento que acabou de sair de fábrica não pode estar outra coisa, além de novo em folha. Somente alguém com o raciocínio de uma Dilma ou que more numa dimensão paralela acha que a peça já é fabricada com lama, arranhados e ferrugens. Ou muito pior: sai de fábrica com "envelhecimento"!  Eu morro de rir com isso...

E sim, é mais difícil representar realisticamente um veículo militar novo, mas já vi modelos espetaculares pintados assim.

Vale repetir que o tempo médio de duração de um tanque (ou outro veículo militar) no front ativo, durante a Segunda Guerra, era de algumas semanas apenas. Sujo, ficava. Velho, não. Se a tripulação sobrevivesse ao seu veículo destruído, recebia outro, zerinho.

 

Parabens pela colocação  pq  eu mesmo  já tive  varias  pessoas  que acham  que  em   uma encarnação ou  em  um delirio pessoal  qualquer  já  quiseram até  bater  boca  por  eu  me  coadunar  com o que  vc  falou

jgap posted:
Carlos Chagas posted:

Oswaldo tocou num nervo exposto da militaria, o velho tema dos desgastes nos tanques e outros veículos. Mas você está certo, Oswaldo. Qualquer armamento que acabou de sair de fábrica não pode estar outra coisa, além de novo em folha. Somente alguém com o raciocínio de uma Dilma ou que more numa dimensão paralela acha que a peça já é fabricada com lama, arranhados e ferrugens. Ou muito pior: sai de fábrica com "envelhecimento"!  Eu morro de rir com isso...

E sim, é mais difícil representar realisticamente um veículo militar novo, mas já vi modelos espetaculares pintados assim.

Vale repetir que o tempo médio de duração de um tanque (ou outro veículo militar) no front ativo, durante a Segunda Guerra, era de algumas semanas apenas. Sujo, ficava. Velho, não. Se a tripulação sobrevivesse ao seu veículo destruído, recebia outro, zerinho.

 

Parabens pela colocação  pq  eu mesmo  já tive  varias  pessoas  que acham  que  em   uma encarnação ou  em  um delirio pessoal  qualquer  já  quiseram até  bater  boca  por  eu  me  coadunar  com o que  vc  falou

Vejo que mais gente pensa assim, isso é bom. Acho que um dia alguma coisa vai mudar no pensamento dos modelistas. No último open de Catanduva observei bem os kits, e não vi mais aqueles exageros de desgastes nos tanques de guerra, tudo muito sóbrio, bem definido. Há que se destacar que o evento foi fabuloso também, além da recepção sempre incrível do pessoal de lá. O Lucas Rizzi fez a cobertura pelo Spruemaster, vale a pena dar uma olhada.

Oswaldo,
 
É mais questão de gosto ou modismo, quase sempre montava tudo como "saídos da fábrica", devo ter uns 200 kits assim, que hoje eu olho e no geral, parece que falta alguma coisa...
 
De uns 10 anos para cá montei uns 60 "desgastados e sujos", mas não muito e confesso que acho melhores assim
 
Com a prática, talvez eu dê uma reformada naqueles primeiros 200
 
Limpo, desgastado ou sujo não é nada, gosto de pintar com pincel, isto sim é uma heresia máxima, que muita gente não se conforma. Lógico que nunca vou atingir o mesmo patamar de um aerógrafo, nem quero, pois é assim que eu me divirto
 
Além do mais, se eu fosse realmente montar tudo que tenho na caixa com o detalhismo e perfeição que eu poderia chegar a montar, demoraria muitas vidas e provavelmente investiria muito dinheiro, que prefiro gastar em outras coisas que não sejam só modelismo
 
Claro que nunca vou participar de um concurso, conheço minhas limitações, estou naquela fase onde o importante é diversão, se alguém gostou e aprendeu alguma coisa com minhas montagens ótimo, senão paciência...
 
PlastiAbraços

Esse assunto geralmente rende uns bons debates. Máquinas de terraplanagem, conforme a foto que o Oswaldo postou acima, são queridas por modelistas, que as usam como referências de sujeira para os tanques. Mas muitos se esquecem que um grande número delas já têm muitos anos de uso, então a sujeira e o desgaste são muito maiores.

