Buenas,

uma passagem interessante do livro deste Ás da arma blindada alemã da IIGM onde ele descreve algumas situações inusitadas do caótico final...

"Nós encontramos o caos em todos os lugares. As estradas estavam completamente bloqueadas, os nossos pesados veículos (Jagdtigers) eram alvos fáceis para a aviação inimiga que dominava os céus. Através de panfletos, a população civil era requisitada pelos nossos líderes para abandonar os seus domicílios e retirar-se com as tropas. Somente uma pequena percentagem assim o fez.

Nós tínhamos o pressentimento de que o nosso exército pretendia empregar o gás Tabun, uma nova arma química que prontamente incapacitava o sistema nervoso. Mas o Alto-Comando provavelmente declinou da ideia por causa da nossa população civil que teria sido dizimada e também porque mesmo esta arma não mudaria o curso da guerra naquele estágio. A maioria dos civis permaneciam em suas casas esperando pelos americanos. Com certeza, apenas alguns deles acreditavam na estória dos "libertadores" que a muito já havia sido refutada pelo bombardeio impiedoso das cidades, agora em ruínas. Mas todos desejavam um fim aos perigos e medos inerentes. Apesar de tudo, não haviam os russos para serem temidos no oeste, de onde o pobre povo dos distritos orientais estavam fugindo em pânico sobre a neve e o gelo.

Na corrida contra o tempo, continuamente hostilizados pelos caças e bombardeiros, conseguimos chegar na cidade de Siegen. Apesar de nós termos escondido os canhões de assalto em celeiros ou sob pilhas de feno durante o dia, outros dois foram inutilizados pelo ataque dos caças e tiveram que ser explodidos. Como eu invejava aqueles camaradas que não precisaram experimentar esta batalha sem esperanças na Frente Ocidental durante as últimas semanas.

Em Siegen encontrei uma magnífica posição em terreno alto onde os postos de comando estavam localizados. De lá tínhamos amplos campos de tiro através de cortes na floresta para a estrada que conduzia através do vale no lado distante do Rio Sieg. Nós esperamos pelos americanos nesta posição, mas não obtivemos nenhuma vitória ali entretanto, embora eu tivesse permanecido no meu canhão de assalto para prevenir qualquer falha na defesa. Isto porque os ianques contavam com delatores no seio da população alemã. Os civis que haviam ficado para trás nos seus abrigos em adegas e porões, paravam e avisavam os americanos sobre a nossa posição. Eu até hoje me pergunto se algo parecido pode ser possível em outra nação.

Eu então retrai a minha companhia na direção de Weidenau e me posicionei para cobrir o obstáculo para tanques lá. Instalei o meu posto de comando no bunker antiaéreo de uma fábrica. Descobri conversando com um civil que boa parte da população civil estava cooperando com o inimigo, e a outra parte ainda nos apoiava. Nunca tive problemas para compreender que o povo estava apático e cansado da guerra mas que eles pudessem trair seus próprios compatriotas em favor do inimigo isso era incompreensível para mim. No início, nós deixávamos que a população fosse ao encontro dos ianques em busca de algumas gêneros e comida. Nós nunca revistamos os que voltavam. Eu logo notei que os americanos disparavam onde qualquer dos meus canhões de assalto estivessem, mesmo que eles não pudessem visualizar os alvos. Daquele momento em diante nós lacramos a linha de frente, ninguém mais podia passar.

Praticamente todos os nossos Kübelwagens estavam destruídos. Entretanto, nós decidimos buscar reposições para estes veículos junto aos americanos. Mas, ninguém deve pensar que este é um feito heroico! Os ianque dormiam dentro das casas à noite, como era adequado para "soldados combatentes". Quem os iria perturbar afinal! No máximo, havia uma sentinela ao lado de fora, mas somente se o clima estivesse bom. A guerra começava ao entardecer somente quando as nossas tropas recuavam e eles nos seguiam. Se, eventualmente, uma metralhadora alemã abrisse fogo, então a Força Aérea seria chamada para dar suporte mas, somente no dia seguinte.

