O Brasil na PRIMEIRA Guerra Mundial (sabia?)

Fiquei de boca aberta quando li e divido aqui com vocês...

NÓS TAMBÉM TEMOS HERÓIS 

Quando uma amiga francesa me disse que tinha visto uma placa alusiva à participação dos brasileiros na Primeira Guerra Mundial no jardim do Hôpital de Vaugirard em Paris, franzi a testa e a corrigi com um sorriso condescendente: “Segunda Guerra”. Ela me sorriu de volta: “Não, Primeira. Me lembro de ter visto as datas 1914-1918. Tenho certeza.”

Como assim?

Nós não participamos da Primeira Guerra Mundial!!!

Ou participamos??

Vasculhei todos os cantos da minha memória procurando uma referencia sobre isso e não encontrei nenhuma. Só encontrei o sorriso dela de certeza absoluta. Constrangida com minha ignorância, me fingi de morta mas registrei mentalmente que ia checar aquela informação.

Foi assim que desci na estação de metrô Convention (linha 12) e fui caminhando pela rue Vaugirad em direção à Porte de Versailles. Cinco minutos de caminhada e cheguei ao Jardim do Hôpital de Vaugirard. O lugar é um pequeno oásis verde com uma longa alameda ladeada por gramados verdinhos, muitos bancos e árvores. Flanei pelo lugar a procura da placa e depois de alguns minutos eu a encontrei. Sim, lá estava ela. Meu francês é bem meia-boca mas deu pra entender o que estava escrito: “Aqui se ergueu o hospital franco-brasileiro dos feridos de guerra criados e mantidos pela colônia brasileira de Paris como contribuição na causa aliada 1914-1918. Placa inaugurada por ocasião do 80° aniversário da presença da Missão Médica Brasileira Especial na França.”

Gelei. Uma Missão Médica Brasileira na França na Primeira Guerra Mundial? Como eu nunca ouvi falar sobre isso?!!!! Como é que eu conheço toda a história do American Field Service, uma organização voluntária de norte-americanos para tratar os feridos durante a Primeira Guerra e nunca sequer ouvi falar de uma Missão Médica do meu próprio país???!!!! Imperdoável!!!

Com a ajuda do meu incansável amigo google, sentei em um dos bancos e pesquisei sobre o assunto. Descobri uma história fantástica de coragem, sacrifício e competência quando um navio brasileiro (La Plata) saiu do porto do Rio de Janeiro em 1918 iniciando uma viagem que seria, difícil, perigosa e trágica. 
O perigo rondava os mares com a presença dos famigerados U-boats alemães, submarinos de alta tecnologia que afundavam qualquer barco (política da Guerra Submarina Irrestrita) militar, mercante ou de passageiros, mesmo de países neutros. Inicialmente neutro, o Brasil só se declarou em estado de guerra em outubro de 1917 posicionando-se com os Aliados (EUA, França, Grã-Bretanha) por ter tido vários navios mercantes civis brasileiros afundados pelos alemães. Sem uma marinha ou exercito preparado para conflitos da envergadura de potências belicosas como Alemanha, Rússia, EUA e Grã-Bretanha, a ajuda do Brasil para o esforço de guerra foi muito mais voltada à causa humanitária. É aí que entra a Missão Médica Militar Brasileira (MMMB).

O La Plata levava a bordo 168 brasileiros entre médicos, cirurgiões, enfermeiros e farmacêuticos voluntariados para a missão, além de alguns oficiais da marinha e exército, cujo objetivo era chegar a Marsellha e de lá seguir para Paris para instalar e operar um hospital com capacidade para 500 leitos para cuidar dos feridos da guerra.

Os franceses cederam o belo prédio de um antigo convento jesuíta na rue Vaugirard e o hospital brasileiro foi instalado ali recebendo principalmente soldados franceses classificados como “grandes feridos”. Quando a Guerra terminou no final de 1918, o hospital, considerado pelos franceses como de ponta, ainda funcionou até 1919 atendendo a população civil francesa que ainda lutava contra a pandemia da gripe espanhola que varreu a Europa naquele ano. Com a desmobilização do hospital militar, alguns médicos foram convidados a permanecer na França, mas a maioria retornou ao Brasil.
Os franceses jamais se esqueceram desse ato fraterno dos brasileiros e alí estava eu diante da prova, em frente àquela placa. Fiquei envergonhada por desconhecer essa história, que é muito mais emocionante que vcs possam imaginar. Fiquei pensando: Pq não nos falam sobre isso na escola? Pq escondem de nós os nossos heróis? Pq nos autodenominamos “terra do samba e futebol” quando somos tão mais que isso? 