Talvez faça mais sentido o sujeito tentar recriar, o mais logicamente possível, o dia a dia de um, digamos, Tigre I, que saiu da fábrica no dia 1 (estalando de novo), rodou até uma plataforma ferroviária no dia 2 (e já se empoeirou um pouco, as lagartas atritaram nas rodas e os dentes ficaram polidos), embarcou no vagão de transporte e ficou 2 ou três dias ali. Cinco dias depois rodou na terra e na lama, entrou em combate, levou uns tiros leves, e parou para reabastecer, etc, etc. Lá pelo 20º dia de uso, está com poeira (que pode ter sido lavada um pouco pela chuva), alguma lama na suspensão, uma ou duas marcas de tiro, talvez um para-lama amassado e manchado de combustível e óleo lubrificante, nos lugares certos.

Daí o modelista escolhe o dia deste "calendário", no qual o seu Tigre vai ficar situado. O legal é que pode ser qualquer um. Ninguém está obrigado a fazer o seu modelo como se fosse o último dia de vida de um tanque todo esmulambado e detonado, como se fosse alguma exigência de concurso, ou que esse acabamento é o mais bonito de todos. Isso é pensamento infantil.

Com um pouco de pesquisa, é possível saber qual unidade viu ação, em qual lugar, e em que época do ano. Entretanto, mesmo com a quantidade de sujeira (cujo excesso será removido na manutenção obrigatória) que acumulou em vinte dias de uso no front, ainda é uma máquina nova. Ela foi fabricada há três semanas, lembra? Mais umas três ou quatro semanas em combate, e já era. O tanque foi destruído e trocado por outro, e o ciclo recomeça. A carcaça que sobrou fica no front, ou é rebocado de volta pra fábrica, se der para salvar. Poucos tiveram a sorte de sobreviver à guerra, como se sabe.

Já pensou se nenhum veículo militar jamais fosse destruído na Segundona? Ia ter tanto tanque, meia-lagarta e caminhão engarrafando as estradas, que a guerra ia parar por impossibilidade de movimento, haha. Mas foram destruídos aos montes, e o aço deles reciclado para a reconstrução das cidades devastadas na guerra.

Oswaldo, obrigado pelo seu comentário.

Eu ia acrescentar algo curioso sobre "wheathering", mas esta postagem ficou longa demais. Depois eu faço isso.

Rubens, concordo contigo. E te falo mais, por que pintar com o pincel é uma heresia? Lembra que já me presenteou com kit seu montado? Não deve nada a qualquer kit pintado em aerógrafo, perfeito. Você é um dos grandes nomes do modelismo pra mim. E mais, falando nos seus kits para montar em grande quantidade ai, demandando algumas encarnações, fácil resolver, manda metade pra cá! 

Carlos, a essência do modelismo pra mim está bem descrita nesse seu parágrafo: "Daí o modelista escolhe o dia deste "calendário", no qual o seu Tigre vai ficar situado. O legal é que pode ser qualquer um. Ninguém está obrigado a fazer o seu modelo como se fosse o último dia de vida de um tanque todo esmulambado e detonado, como se fosse alguma exigência de concurso, ou que esse acabamento é o mais bonito de todos. Isso é pensamento infantil." Discussões sempre haverão, mas se cada um que vê um kit ou o julga num evento, se for o caso, pensar dessa forma, aceitar que cada modelista pode retratar uma época, que nem todos são obrigados a retratar o último dia de vida de um blindado, com certeza as discussões seriam menores, menos iniciantes se sentiriam desmotivados por críticas às vezes sem sentido e o hobby seria muito mais um hobby que uma paranóia. O que estraga é que tem sempre alguns "experts" que dizem que o modelismo é a "arte de se recriar em miniatura um veículo real", mas não se dão conta de que esse veículo real passou por fases, e se o modelista não retratar exatamente a fase que aquele crítico gosta, ele sempre estará errado.

Alemão, concordo contigo também que o Fusca 1976 do seu pai só teve esse brilho enquanto na loja, polido, novinho e com iluminação ideal, coisa que na semana seguinte já não existia mais. Porém, e se o modelista que fez esse Fusca quis retratar exatamente esse dia que seu pai comprou, ainda em condição de loja? Ficou ou não ficou maravilhoso? E que técnica! Fazer um brilho daqueles é bem mais difícil que fazer isso: 

E o legal no modelismo é isso, podemos retratar um Fusca como um lindo exemplar de loja ainda por vender ou um usado pelo Afrika Korps, detonado. Como julgar a vontade e a intenção do modelista? Basta apreciarmos, e como eu, babar na montagem daquele Fusca azul, muito acima do que eu conseguiria imaginar fazer um dia.

Abraços aos três!

