Amigos, por um longo período estive afastado do modelismo. Trabalho, estudos, família e muitas outras atividades me tiraram um tempo de algo que sempre gostei. 

Mas em 2019 resolvi que faria algo que sonhava a muito tempo.  

Estar presente no dia 6 de junho na Normandia. E justamente quando se completava 75 anos.

Pois bem, passagens, compradas, carro alugado e consegui um lugar no Camping de Omaha Beach. 

Consegui quatro uniformes da 101 Airborne. E nós quatro(esposa e dois filhos) agora tínhamos uniformes que usamos em tributo a todos que lutaram naquelas praias.

Cheguei em Paris dia 01 de Junho, locamos uma van para comportar nossas malas mais barracas para o Camping (isso mesmo dormimos na Normadia em barracas). 

Pegamos a estrada e aceleramos literalmente para a Normandia. Tanto que fui multado por excesso de velocidade. Mas isso não estragou nossa viagem. Ao passar pelas paisagens do interior da França, ficávamos maravilhados e muito mais ansiosos para chegar.

Passei por Caen e o coração já batia muito mais forte, e quando entrei em uma estrada e vislumbrei de longe as águas do Atlântico e as areias de Omaha Beach, chorei pela primeira vez na frente de meus filhos.

Era uma emoção diferente de tudo que senti. Uma mistura de sentimentos incrível e indescritível.

Chegamos no camping(por sinal muito bem organizado e com um atendimento primoroso), hora de fazer o check in. E no meio de muitos americanos, franceses, ingleses, dinamarqueses, belgas e holandeses, me apresento dizendo meu nome e falando que sou do Brasil.

Vou admitir, tinha muito receio do tratamento que teria por ser do Brasil. Essa foi minha primeira viagem internacional, e sempre escutamos coisas sobre os brasileiros sofrerem algum preconceito.

Mas posso dizer que poucas vezes fomos tão bem recebidos. Na Normandia foram de muita cortesia e educação. E quando diziamos que éramos do Brasil, alguns comerciantes e cidadãos nos davam boas vindas e agradeciam por prestigiar a festividade. E foram várias vezes.

Mas depois de montar acampamento resolvemos fazer já uma exploração do local próximo ao camping. De cara uma enorme área de estacionamento com jeep's, Dodge's, meia lagartas, anfíbios e até Sherman's.

Uma igreja fantástica que fora parcialmente destruída nos combates e depois restaurada.

Voltamos para o Camping que dentro dele ainda estão presentes fortificações alemãs. Aquilo parecia um sonho. E era um sonho, só que estava sendo realizado.

E este foi apenas o dia 01.

 

 

Original Post

Dia 02 de Junho.

O nosso despertador era o pessoal da USAF dando raso sobre as praias com os C-130 pintados com as listras de invasão. Quer melhor modo de acordar?

Neste dia nos vestimos com os uniformes da 101 Airborne. Nosso primeiro ponto de parada um mercadinho muito bem organizado quase do lado do camping. Hora de comprar nosso desejum e já correr para o Cemitério Americano.

Chegamos cedo no Cemitério e não pegamos fila para passar pela inspeção de segurança e entramos direto para o setor que funciona como um museu com exposição de diversos equipamentos usados pelas tropas no Dia D.

Já sentia a emoção de estar ali, mas tinha muito mais nos aguardando. Ao sairmos da exposição entramos em um setor que funciona um memorial, neste local escutamos uma gravação com o nome dos soldados sepultados, algo que marca realmente. 

Depois nos dirigimos a área externa. Aquela visão das cruzes e estrelas de Davi(soldados judeus sepultados ali) me trouxe um vislumbre do tamanho da tragédia humana que ali aconteceu. A grande maioria ali eram quase que garotos, pouco mais velhos que meus filhos. E mesmo assim deixaram suas casas, pais, namoradas, esposas para lutar para libertar um povo diferente do seu.

A partir deste momento compreendi que os festejos são muito mais em gratidão a estes que lutaram que apenas uma comemoração por uma data histórica.

É emocionante e incrível o cuidado com cada detalhe, cada cruz esta precisamente alinhada, reta e muito bem conservada. Gramado nem parece real de tão perfeito. Fiquei maravilhado com o respeito e carinho que aquele local é preservado.

A capela é simples mas com uma pintura no teto que é marcante pela mensagem transmitida em sua imagem.  

Foi um dos locais que mais me marcaram. Mas estava na hora de ir embora. Nossa meta era chegar ao setor Sword, mais precisamente em Ouistreham.