Estou escrevendo esse post por duas razões: a primeira é para mostrar como os franceses são gratos por nossa ajuda; a segunda é para desafiar vc a ir além da nossa mediocridade escolar. Se estiver em Paris, visite o Jardin Hôspital Vaugirard (metrô Convention), mas antes, para dar significado à sua visita, conheça essa história em detalhes em:

http://www.revistanavigator.co...g20/art/N20_art2.pdf e também no livro “O Brasil na Primeira Guerra” de Carlos Darós (ed. Contexto).

Sim, nós também temos nossos heróis e não são aqueles que jogam bola ou participam de reality shows...

Original Post

Isso sem falar na participação da Marinha, que enviou uma pequena esquadra para patrulhar o litoral africano - os cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul, quatro contratorpedeiros e dois auxiliares. Tem um bom livro sobre a participação da Marinha na Primeira Guerra Mundial, editado pela Bibliex, de autoria do Almirante Arthur Oscar Saldanha da Gama. Está fora de catálogo, mas costuma aparecer nos sebos.

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paulors posted:

Isso sem falar na participação da Marinha, que enviou uma pequena esquadra para patrulhar o litoral africano - os cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul, quatro contratorpedeiros e dois auxiliares. Tem um bom livro sobre a participação da Marinha na Primeira Guerra Mundial, editado pela Bibliex, de autoria do Almirante Arthur Oscar Saldanha da Gama. Está fora de catálogo, mas costuma aparecer nos sebos.

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Valeu a dica professor Paulo! Vou procurar!!!

Abraços! 

Mais dois nomes brasileiros de destaque na I Guerra foram o general Tertuliano Potyguara (que recebeu o posto de o posto de tenente-coronel por atos de bravura praticados em batalha) e o marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, que foi o pai da arma blindada no Brasil. Este último ficou impressionado com o que viu nos campos da França e trouxe pra cá os primeiros Renault FT 17. Na verdade ele queria os Whippet, mas os britânicos dificultaram um pouco as coisas. O marechal José Pessoa escreveu o livro "Os tanks na guerra europea", o primeiro livro sobre blindados da América do Sul.

o BRASIL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL -a longa travessia Autor: Carlos Daróz -editora  contexto -

um  livro pequeno  que relata  muito  bem  sobre as  dificuldades  e  motivos  da  entrada  do  brasil na ww1 -  novamente  apos  cinco navios  brasileiros  terem  sido  afundados  no teatro  maritimo europeu ...  custa  em torno de  35 , oo reais  na  saraiva  tem....tem varios  artigos  na revista  eletronica  navigator - 

tem  tambem de  marcelo  monteiro  o livro  do submarino responsavel  pela  entrada  do brasil na ww 1-  u 93- 

U-93 - A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial    de  Marcelo Monteiro  editora Edições Besouro Box -ISBN: 9788599275849   e  o mesmo  autor  do livro  u 507  o submarino que  afundou o brasil sobre ww2 - (este  infelizmente  ainda  não tenho) 

 só  para tentar resgatar  um pouco da memoria ..que é  quase  nula  por  estas  terras  incognitas..... afinal  se  muitos  sequer  sabem  que  o  brasil  lutou na segunda  guerra  mundial  e  ate  podem  mesmo  aqui em terras  brasilis  acharem  que  a capital  do brasil é  ainda no rio de  janeiro (guanabara)  ou em buenos  aires...lembrando-se  que  quem  não  conhece  ou se  lembra  do  passado  ,  não  entendera  facilmente  o  presente  e  terá  um  futuro  ainda mais  incerto ...otimas  leituras  arrecomendiu  ..plastiresiabços  paulo r  morgado  sp - sp 

O nosso poder público, na figura de sucessivos governos, se esforçou ao máximo para manter ignorados esses aspectos de nosso passado. Para nossos doutores do bem, temas como FEB, FAB, Itália, campanha do Atlântico, entre outros, não passam de lixo. Bom mesmo é exaltar terroristas, como Lamarca e Marighela.

É só a gente comparar as diferenças no trato aos veteranos e a sua história com outros países, como os EUA por exemplo.

 

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