Oswaldo,
 
Veja bem, para mim e talvez até para você meus kits sejam bons, mas como você mesmo citou "Mereceria uma medalha num open?", provavelmente não, simplesmente não dá para competir com pincel,  aerografado sempre fica melhor... Um kit limpinho também teria desvantagem, bem como, se não tiver algum desgaste. Talvez nem seja o mais fiel, mas é o que agrada a maioria.
 
Muitos anos atrás, quando participava em concursos, usava pincel só para detalhes, no mais eram automotivas com pistola de pintura, pois ainda não existia aerógrafo, tinha um tal "airbrush" mas custava uma fortuna!!!
 
Naquele tempo fazia aviões, todos devidamente desgastados, com washes, muito chipping, fuligem etc. e tal, era moda fazer o pneu "assentado" (quase parecia furado) e canopys vac-u-form (de tão transparentes e brilhosos, só se via a moldura). Já achava exagerado, hoje seria mais ainda, mesmo assim, quase sempre ganhava uma medalhinha
 
Em resumo, tem que dançar conforme a música, um kit para diversão pode ser completamente diferente de um para concurso, ainda que montado pela mesma pessoa
 
De acordo com a época também, tem até marca de tinta e pigmentos caindo na preferência geral, já ouvi absurdos tipo "O Rust da Vallejo não é tão real quanto o Mig", isto depende de uma série de fatores, desde a aplicação até a experiência e adaptação do modelista... Eu uso minhas Acrilex e sou feliz
 
Quanto a partilhar parte de meu estoque com você não vai dar, além do mais não vejo você montar nada faz tempo, para manter encaixotado, mantenho comigo
 
Falando nisso, recentemente achei aquele Hanomag que te prometi há muuuuito tempo, se ainda quiser, abre um PVT e passa teu endereço.
 
Abração e Plastiabraços

Vou da o meu pitaco.

No caso dos concursos, acho que estão elucubrando sobre minúcias quando a realidade dos julgamentos é completamente outra.

Posso garantir para vocês que durante o julgamento a esmagadora maioria dos modelos são eliminados por erros básicos, manchas de cola, erros de alinhamento, falhas na pintura e etc. Já tive a oportunidade de julgar categorias inteiras em que o que ganhou foi o que tinha menos erros básicos. Se foi representado como novo ou usado, ou se usou esta ou aquela técnica não entra nem em cogitação na grande maioria das vezes..

Claro que as vezes você se depara com uma categoria em que tem mais de um modelo fora da curva, ai a coisa cai no terreno da subjetividade, do gosto de quem esta julgando, mas isso é uma característica de qualquer julgamento subjetivo (quando esgotados os critérios objetivos). Mas posso garantir, pela minha experiência, que isso acontece muito poucas vezes.

Existe uma enorme diferença entre olhar a modelos em cima da mesa, e ter a oportunidade de examinar cada um cuidadosamente.

Se um modelo esta bem montado e bem pintado, seja lá de que forma for ou que técnica tenha sido usada, tem uma chance enorme de ser premiado.

Aqui no Rio tem um modelista de Petrópolis, que faz tudo no pincel, usa as técnicas mais básicas e que já ganhou inúmeros prêmios aqui e em concursos fora do Rio, simplesmente porque faz o trabalho bem feito.

Ps. Eu sei, que em alguns julgamentos, existem razões que a própria razão desconhece, mas isto é outra história.

Carlos Chagas posted:

Esse assunto geralmente rende uns bons debates. Máquinas de terraplanagem, conforme a foto que o Oswaldo postou acima, são queridas por modelistas, que as usam como referências de sujeira para os tanques. Mas muitos se esquecem que um grande número delas já têm muitos anos de uso, então a sujeira e o desgaste são muito maiores.

Talvez faça mais sentido o sujeito tentar recriar, o mais logicamente possível, o dia a dia de um, digamos, Tigre I, que saiu da fábrica no dia 1 (estalando de novo), rodou até uma plataforma ferroviária no dia 2 (e já se empoeirou um pouco, as lagartas atritaram nas rodas e os dentes ficaram polidos), embarcou no vagão de transporte e ficou 2 ou três dias ali. Cinco dias depois rodou na terra e na lama, entrou em combate, levou uns tiros leves, e parou para reabastecer, etc, etc. Lá pelo 20º dia de uso, está com poeira (que pode ter sido lavada um pouco pela chuva), alguma lama na suspensão, uma ou duas marcas de tiro, talvez um para-lama amassado e manchado de combustível e óleo lubrificante, nos lugares certos.