Continua...

 

Luft46 posted:

Linda viagem! Estive la tambem e dia 6 de junho foi complicado entrar em Omaha Beach por causa da visita do Trump, mesmo com os convites da Embaixada dos USA!

Acabei indo para Saint Mere Eglise este dia.

Parabens, e´uma viagem inesquecivel.

Imagino que trouxeste areia de Omaha beach tambem!!! 

Abracos!

Trouxe areia de todos os cinco setores. 

No dia 06 estava do lado do Cemitério Americano só que na praia.  

Rogerio77 posted:

Parabéns Ferreira, não só pela viagem espetacular, mas por ter uma família tão bacana e compreensiva. Poucas esposas e filhos, numa primeira viagem internacional, aceitariam ir para um camping de local histórico de guerra. Show ! 

A Cintia é enfermeira socorrista, bombeira civil e já estamos acostumados a acampar. 

Mas depois fomos para Paris. Ai ficamos em um hotel legal para compensar. hahaha

Dia 02 segunda parte.

 

O bom de alugar um carro é que podemos nos deslocar para onde for preciso e sem se preocupar com o tempo.

Após sairmos do Cemitério Americano começamos nossa busca pelo setor Sword. E seguimos para leste passando por vilarejos que ainda trazem as marcas dos combates. 

Passamos por Colleville sur Mer e já encontramos uma igreja que foi parcialmente destruída e depois restaurada. E isso era só o começo. Em todas as direções era possível identificar elementos históricos daqueles dias de combate em junho de 1944.

Em alguns momentos era como entrar em uma maquina do tempo, pois a cada minuto cruzava por nossa van um jeep, um GMC, um Dodge ou outro veiculo militar da segunda guerra. Isso sem contar os comboios de viaturas quase sempre escoltados por batedores em motos da época com suas sirenes a plena.

E assim seguimos para nosso destino, Ouistreham. 

Mas antes passamos pela simpática Port-en-Bessin. Um dos locais de combate por um porto de pesca ali já existente. Mas falarei deste local mais a frente.

Nosso destino era o setor Sword. E chegamos em Ouistreham logo após às 13:00h. 

Logo de cara encontramos o monumento que foi edificado em homenagem aos 70 anos. Aproveitei para retirar uma pequena quantidade de areia daquele setor. Na verdade trouxe comigo a areia de todos os cinco setores. Documentei tudo em fotos pois estou montando um display onde usarei a areia.

Mas como disse, tudo ali lembra os anos 40, e logo a frente ocorria a apresentação de um grupo musical, as Les D-Day Ladies. Apresentando sucessos das famosas big bands de Glenn Miller. E para fechar o show, mais voos a baixa altitude dos C-130 da USAF.

Passamos pelos memoriais daquela praia e nos dirigimos para o setor canadense. JUNO.

Este foi um dos momentos mais marcantes da minha vida e de meus filhos.

Chegamos na cidade de Courseulles-sur-Mer. E logo nos chamou a atenção um Sherman que esta em exposição na praça. Enquanto fazia umas fotos, um senhor americano chegou até nós e peguntou se poderia fazer uma foto nossa com o tio dele. Pois bem, já estava até me acostumando pois muitos outros turistas tiravam fotos nossas, afinal era uma família toda uniformizada de 101 Airborne. Aquilo chamava a atenção.

De pronto concordei, e eis que logo desce de uma van um senhor com sorriso no rosto já marcado pela idade, usando uma bengala, e logo vejo em seu boné os dizeres "World War II Veteran". De pronto olho para o sobrinho que me diz, meu tio lutou na Normandia e em Bastogne. Agora era eu quem agradecia o sobrinho pela oportunidade de conhecer conversar com o veterano David Obernuefenann.

Logo de inicio agradeci pelos serviços e sacrifício prestados por ele naqueles dias de 1944. A emoção era tanta que quando meus filhos disseram o mesmo, ele se emocionou assim como seu sobrinho e esposa. As pessoas paravam para fazer fotos dele. Pessoas paravam seus carros e prestavam uma palavra agradecimento. Isso é inesquecível. 

Pois bem, fizemos talvez uma das melhores fotos de nossa viagem. Um veterano americano ladeado por três brasileiros.

Ficamos mais um tempo no setor Juno explorando as construções da época em Bernières-sur-Mer, coletei areia deste setor e depois nos dirigimos para o setor Omaha onde ficava nosso camping. 