Por volta da meia-noite partimos em quatro homens e retornamos não muito depois disso com dois jipes. O mais conveniente foi que não precisamos de qualquer chave para acionar os veículos. Somente um relé de bloqueio necessitava ser acionado e os veículos estavam prontos para partir. Algum tempo depois de chegarmos às nossas linhas os ianques começaram a atirar selvagemente para o ar, provavelmente para acalmar os seus próprios nervos. Se uma noite estivesse suficientemente calma nós poderíamos facilmente dirigir até Paris."

Abraços.

Original Post

A leitura dessas memórias de guerra, em muitos casos, dá uma visão bem mais precisa de atividades militares limitadas ou mesmo batalhas.

Essa, em particular, mostra a trajetória desse comandante de blindados que fez história. É uma grande leitura.

Também digno de nota para mim é Order in Chaos The Memoirs of General of Panzer Troops Hermann Balck (University Press of Kentucky) e Grenadiers - The Story Of Waffen SS General Kurt Panzer Meyer. São obras que ajudam a entender um pouco melhor as longas jornadas de combate nos diferentes frontes.

É uma pena que não tenhamos traduções dessas e de outras obras do gênero, pois daria a todos um melhor entendimento da Segunda Guerra e do que decorreu dela. Mas isso é normal em um país que lê tão pouco...

Abs e obrigado pelo excerto curto, mas tão cheio de consequências elucidativas nas suas entrelinhas.

Wolf, Artemius 111!

Uma pena não termos mais acesso a essas publicações. E com o dólar acima dos R$4,00 fica mais difícil ainda.

O melhor seria seguir a sugestão do Wolf - aprender mais que uma língua...e de preferência ir usá-las fora daqui...pois este é o país do futuro... e sempre será....

Mas, vamos em frente!

Abraços e muito obrigado.

Excelente!!!!

  • "A leitura dessas memórias de guerra, em muitos casos, dá uma visão bem mais precisa de atividades militares limitadas ou mesmo batalhas."

Nada como a descrição dos verdadeiros participantes para "sentir" a realidade dos fatos. Que o diga a leitura de combates navais. Ler os sofrimentos de homens presos em navios pesadamente avariados e afundando dá outra dimensão da tragédia enquanto lutam para se salvar.

  • "Por outro lado essa carência força a quem deseja saciar o gosto pela matéria a aprender outra língua, o que acaba sendo uma vantagem."

Foi justamente o meu caso. Pena que fiquei somente no inglês...

"Uma pena não termos mais acesso a essas publicações. E com o dólar acima dos R$4,00 fica mais difícil ainda."

Nem diga...

Faço compras nos dois meios, pelo Kindle e pelo físico. Acontecem dois fatos, já posso ir lendo no Kindle e Smartphone enquanto aguardo a chegada do livro físico, ou como agora, depois de ler "Prisioner of OGPU"  e que tinha baixado para avaliar, acabei gostando tanto que fiz o pedido físico na Amazon USA.

Quanto ao "Dolar" ele na verdade não flutua, o que ocorre é a desvalorização do Real e me pareceu acertada minha decisão de prosseguir nas compras durante o ano pois percebe-se que há intenção do governo de desvalorizar o Real o mais possível, e quem não adiantou as compras pode encontrar uma situação mais difícil adiante.

Cardozo, é este o livro...

O fato é real e ele publicou o livro no meio da década de 30. Um representante comercial finlandês, tempos após a revolução bolchevista foi preso pela OGPU (posteriormente NKVD e KGB). Durante anos não houve uma acusação formal até que inventaram uma para justifica-lo.  O horror dos 5 anos de trabalhos forçado preso na Sibéria é de arrepiar...   Li-o primeiro no Kindle e agora pedi via Amazon em papel, merece integrar a biblioteca...  

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