Daí o modelista escolhe o dia deste "calendário", no qual o seu Tigre vai ficar situado. O legal é que pode ser qualquer um. Ninguém está obrigado a fazer o seu modelo como se fosse o último dia de vida de um tanque todo esmulambado e detonado, como se fosse alguma exigência de concurso, ou que esse acabamento é o mais bonito de todos. Isso é pensamento infantil.

Com um pouco de pesquisa, é possível saber qual unidade viu ação, em qual lugar, e em que época do ano. Entretanto, mesmo com a quantidade de sujeira (cujo excesso será removido na manutenção obrigatória) que acumulou em vinte dias de uso no front, ainda é uma máquina nova. Ela foi fabricada há três semanas, lembra? Mais umas três ou quatro semanas em combate, e já era. O tanque foi destruído e trocado por outro, e o ciclo recomeça. A carcaça que sobrou fica no front, ou é rebocado de volta pra fábrica, se der para salvar. Poucos tiveram a sorte de sobreviver à guerra, como se sabe.

Um detalhe adicional é que quando um veiculo de lagartas se move, todo o conjunto de rodas e lagarta se move (óbvio, né ?) e que esse movimento elimina boa parte desse acumulo de barro e sujeira em determinadas partes.

O caso é que o modelista "faz a sujeira" com o kit parado e, geralmente com a suspensão já montada, e crê que quanto mais melhor, sem prestar atenção para esse detalhe.

Valls

Augusto posted:

, provavelmente não, simplesmente não dá para competir com pincel,  aerografado sempre fica melhor...

Nem sempre, tudo é uma questão de se escolher o que representar, com fazer isso com um aerógrafo?

Caro Augusto,

Se eu fosse fazer um destes para concurso pintaria o máximo com aerógrafo e é claro o "branco" com pincel, mas este é um caso muito especial.

Com certeza, neste caso só pincel teria boas chances, mas para chegar mais perto de ser premiado, aerógrafo sempre ajuda...

Por outro lado, num avião com acabamento metálico em 1/72 é quase impossível de obter bons resultados com pincel. Dá para passar dias (ou semanas) pincelando camadas fininhas de tinta muito bem preparada, em sentidos alternados ou pulverizar tudo nuns poucos minutos (ou dias, dependendo do efeito).

Mas é lógico, não adianta ter o melhor aerógrafo e tinta do mundo e borrar, pintar grosso ou deixar partes expostas do plástico, além é claro do básico como você lembrou muito bem, manchas de cola, desalinhamento, frestas sem fechar e/ou putty demais, silvering e por aí vai... Além de como já citado pelo Chagas Valls e demais colegas, exageros com desgaste, envelhecimento, sujeira, lama e afins.

PlastiAbraços

Valls posted:
Carlos Chagas posted:

Esse assunto geralmente rende uns bons debates. Máquinas de terraplanagem, conforme a foto que o Oswaldo postou acima, são queridas por modelistas, que as usam como referências de sujeira para os tanques. Mas muitos se esquecem que um grande número delas já têm muitos anos de uso, então a sujeira e o desgaste são muito maiores.

Talvez faça mais sentido o sujeito tentar recriar, o mais logicamente possível, o dia a dia de um, digamos, Tigre I, que saiu da fábrica no dia 1 (estalando de novo), rodou até uma plataforma ferroviária no dia 2 (e já se empoeirou um pouco, as lagartas atritaram nas rodas e os dentes ficaram polidos), embarcou no vagão de transporte e ficou 2 ou três dias ali. Cinco dias depois rodou na terra e na lama, entrou em combate, levou uns tiros leves, e parou para reabastecer, etc, etc. Lá pelo 20º dia de uso, está com poeira (que pode ter sido lavada um pouco pela chuva), alguma lama na suspensão, uma ou duas marcas de tiro, talvez um para-lama amassado e manchado de combustível e óleo lubrificante, nos lugares certos.

Daí o modelista escolhe o dia deste "calendário", no qual o seu Tigre vai ficar situado. O legal é que pode ser qualquer um. Ninguém está obrigado a fazer o seu modelo como se fosse o último dia de vida de um tanque todo esmulambado e detonado, como se fosse alguma exigência de concurso, ou que esse acabamento é o mais bonito de todos. Isso é pensamento infantil.