Mas antes aproveitamos para fazer uma parada no memorial de Omaha Beach.

Para fechar o dia eu tinha de molhar minhas botas naquela água, e meus filhos e eu fizemos isso. Depois coletei a areia deste setor.  E fiz a foto que hoje e capa do meu Face junto com a Cintia.

Continua...

 

Dia 03 

Começamos o dia com os C-130 dando novos rasantes sobre as praias. Mais um dia de buscar por novos lugares.

Voltamos para os setores mais a leste de Omaha. Queria conhecer as praias do setor Gold. Nos dirigimos para a encantadora Arromanches.

Local onde foram usados o sistema pré montado para a construção de um porto para desembarque de material pesado.

A cidade é encantadora, fiquei apaixonado por sua arquitetura e principalmente por sua localização, esta favorece e promove uma vista fantástica do Atlântico. 

Quando chegamos, consegui um lugar bem na frente do Museu do Desembarque para estacionar a van. Estacionei do lado de Jeep´s e outros veículos militares. Todos restaurados e com as mais diversas marcações. Fora que cada poste da Normandia carrega uma flamula com a foto e nome de alguém ali se entregou ao sacrifício extremo e perdeu sua vida. Mas isso conto com mais detalhes depois. 

Nossa meta neste dia era de visitar museus e pontos históricos(como se cada lugar ali não o fosse). Aproveitamos que chegamos cedo e já iniciamos pelo Museu do Desembarque que fica a beira do Atlântico em Arromanches. 

O museu por dentro é fantástico! Com muitas peças únicas e que contam a história daqueles dias de junho de 1944. Dioramas gigantescos para mostrar como funcionava o sistema de portos pré fabricados e que ali foram usados. Um deleite para qualquer plastimodelista. Meus filhos e eu ficamos por muitos minutos olhando detalhes, conversando e fazendo fotos destes dioramas.

O restante do acervo é fantastico, motores de barcos, aviões (se não me engano de um Typhoon) minas marítimas, armas, uniformes e uma infinidade de objetos dos eventos de 06 de junho de 1944.

No final, aquela passadinha rápida pelo setor de lembranças e mais alguns euros investidos nas memorias que trouxemos.

De frente e ao lado do Museu existem grandes espaços, com peças de artilharia e elementos das estruturas que foram utilizadas nos desembarques. E sendo assim logo mais no final deste espaço vejo algo que sempre quis ver de perto. Uma 88mm alemã FlaK 36/37. Não resisti, ela estava exposta e eu tive que tocar a boca daquela anti aérea.

Passeamos pela charmosa Arromanches, tomamos um dos melhores cappuccinos com chocolate, de frente para o Atlântico (Inesquecível). Lojas de souvenires tem aos montes. E aqui fomos muito bem tratados, pois neste dia não estávamos de uniformes da 101, e mesmo quando nos identificávamos como brasileiros, as pessoas eram de uma cordialidade e educação incríveis.  

Descemos até a faixa de areia, e deste local trouxe a areia do setor Gold.

Seguimos agora mais para oeste, com destino as baterias de Longues sur Mer.

Outro lugar marcante. Ficamos horas andando por todo o complexo, e para cada lugar que você olhava, encontrávamos algo diferente. 

Entrar dentro das estruturas das baterias principais, nos remetia de imediato ao período da Muralha do Atlântico. E até hoje, mais de 75 anos depois de sua queda, estas baterias ainda demonstram sua imponência. 

Nosso próximo museu já ficava no setor Omaha. Museu Overlord. Parada obrigatória para qualquer modelista que goste de militaria. Acervo gigante de veículos, artilharias, blindados, uniformes, armas leves e até tanques. 

Ficamos por horas ali. No final deixamos uma mensagem no livro de visitantes, mais euros investidos nas lembranças e memorias. 

Partimos para o Camping. Já era 20:00 do horário local, e o sol estava lá no alto. Escurecia mesmo só lá para às 22:00h.

Aproveitamos para caminhar por Omaha Beach. Cada um de nós escolheu uma pequena pedra e a trouxe de lá. Foi um momento em que nós quatro estávamos sozinhos naquela praia, nos abraçamos e ficamos sentados vendo o sol se por. Um inesquecível momento que até hoje meus filhos comentam. Como diz o Gustavo (com a blusa de moletom da FAB nas fotos), "quantas pessoas podem dizer que viram o sol se por sentados em Omaha Beach". 

Continua...

 

 

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