Com um pouco de pesquisa, é possível saber qual unidade viu ação, em qual lugar, e em que época do ano. Entretanto, mesmo com a quantidade de sujeira (cujo excesso será removido na manutenção obrigatória) que acumulou em vinte dias de uso no front, ainda é uma máquina nova. Ela foi fabricada há três semanas, lembra? Mais umas três ou quatro semanas em combate, e já era. O tanque foi destruído e trocado por outro, e o ciclo recomeça. A carcaça que sobrou fica no front, ou é rebocado de volta pra fábrica, se der para salvar. Poucos tiveram a sorte de sobreviver à guerra, como se sabe.

Um detalhe adicional é que quando um veiculo de lagartas se move, todo o conjunto de rodas e lagarta se move (óbvio, né ?) e que esse movimento elimina boa parte desse acumulo de barro e sujeira em determinadas partes.

O caso é que o modelista "faz a sujeira" com o kit parado e, geralmente com a suspensão já montada, e crê que quanto mais melhor, sem prestar atenção para esse detalhe.

Valls

Muito bem colocado também.

Augusto posted:

Vou da o meu pitaco.

No caso dos concursos, acho que estão elucubrando sobre minúcias quando a realidade dos julgamentos é completamente outra.

Posso garantir para vocês que durante o julgamento a esmagadora maioria dos modelos são eliminados por erros básicos, manchas de cola, erros de alinhamento, falhas na pintura e etc. Já tive a oportunidade de julgar categorias inteiras em que o que ganhou foi o que tinha menos erros básicos. Se foi representado como novo ou usado, ou se usou esta ou aquela técnica não entra nem em cogitação na grande maioria das vezes..

Claro que as vezes você se depara com uma categoria em que tem mais de um modelo fora da curva, ai a coisa cai no terreno da subjetividade, do gosto de quem esta julgando, mas isso é uma característica de qualquer julgamento subjetivo (quando esgotados os critérios objetivos). Mas posso garantir, pela minha experiência, que isso acontece muito poucas vezes.

Existe uma enorme diferença entre olhar a modelos em cima da mesa, e ter a oportunidade de examinar cada um cuidadosamente.

Se um modelo esta bem montado e bem pintado, seja lá de que forma for ou que técnica tenha sido usada, tem uma chance enorme de ser premiado.

Aqui no Rio tem um modelista de Petrópolis, que faz tudo no pincel, usa as técnicas mais básicas e que já ganhou inúmeros prêmios aqui e em concursos fora do Rio, simplesmente porque faz o trabalho bem feito.

Ps. Eu sei, que em alguns julgamentos, existem razões que a própria razão desconhece, mas isto é outra história.

Falou tudo o que eu pensei!

Assef posted:
Augusto posted:

Vou da o meu pitaco.

No caso dos concursos, acho que estão elucubrando sobre minúcias quando a realidade dos julgamentos é completamente outra.

Posso garantir para vocês que durante o julgamento a esmagadora maioria dos modelos são eliminados por erros básicos, manchas de cola, erros de alinhamento, falhas na pintura e etc. Já tive a oportunidade de julgar categorias inteiras em que o que ganhou foi o que tinha menos erros básicos. Se foi representado como novo ou usado, ou se usou esta ou aquela técnica não entra nem em cogitação na grande maioria das vezes..

Claro que as vezes você se depara com uma categoria em que tem mais de um modelo fora da curva, ai a coisa cai no terreno da subjetividade, do gosto de quem esta julgando, mas isso é uma característica de qualquer julgamento subjetivo (quando esgotados os critérios objetivos). Mas posso garantir, pela minha experiência, que isso acontece muito poucas vezes.

Existe uma enorme diferença entre olhar a modelos em cima da mesa, e ter a oportunidade de examinar cada um cuidadosamente.

Se um modelo esta bem montado e bem pintado, seja lá de que forma for ou que técnica tenha sido usada, tem uma chance enorme de ser premiado.

Aqui no Rio tem um modelista de Petrópolis, que faz tudo no pincel, usa as técnicas mais básicas e que já ganhou inúmeros prêmios aqui e em concursos fora do Rio, simplesmente porque faz o trabalho bem feito.

Ps. Eu sei, que em alguns julgamentos, existem razões que a própria razão desconhece, mas isto é outra história.

Falou tudo o que eu pensei!

No teu caso não vale. É tudo história de pescador...

O Raguenet postou "Quando o mais é demais" em Assuntos Gerais, e surgiu a palavra "envelhecimento" num texto que ele traduziu. Achei um bom motivo para tocar no assunto do "wheathering", como disse aqui antes. Comecei com este texto, mas o tópico inteiro dele está bom, e merece uma visita para ler.


"Sites inteiros, revistas, blogs e grupos de discussão surgiram sobre a arte da pintura, envelhecimento e apresentação dos resultados. Me mostre apenas um que lida com o prazer de colar 1000 pequenas peças plásticas, 750 das quais nunca mais serão vistas! Não existem muitos, existem?"

Raguenet, mandou bem. Mas eu marquei a palavra acima em vermelho, porque este equívoco de tradução, tão comum, sinaliza a origem de outro equívoco no acabamento dos modelos.

Por coincidência, eu estava pensando em escrever um tópico exatamente sobre isso, e cheguei a mencionar a intenção em outro, tópico "Desgaste desse Tigre", postado pelo Oswaldo.

No texto original, (link que você forneceu) está escrito "wheathering". A tradução correta disso significa "estar exposto, ou sujeito ao desgaste pelo tempo".

Mas atenção, não é tempo cronológico. É tempo climatológico ou meteorológico. Não temos uma palavra específica em Português para diferenciar esses dois "tempos" aí. Quando alguém diz "Meu carro dorme ao tempo, na rua". está dizendo que o veículo pega sol, toma chuva, vento, poeira, neve, granizo, cocô de pombo, cinza vulcânica, ou o diabo que for. Não quer dizer que o carro está estacionado lá fora há dez anos, pois pode ter sido comprado, zerinho, no mês passado. Só está sujo. Novo e sujo.

Ao traduzimos a palavra "wheathering" para "envelhecimento", e implementá-la assim, vemos aberrações como um King Tiger em combate, fabricado há semanas, todo cheio de ferrugem e descascado, com peças de cores diferentes, etc. Chama a atenção, mas é falso feito pirita. Envelhecimento serve para máquinas de terraplanagem, ou até para os tanques mais atuais em combate. Na Segunda Guerra eles não duravam muito para envelhecer.

A palavra inglesa para "envelhecimento" é "ageing" ou "aging".

Perfeito, Carlos! E excelente o tópico do Raguenet também.

"A palavra inglesa para "envelhecimento" é "ageing" ou "aging"."

Aqui você acabou de vez com uma confusão muito comum ao modelista brasuca, aquele que termina a pintura e fala que vai fazer o "Wheathering" (e tem que ser em inglês pra parecer mais "phodão"), que entende que vai fazer o envelhecimento e ai, em muitos casos, começa um verdadeiro "desmanche" do kit, talvez como ele poderia estar depois de 15 ou 20 anos abandonado nos campos de batalha, não como à época dos combates.

Detalhe: Prefiro ter comigo como termo que faço "desgastes", coisa mais comum ao uso, não "Wheathering", sou brasileiro, acho que fica mais palatável.

Certa vez aprendi com o Xerife a fazer um "empoeiramento" nos caminhões e carros, de baixo para cima, com a mistura de preto, marrom e um pouco de branco, muito diluido, forçando mais quanto mais próximo do chão, dando um aspecto de poeira feita no aerógrafo, e fica muito convincente, por sinal. Para determinados veículos entendo não ser necessário nada mais que isso. Talvez algum risco na lataria, na pintura, enfim, mas sem exageros.

Olhem bem esse Opel Blitz na foto abaixo. Alguns pequenos amassados no paralamas, mas está bem cuidado até, nada de danos exagerados.

No próximo dá pra ver bem que está empoeirado, mas íntegro.

Mais um caso, bem conservado.

Sendo assim, pra mim este kit aqui está meio acima do que penso.

Esse aqui tá bem mais agradável de se ver, no meu conceito.

Abraços.

Veja que este caminhão tem até um certo brilho na pintura do capô.

A tinta empregada em qualquer veículo é automotiva de alta qualidade, além de receber prime e verniz para proteção da lataria e a turma insiste em encher de efeito de ferrugem o kit que representa um veículo que existiu. 

Nada contra quem deseja realizar esse tipo de técnica no kit, mas fica parecendo que o veículo estava abandonado num terreno baldio por décadas. 

Pelo menos no exército americano era assim: Equipamento na linha de frente, como tanques, carros de combate, etc., eram pintados com tinta bem fôsca, e existiam especificações para isso. O manual de cada veículo aconselhava nem esfregar muito um trapo para limpar, a fim de não polir a tinta. E sempre que possível, a pintura era retocada.

Veículos na retaguarda, como ambulâncias e outros transportes usavam a mesma cor (Olive Drab), mas a tinta era semi-fôsca.

Então, nem tudo era a mesma coisa.

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Bridi
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